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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Presente em sete dias (Go with the flow)

“Sabe oq fico pensando
Q deve ser mt mais do que vc descreve
Não poucas vezes que eu me pego pensando nisso
Será se um dia a gnt consegue?”

Aproximo

Venho tentado aprimorar a conversa entre você, que me lê, e eu, lírico ou nem tanto. E devo aconselhar que não é uma boa me ouvir (seja lá como minha voz soe na sua mente) enquanto ouve álbuns como “AM”, “Babylon By Gus - Vol. I: O Ano do Macaco” ou “After Hours”.

Nossa experiência, juntos por aqui, tem se tornado quase um guia turístico e uma coluna musical. Na última vez que nos vimos, bem, me debruçava sobre meus pedaços reenergizados, após Pernambuco me temperar ao sabor dos ventos e de som. Isso me lembra outro momento sobre ser "brisa e tornado quando dá na telha" ...

Se você é um rosto conhecido, provavelmente sentiu o pareamento com a minha mente. Afinal de contas, minhas introduções trazem um pouco de como a narrativa surge no meu cérebro. Se teve a oportunidade de ouvir áudios meus, sabe bem do que estou falando.

Ainda continuo o mesmo escritor medíocre – abaixo da média tantas vezes que o impostor diz ter síndrome de mim – e também mantenho firme a ideia que fazer minhas palavras chegar até você é mais emoção que gramática. “Mais entrega, mais viver e sentir, mais derramar-se do que qualquer outra coisa”.

Então, se prepare! Esse é mais um texto a la Jackson Pollok.


fluxo Jackson Pollok
Um tantinho de digressão para estimular a criatividade

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Era Um Garoto (XIV) - O dia em que eu morri

“Nossa atitude insincera perante à morte torna a vida insípida e vazia” .

(FREUD, Sigmund)


“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na 
nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”
(PESSOA, Fernando)





O dia em que eu morri


Há poucos dias - diria: há pouco tempo - eu morri. Calma! Eu não morri de verdade, verdadeira! Morri só um pouquinho. Coisa de poucos segundos. Meu coração não podia me representar tão bem se não se rebelasse contra mim. 

O que já não é novidade na minha história. É a terceira vez que o acontece, mas foi a primeira vez que me ocorreu extremamente sozinho (e depois de ter esquecido completamente disso).

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Era Um Garoto (XIII) - Afastamento

"Era uma despedida de ti, intencionalmente prolongada, com a peculiaridade 
que ela, apesar de imposta por ti, corria na direção que eu determinava"
(KAFKA, Franz. Carta ao Pai)


Afasto



"É uma característica do signo", me disseram. Ué! Tem uma galera que acredita na máxima que inventei agora "geminianos são brisa e tornado quando dá na telha". Prefiro, particularmente, a ideia da autonomia e maturidade emocional. Que, convenhamos, tá longe de ser plena a senhora maturidade. Mas, inevitavelmente uma hora rola um certo afastamento.

De repente a pessoa some. Não liga, não manda mensagens, não whatsappeia... Quando adolescente essa característica era descrita com um adjetivo: antissocial. Mas, contraditoriamente, a sociabilidade tão natural contrasta com essa, digamos, peculiaridade.

Ter a duplabilidade (neologismo?) de saber aproveitar a solidão e aproveitar momentos na companhia de alguém, viver surfando nessa quase-dicotomia, não é tão difícil quanto parece. Ao menos pra mim. Difícil é explicar o porquê. Mas, não custa tentar. Afinal, talvez responda os afastamentos alheios, também. Geralmente ocorrem por dois motivos: de forma indireta e/ou direta.


Afastamento

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Era Um Garoto (X) - "North Remembers"

Agora Posso Voltar
Quem um dia irá dizer que não existe razão
nas coisas feitas pelo coração?

(RUSSO, Renato. Eduardo e Mônica. 1986)




North ever forgives & never forgets

Escrever é pra todos. Fazer sentir com o que está escrito é um dom pra poucos. Dentro dessa perspectiva, eu falhei miseravelmente em concluir o desafio a que me propus no mês de Junho — o PH Poemaday —. Na real? Tava frustrado com a minha falta de inspiração e meio triste comigo mesmo.


