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sábado, 30 de julho de 2016

Viajante Caído - (55th's Sessions)

Caindo

Acima da média. Entre parapeitos, marquises. É mochila, é jeans – às vezes saia – flanela é o estilo acima da cintura. Sinais e sinais. Da vida e de escolha. Todos signos. Olhos grandes, fingem-se pequenos. Boca pequena, apetite voraz – todos –.

Big eyes, little mouth

Às  vezes, é o verde república. A grama orvalhada, a fuligem e os deuses gregos como testemunhas. O Partenon e ao fundo a Yggdrasil. Reza a lenda que sete voltas ao redor da árvore e todos os seus desejos se realizam.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (08) - O Licor | (09) - A Cigana

Estiano & Caetano




Dança girando como uma cigana numa redoma. Ou como um dervixe na Dança dos Cosmos. Desaguamos; não me doma. 

A mão de Deus é minha e o universo segue no sentido horário; as horas não param, não passam. É o contrário, do contrário, do contrário; Espirais de Estiano. É o avesso, do avesso, do avesso; Sampa de Caetano

Dá, sim, para imaginar o mar vermelho. Dar-se para a imagem no mesmo espelho: liquefeito. Li que é feito de dois a felicidade de um. Resta a unidade ser de união ao invés de eliminação. Ele mina a alma, o desalento, fazendo o corpo ser um em nada. 

Nadar na correnteza Gaspare Campari com os olhos, para a boca correr aos lábios da sina. E afastar o vazio de dentro, rechear de prazer e derreter, no colo da amada amante. A li cortando meu ser. Engulo o licor para outra vez transcender.



#PHPoemaDayJune

terça-feira, 7 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (07) - A Maquiagem

Caricatura



Tanto esforço para encontrar algo que sustentasse uma nobre caricatura
de si

Vi eram
o tempo, as dores, o vento, amores, lamentos, sabores, 
exemplos e flores, tormentos e cores, momentos autores
Vieram

Quanto esboço no maquiar da realidade, veio a vida e a fez apenas criatura
per se


#PHpomeaDayJune

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (06) - A Mentira

Que Mera


Morrer
Quero morrer
Não quero morrer
Que não quero morrer
Pensei que não quero morrer
Quando pensei que não quero morrer


Menti

Quando pensei que não quero viver
Pensei que não quero viver
Que não quero viver
Não quero viver
Quero viver
Viver


#PHPoemaDayJune

domingo, 5 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (05) - Os Pecados

A Quebra da Quarta Parede

(A Revolta do Pecado)

O Senhor Pecado – Original
Viajou no tempo
Deslizando ao passado – Cardinal
Perscrutou o anjo

Cabeça coçando
Queixo roçando
Olhar recriminando

E para aquele monte – Colossal
Voou sem alento
Divagando a sorte – Abismal
Fulminou o ex-arcanjo

Hey, leitor!
Acompanhe comigo
Deus tudo criou
Mas sem defesa
Há pena; é pena
Filho do filho não sou
Que culpem a culpa
Pois as transgressões
Não é o transgressor
Aconselho o inimigo
Já que o porvir
Está todo f... Né?


Futuro revelado
Conselho mecenas
Esgar revoltado
Depois que é dito:


– Lúci, seje menas!



#PHpoemadayJune

sábado, 4 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (04) - A Cicatriz

Alto Relevo


Quero você em mim profunda
mente

Para quando tempo
dores e des
sabores

Te arracarem de mim
A cicatriz em re
levo

Me guarde de esquecer
Cada mal benevo
lente

Que te amar fez
pela minha vi
vência


#PHPoemadayJune

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (03) - O Cadáver

"De olhos bem fechados"



Abre os olhos 
em desprazer

O nada consome 
Não há ódio
Não há amor
Não há alegria
Não há dor
Recolhe os espólios de respirar
de viver

É casca ambulante
Nada ao ódio e nada
Nada ao amor e nada
À alegria nada e nada
À dor nada e nada

A corda do viver o estrangula
À caça da noturna pela inspirada dormência

O cadáver ébrio de vida
Anseia a morte do sono
Nos sonhos que embriagam a essência

Por isso aos beijos
Por isso aos cheiros
Por isso aos abraços
Por isso aos goles
Por isso aos gozos

Fecha os olhos 
com prazer

#PHPoemadayJune

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (02) - A Lâmina

A Primeira Vez


Penetrou-lhe a garganta. Por dentro. Mão na base; cabo. Pôs adentro aos poucos, lágrimas brotaram a cada centímetro engolido.

