Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comédia. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (13) - As Unhas

Reversão dos Penetras


Não há lugar como nosso bar
cada mesa molhada
pelo suor de cerveja
conta uma historia
triste, emocionante
bela, impressionante
deplorável
que seja

Não que haja melhor lugar
Para ir depois de casar
Não há

carros enfileirar e proliferar
padrinhos e madrinhas
inundar de gala o pobre bar
que só queria saber
de porres e sonetos
quebrados

Mas se é a festa
Da reversão dos penetras
O local é lá

juntos no boteco
arruma mesa
cadeira, vestido
caneco
chora o menino (é sono)
cacofonia, mas daí é bar
especiaria

Não que exista no mundo
Destino melhor para a Lua de Mel
Não há

noiva chega, arrasta vestido
arrasta carro, arrasta marido
quer a roupa trocar
promete voltar já
e o bar? grita:
tá de castigo!

Sem sombras e duvidas
E o poeta pode afirmar
Melhor lugar pra chorar
Nao há

soluça noivo arrependido
consola-o
mãe, tio, pai, amigo
engole as unhas
incha os olhos
descabela; palhaço
da festa
suspira perdido

volta esposa
puxa corrente
e sai o cão sem dentes
ganindo fininho

de repente reverbera
uma ditosa senhora
 " da próxima vez, goza fora"

se bar também é alegria
o gozo é geral
e geral não alivia

 "e ai, cara curtindo o buffet?"
 "ainda bem! só parei pra ver a tv!"

Não há lugar como nosso bar


#PHPoemaday

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Crônicas do Frio (22) - O Realismo Fantástico

O Realismo Fantástico 
  • (Aviso: Violência, Referência Sexual, Horror)
  • [P.S: Impróprio para pessoas que tenham mente fértil feat. nojo]
  • {P.P.S: É  sério. Depois diz que não foi avisado(a)}

O Julgo



Uma noite fria de setembro, aquela. Robert Stoneshoulders caminhava calmamente pelas calçadas da sombria Newlake´s Valley. O vento constante e uivante acompanhado por uma névoa célere e rastejante tornavam o clima mais sinistro do que já poderia ser. As ruas pavimentadas transpiravam um ar misterioso e macabro... Cada prédio ou construção, à noite, transformava-se – juntamente com a projeção de suas sombras - em monstros de diversos aspectos em seu silêncio doentio e ao mesmo tempo avassalador. Ao entrar em contato com o duro piso da calçada e por vezes do asfalto meio-molhado, os sapatos sócio-espotivo pretos de Robert faziam ecoar e retumbar por todo um quarteirão o som de sua passagem.

Com sua beca “paletó e gravata” desarrumada e seus cabelos assanhados, o Dr. Stoneshoulders (que mesmo não possuindo doutorado, nem sendo médico ostentava tal título) trazia em seu bafo alcoólico – e num perfume barato que se mesclava ao seu Jandoire – a prova de que estivera numa festa ou confraternização pessoal. O cheiro de sexo exalava de seu corpo.