"Eu não fiz questão de estar aqui, nem mesmo de participar..."


sábado, 4 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (04) - A Cicatriz

Alto Relevo


Quero você em mim profunda
mente

Para quando tempo
dores e des
sabores

Te arracarem de mim
A cicatriz em re
levo

Me guarde de esquecer
Cada mal benevo
lente

Que te amar fez
pela minha vi
vência


#PHPoemadayJune

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


Alguns infinitos são maiores que outros
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (31) - Dourado e Branco

Signo de Fogo



Oi! Eu sou Você. E já estive no olho do furacão. Não faço ideia se foi a melhor das decisões possíveis, mas tudo me enlevava. E ele me levava. Eu, que não me escondeu nada, permitiu o espaço que ocupava. E eu não nasci Você, aprendi a ser. Então posso escolher quem ser e de que forma. Aceitei e não me culpo... Mentira, sempre me culpava. Lógico era ele quem me puxava pela mão e tudo girava de forma sem precedentes. E eu que nunca me imaginei chover, hoje inundo a vida de tempestades recorrentes.


Hoje, quando escrevo Você e Eu, raízes de energia abundante brotam das folhas do caderno procurando aquele caos... tanto caos. Já imaginando que virá tornar-se fascinante. Era arte, era arte. Assim como me fazia de tela em branco, e me comprimia contra a parede, e me impressionava em aquarela, e umedecia minha textura, e fazia os tons tocarem os céus, e miscigenava em expressionismo, e fazia música das minhas entranhas, e pincelava mais bocas do que eu poderia beijar, e derretia em sustenidos, e fazia o mundo parar e ao mesmo tempo girar, e sussurrava as músicas da libido, e desenhava prazeres na pele, e escorregava meu ponto de fuga, e tocava cada degradê... E no meio de toda aquela mistura, ainda era o castanho que você procurava.

I n c e s s a n t e m e n t e. ~arrepio~

Daquele branco morte, confundido com paz, a flor sempre abria coalescida. Mas a dúvida resistia. Fenômeno de ser Você.

Amanhã, quando o Sol lamber meus olhos alterando os tons, passeando do vermelho ao dourado, me lembrarei mais uma vez daquele mosaico... tão misturado. Lá saboreando cada centímetro do teu tornado esfuziante. Era arte, era arte. E ouvirei tua voz: “permanecer no núcleo de mim irá te proteger de mim, Você”. Mas Eu, eu não acreditava. Fenômeno de ser Você. E eu sei, chorarei... O dia do vendaval, a abdução helicoidal, o choque visceral, a necessidade de ar, a vontade de organizar, o erro em desumanizar, a desproporção na simetria, a imperfeição que eu destruía, o medo de perder meu eu, o desespero em não ter meu Eu, a caricata possessividade, a metódica agressividade, a minha ira na tua compreensão, a tua dor na minha perfeição... E no meio de toda essa clausura, ainda seria o castanho que você procuraria.

A p a i x o n a d a m e n t e. ~calafrio~

Deste dourado paixão, confundido com poder, a flor sempre brotará convalescida. Pela suspeita de uma felicidade vazia. Você é antônimo de Eu, mas ainda existirá a vontade de ser eu e você.


#PHpoemaday

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (30) - Um Tema Passado

Signo de Ar


Se me permites a apresentação, eu sou Eu. O prazer é meu, Você. Desculpe a bagunça. Eu sei que tudo aqui é uma confusão. Peço um pouco de paciência, coisa difícil nos dias aonde a onisciência é uma extrema necessidade exigida para ser ignorada – pois, em todos os lugares vemos donos da verdade (e graças dou às exceções) –, para que faça algum sentido atravessar este portão. Difícil entender a minha cognição, não? É. Desejo-te boas-vindas ao olho do furacão. Quando soube que Você queria conhecer o meu universo, não acreditei. Confesso: quando converso sobre quem é Eu, causo espanto e encanto. E é pelos cantos que traços meus pontos, não sou lá fã de ser o centro. Dar atenção é mais meu recanto.

É. Este é o Auto-Retrato. Gosto de me olhar no ontem para entender melhor quem sou.

Não sabe onde ficar, Você? É o caos, é o caos. É mosaico do meu ser. Venha, sente-se aqui. Deixe-me preparar um café. Quando subi para a estação de metrô, foi que vi tudo acontecer, sabe? As cores misturando, pessoas arrastadas por suas coleiras virtuais, senti uma força me sugando para outra dimensão e minha mente já estava em... O quê? Ah, desculpe! Às vezes incinero a largada ou passo o bastão entre uma modalidade e outra – mesmo que a pessoa não tenha testemunhado o início da primeira –. É uma sina.

Sim. É o Cárcere. Mantenho-o perto de mim para saber que a qualquer momento posso errar aonde vou.