A respiração quase um fardo. A língua teimosa resvalava na dureza sinuosa. E o resto do corpo respondia. As narinas ardiam temerosas e a úvula à míngua. Queixo levantado e suplica desejosa, sustentando o beijo mordaz de uma boca audaciosa.

Olhos não mais no objeto; no teto, lacrimejavam a luxúria implacável do público que assistia e - boquiaberto - inconfessavelmente, pedia: "que jorre o liquido sagrado e nos satisfaça plenamente".

Totalmente tragada pela bainha, finalmente. De fora apenas o talo e as mãos em regalo, braços abertos, formavam a cruz. Da platéia os aplausos e euforia expelida. Puxa de si a lâmina que ameaçou sua vida. Se curva o faquir regozijado e no sorriso o alívio; à sua arte fez jus.



#PHPoemadayJune

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (01) - O Crush

O Crush (Fixo?)


No final
quisera o crush e...

Ficou na pele as
estacas daquele rush...


Citado na cerne
Do sarau

#PHPOEMADAYJUNE

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crônicas de Jack (I) - Jack Origins

"Somos as palavras que trocamos, os  enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer."
(FREUD, Sigismund Schlomo)


Jack 

will be his name


É uma narrativa com atraso, delay de quase 4 anos. Essa é aproximadamente a idade do Jack. Não tenho certeza da data de seu nascimento, porque ele já me veio espertinho, com os olhos abertos e desmamado. Mas, antes do famigerado meow ele ainda fazia miw.

A incorporação da preguiça e da folga

sábado, 5 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (05) - O Pianista


Für Elise


Pupilas sugam negrume, anseiam luz, quarto escuro... 

Desejam cores, pulso lá fora (em outro quarto).
Íris estremecem. 
Uma onda de volúpia melancólica e o esôfago sente.

Aspir... [îîîîîîîsss] 
Expir... [fsssssîîîî]

[pän... ♪] 

Som desfila, segue e definha num mi agoniante, retumbante entre as quatro paredes...

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Lábio encerrado entre os dentes, escarlate e salgado. 
Sustenidos rés respondem aos mis tentando gritar à Für Elise (tão pobre)...

[tän, nan, dan, dån... ♪] 
Um apelo de si, resquício de dor por ela... 
Agora o quarto eram sons, ondas, cadência, ritmo.

Mão esquerda aracnídea.
Movimentos alongados e precisos, encanto.
Mão direita ferina.
Movimentos rápidos e impulsivos, expulsando.

"Fraude...", vinha e retumbava em toda sua existência.

Mais sol, mais dó... Mais acordes em lá menor. 
Dentes trincados, olhos no enquadro da janela. 
Uma iluminação destoante invade o recinto, pupila recolhe feliz, rosto e suor. 
Quantas horas? Já nem sabe mais.

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Mais uma vez... E os dedos sagram clamando por Elise, nada pobre. 
Não se ouve o som, mas a luz tímida e fugaz revela o belo tom de vermelho escorrendo do instrumento e tocando os insensíveis. 
Sem dó, sem sol. Sal, talvez.

"Fraude." Como? Canção é coração e não só partitura!

Vislumbrava outro enquadro. Um piano de calda 
[nån, nän, nån... ♪] 
e Elise, provavelmente gritava.
Pela segunda janela, o pianista, invadia mais um espaço seu, com a clave de sol - que ele jamais soube o que era - orquestrando-a.
As teclas tocadas, com certeza desconexas 
[nån, nän, nån... ♫] 
pelo convite do senhor clássico ao improvável assento.

"Fraude!" Aquele ritmo... Cadenciado, frequente. Ah, Elise!

[*Tiempf*] 
Seu rosto é chicoteado. 
Uma corda o acerta, o aço corta timidamente sua face. 
O som cessa.

Fita mais uma vez a foto do casamento lançada ao chão... 
A música cantada, sem técnica; apenas coração. 
No apartamento em frente um murmúrio, talvez gemido...

A luz artificial invade o quarto inundando-o. 
Violão no colo, garrafa de vinho em solo. 
Calibre 38 ao alcance da mão. 
O semblante decidido...

Fraude?
Für Elise
.