Mas, contextualizando, me vi novamente neste fatídico dia no mesmo lugar, no mesmo horário, no mesmo caminho, cercado dos mesmos rostos. Que já me reconheciam (mas não conheciam), que já mediam meus passos, que já aspiravam minha pele, que já pouco me agregavam, que me faziam cada vez mais robotizado. Preciso de mais. E pelas veias multicoloridas desse multiverso subterrâneo, mudei dois tons. É o caos, é o caos. Contei cinco ciclos de minutos para aspirar novos sons. É mosaico do meu ser. Não me repetir faz parte da minha essência. É uma sina. E eu compreendo que no final, a escolha é o mesmo destino. O objetivo não é desatino. Então é eco e o círculo antes aberto, agora jaz fechado. Percebi que é no caminho que evoluímos. É nas facetas do nosso ser em outros mundos – um segundo de diferença e a realidade é completamente diferente –. É, Você. Não sou fã de ser centro, apesar de ser centro de certos cantos. Não tem como fugir das responsabilidades de não ser santo. Se não há ancoradouro? Sempre há! Já não o disse? Perdão. Existem, sim, nossos destinos de salvação.

Isso. O Silêncio. Não consigo entender como viver dentro dele, porque ele inexiste onde estou.

O desespero que me faz não ser um tema passado acaba me reprisando em ser presente em mim. E ter que ser Eu e provar o eu que sou é cansativo para quem me vê. Vejo seus olhos brilharem e amo esse fulgor, Você. Porém, você tem que entender o castanho como a cor mais bela. Tome aqui uma cerveja, brinde comigo! O café? Ah... Verdade, não é? É o caos, é o caos. Que move o que sente, que dá temperatura a canções, que imprime desejos à flor da pele. Estamos nesse exato momento em outro tempo do que começamos. É mosaico do meu ser. Adorei o seu sorriso. Amei esse beijo entregue, profundo. Mesmo, antes. Quando acontecido só na nossa mente. Melhor agora, fora do relicário que a Cássia cantou. Vamos sair. Vem comigo. Deixa eu te mostrar como vejo o mundo.

(cont.)


#PHpoemaday

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (28) - A Conquista

Presa Primal


Sou um animal
Não tenho dono
Não me domo
Não há domo
Que me
enjaule

Encoleires-me
Encolerizes-me

Tenho passos no tempo
Tenho olhos no espaço
E quando me vês
Já saboreio tua tez
Fincando a presa
primal

Desafies-me
Desafines-me

E se disfarça a presa
De caça a predador
E provoca o cortejo
Aproxima o desejo
É a fera solta que
conquistas

Libertes-me
Libertines-me



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Conquista em Fá Bordão



Eu, caminho de mim
Tu, destino sem fim
Ele, Pierrot em cetim
Nós, Colombina e Arlequim
Vós, amor vestindo carmim
Eles, fá bordão em bandolim

#PHpoemaday

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (25) - Os Sinos

Absolvição


Brisas cálidas trazem dos ombros as finas alças, magnetizando o relevo macio por onde escorregam e descarregam ondas elétricas de cima a baixo. A dança segue até onde a sinuosidade insinuante do corpo limita os movimentos do tecido. Os olhos sugam o desejo um do outro e sem demora, se devoram. As bocas roçam e resvalam, as línguas fluem e confluem, molham-se no interior um do outro e voltam para umedecer o desenho dos lábios e mordem com vontade cada parte tenra. As roupas se tornam caricaturas sem propósito agregadas à estrutura. As mãos dele passeiam pelas costas imprimindo a pressão necessária e tomando-a para si sem sufocá-la. E os braços seguem sentidos diferentes, direito ao norte, esquerdo ao sul, simultaneamente, arrancando grunhidos e provocando abocanhadas durante aquele beijo afogado. Conquista pescoço e nuca, os cabelos dela preenchem os vãos entre os dedos. Toma cintura e nádega, o corpo dela tão próximo que o coração de ambos é um carnaval. Pressão em norte e sul. Gemido descontrolado. As mãos dela procuram descontroladamente onde se aprisionar. Puxa-o com o corpo para trás, trazendo-o consigo, joga a pelve para frente sentindo-o. Crava as garras nas costas e a cada movimento um choque de suor por todos os poros. Abandonados ao banco do carona do Impala 1967 geram energia. Um terremoto compassado se inicia. Membros superiores se confundem numa caótica necessidade de arrancar a fantasia para o mundo. Não mais camisa de flanela e jeans; não mais vestido branco e lingerie. Um nevoeiro de desejo esconde o cenário despudorado dentro do veículo, não fosse o ritmo cadenciado nada se desconfiaria. Frequência aumenta e eleva o volume, retumbes ininterruptos, fortes e desenfreados, seios engolidos, teto rasgado, abdome suado, colo em impacto, membros que se arrastam, dor, prazer, perdidos em si e nos segundos de renúncia a tudo, largando a vida e a morte num vórtex de volúpia e deleite profundo.

O abalo sísmico cessa.
As badaladas se iniciam. Prometem as quatro de sempre.

― Ainda não te entendo, Elisa. ― A imensa estrutura gótica lá fora retumbava quase silenciando-o.

― Não há o que entender, Marco. ― respondia, enquanto vestia-se.

― O casamento é amanhã. Todos precisam saber. Eu mereço sair dessa prisão. Eu já amo você!

― Para! Isso de novo? Combinamos a meses, Marco. Vou casar amanhã, às 20h. Era uma questão de incapacidade dele, eu resolvi e o senhor aceitou.

― Mas por que quis continuar? Fazemos isso toda a semana! Há meses. Não havia necessidade.

Ela olha para o pátio da igreja e, com o ar triunfante, diz:

― Amanhã, sairei daqui deixando o inferno para trás. Cada Ave-Maria e Pai-Nosso rezei em você, Padre. Me case com o Paulo, como combinado.

Ela faz o clérigo descer do carro, perplexo.
O motor ronca, a esperança se vai.
O homem fica, a fé esvai.

J. Gonçalves (25/12/2015)

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Sino da Salvação


Ela corre
Tá quase na hora
O coração pela boca
do estômago

Essas horas em que a morte nos sonda com sua foice
Fazem parte do tempo em que nos enxergamos crias
Cobertas de temores

Os suores percorrem
O delinear dos omoplatas
Escorregam entre os seios
e inundam o umbigo

As fiordes ameaçam adentrar
Seus anseios pela boca
Bolsa lacrimal
e anseios

Essas horas em que a sorte nos estala no coro o açoite
Fazem parte da chance que levam suplicas às nossas vias
Repletas de fervores

Chega a tempo e solta todo o fôlego
olha o relógio
e os sinos
gritam
Corre pelo escuro beco, alterna a
velocidade entre um badalo
e outro
Foice na nuca, alma nos pés
décimo primeiro grito
chaves nas mãos
Alcança a luz do fim do túnel
corpo em conflito
avista a porta
Corre pela vida e
o espírito
aflito
Abre e trancafia a madeira
respira fundo e num
riso de alívio:
Terça-feira já foi
Deus me ajude a
não encontrar o
meu destino na
viela morta

[...]

Porque no final das
contas a culpa é
sempre nossa

#PHpoemaday

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (23) - A Pansexualidade

PanAche


Dreadlocks e alargador
na pele
alvo

Tartarugas maoris
nadam na orelha
alagam

Alargadores abrem
espaço para
o grito

Não ter que ser quem é
Escolher ser quem quer

Contas contam mais
que um
terço

O Pai é o nosso refúgio
na cruz; às vezes
precipício

Que desce pelo pomo
provindo do barro
no início

Vão se os dedos
se não vierem
anéis

Converse é All Star
e Casulo é C&A

Prefere Beatles à feijoada
Baden Baden à Toquinho
Street Dance à Itaipava
Sushi à Samba

De si dono
Miscelânea
Se der, dono
Humana
do seu desejo de
Joaquim e Joana
Gozar ser quem
bem escolher



#PHpoemaday

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (21) - Tsunami

Adeus Panteão



Um imensa fissura. Rachando todo o meridiano. Meia crosta afunda e um degrau a Poseidon é levantado (derrubando-o), rasgando ao meio Afrodite e Dionísio — desfalecendo Príapo —. As águas salgadas chovem rumo ao céu — da boca —.

Zeus grita do alto da tempestade. Regurgita Atena ao longe em eletricidade. No peito Ares, na alma Hades. Oceano inclinado, mais rápido que Hermes avança, revirando e explodindo cada superfície que tocar, inflamando os caminhos como os cavalos de Apolo. As setas de Ártemis tão certeiras, despertam apenas selvagens abissais do coração de Gaia, que adormecida, começa a sangrar — até a vida —. Erupções de Hefesto já cuspiam todas as armas do Inferno. Cronos congelado. Éolo, Boreas e Noto em colisão, estilhaçam Euro e Zéfiro num asfixiante turbilhão.

Não havia composição de Orfeu que aplacasse tamanha catástrofe. Nem beijo de Eros que acalentasse em qualquer estrofe. Ferido Morfeu e ostracizado Hipnos, quanto mais o firmamento era um espelho d'água, mais insuportável era a existência de Himeneu. E o nível do mar sobe impossível e sem razão e toma todos os sentidos espelhando-os em várias direções.