#PHPoemaday

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Crônicas do Frio (24) - Antes da Meia Noite

Antes da Meia Noite (Dia de Nada) 

- sei lá -.

"Feliz novo dia" seria o que ele diria.

Hoje, dia de nada, o sono aumentando os nós do lado dele da corda.

Hoje, nem sei a data, o bocejo e os hormônios - sei lá - fazem a chuva e esse frio serem mais foda.

[pede parada~entra e se acomoda num assento do lado da janela]

Digo que não, mas sinto o que sinto. Não falo que sim, mas no outro insisto.

Mas, na boa, nem dizer... eu... Poderia.

Um pingo de tudo sempre vem nessa lagoa em dias como estes. E ele sozinho faz ondas na estrutura inteira.

É. Na minha. Não queria mais falar palavrão, mas puta que pariu... - sei lá -.

Olho através do vidro lavado pela chuva. Há um espectro meu lá fora.

Me observa como se dissesse: acompanhada, mas sozinha (sei que não, só que... - sei lá -.)

Um fantasma me faz ouvir sobre o clima...

Uma explicação insuportavelmente espertinha de quem lê inutilidades pra me impressionar... Ou a si... - sei la -.

Os solavancos fazem meus cabelos desgrenharem. Parece que está aqui, me olhando, nesse dia de nada. Dá raiva.

[seres vivos temporários vêm e vão, entram e saem da visão]

Minha alma tenta sangrar, começo a enxergar pelos vitrais inundados do que sinto e sentia.

Mas, na boa, entender... eu... Nem saberia.

Mordo um dos meus dedos derramados sobre o rosto que ferve (prefiro-os aqui - sei lá -, me protegem).

Sinto o abraço efêmero do famoso "tudo vai ficar bem" e sei que não posso pensar.

Vem meu orgulho e a tudo autua. O enfrentaria, mas hoje é daqueles dias, tem gente olhando... O que eu diria... - sei lá -.

[respira fundo~troca canção no media player do celular]

Foda, dia de nada, o sono aumentando a porra dos nós do lado dele da corda.

Mas, na boa, se quisesse... eu... Superaria.

Certeza, lembrei a data, são os hormônios que fazem eu me sentir - sei lá - meio idiota.

[confere cabelo e maquiagem~pede parada~desce do coletivo]

Digo que não, digo e repito. Não falo que sim, nem tento persistir, 

não penso mais no quesito.

[atravessa a rua~se aproxima demais do muro~lembra que precisa se afastar]

Hoje é nenhum dia, dia de nada, as horas vão passar rapidamente... 

Do jeito que eu queria.

Mas - sei lá -, as 23:59 estaremos acordados... E ao rodar o relógio...
 

"Feliz novo dia" seria o que ele diria.

- sei lá -.

#PHpoemaday

terça-feira, 2 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 2) – O Céu de Hoje



Nota: Esse tema era do desafio do ano anterior (Junho 2014). Me confundi... Fazer o quê? [rs]
O CÉU de Hoje


Frio...

E que de cinza fosse branco. Neve era o que eu queria.

Vento. E que de brisa fosse ventania. Tornado era o que eu queria.

Garoa. E que de pingos fossem chuva. Tempestade era o que eu queria.

Umidade. E que de promessa fosse névoa. Cerração era o que eu queria.


Mas amo...


Cada cinza de vento,
Cada névoa de umidade,
Cada promessa de garoa,
Cada pingo de frio.



#PHpoemaday

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 1) – Auto-Retrato



Nota: Esse tema era do desafio do ano anterior (Junho 2014). Me confundi... Fazer o quê? [rs]
AUTO-Retrato

É, mãe. 1º de Junho. Acho a coisa mais clichê do mundo hoje ser uma segunda-feira acinzelada, fazer aquele frio e eu ter passado dois dias inteiros sem dormir. Dias de confissão ao lençol. Confesso, sim: minha vontade de desacelerar só um pouco.

Queria poder ouvir na rádio “... (Do I wanna know?) / If this feeling flows both ways ?/ (Sad to see you go) / Sort of hoping that you'd stay…”,  mas dei um jeito de quebrar o milésimo fone de ouvido. As músicas que eu gosto fazem falta. Principalmente no dia em que resolvo contar algo que vai deixar você pensando que, no mínimo, sou louco.

Descobri que gosto de um cara.