O tsunami eclode.

Arrasta...

R isO
    AleGriaPlaNos
       Momen toSPipoca Film es Ch oc
            OLate sBei JosFoto gRafi as Abr aÇo s ArrE                       piOsVerDadecariNhoCuidaDOPrAzeREsdeSCobertaFilMESsusPirOSjanTaressuR
preSasMUsicasLiVrOsViAgenssegredosfLoresC 
onFIa nÇaAm
O r



A ressaca vem e tudo draga de volta. Deixa o caos no lugar. Parindo a revolta.

E o mais inteligente dos filhos de Zeus decide a melhor questão para o melhor dos momentos: Está tudo bem? Podemos ser amigos agora?

Com os olhos marejados em calmaria e como se uma tragédia nunca irrompesse, a Musa responde delicadamente que será sem companhia que prefere ir embora.


#PHpoemaday




quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (17) - A Presa

Mais Que Uma Palavra

Presa
P r e s a
Preas
Pares

Se par
ar
pes

P e s a r
Raspe

R a p e s
P e a r s
S p e a r

Serpa
P ers a

Com alma envolvida, nem
mesmo a palavra
permanece
confinada

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Lugar Comum


Mentiu aos meu olhos de Machado
Prometeu nunca apagar as chamas
Os castanhos mais que o sol valorizados
Serei teu só de ouvir que inda me amas

Perdoavas sem pensar na tua sina
Pintou lindo céu dos meus cabelos
Ser menina em mulher me desafina
Me apanho sendo o mar sem teu veleiro

Quando pensei que amor não mais havia
Tu me domavas; teu calor me renovava
Me julguei ser tua caça todavia

Aquela fome sem cessar de ser o um
Presa fujo a procurar nova cadeia
E teu nome a me tornar lugar comum


#PHpoemaday

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (16) - A Beleza

Vitae


Fora um golpe perfeito. Lindo, limpo e sem precedentes. Atingiu-o em cheio no peito e inundou seu estômago de uma ânsia profunda.

Força alguma seria capaz de arremessa-lo num canto como agora. Calafrios elétricos percorrem cada centímetro de sua epiderme. Cada poro desesperando ser lavado e os suores atendendo ao pedido. Sua cerne invadida de uma fraqueza indescritível já abandona as esperanças.

Lágrimas vertem ao perceber que tudo está por um fio – aquele fio que o trespassara –. Tão novo, ainda tão garoto, retumbava a voz dos antigos: a batalha não permite pequenas falhas. Falhara. As pernas já sem resistência, derramadas sobre o chão frio de cimento temperado. Reputação entrecortada por soluços. Respiração ameaçada por vultos.

Então, no embaralhado do profundo oceano dos seus olhos, as primeiras gotas chovem de seu corpo. As mãos ainda grudadas ao colo, observa incrédulo: jorra vida do seu seio. Fascinado, percebe aquela cor tão única, sua, particular. Ambas as palmas lavadas de si mesmo; sente um prazer perpétuo. Não sabe mais se é, respira ou se existe. Sente que não é mais único; é o todo e a enchente que flui de seu ferimento – antes de morte – como queda d'água, colore o mundo com suas cores quentes. O aroma, não mais férreo, enche seus pulmões de ternura. A lâmina cravada no seu ser é absorvida. Se deixa arrastar pela correnteza que seu âmago formara.

Encontra o cais em meio ao mar de sua criação. Aporta, com a glória dum guerreiro que pela primeira vez sente a vitória em seu nome.
Num epitáfio para nova vida ele escreve, insone:

Aqui jaz um menino, pois não há beleza maior que meu próprio sangue.


#PHPoemaday

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (14) - O Ipê

Suspiros


Tenho que ser honesta contigo. No começo incomodava, depois ignorei. Achei que fosse um dos três: carente, vazio ou doente. Acontece o tempo todo. E eu estou cansada disso. Perco meu tempo e paciência; é um estorvo. Os piores são os apaixonados, na minha opinião.

Mas percebi, depois de um tempo a diferença. Eu entendo não querer falar comigo. No entanto, não consigo ficar longe. Sei que não era loucura sua, não era vazio existencialista, paixão adolescente. Depois de anos observando, aprendi a saber o que tu sentes. E agora faz falta aquela admiração, aquele respeito. Posso me sentar no teu leito... Ao teu lado? Não me olhes dessa forma. Ah! Esses castanhos sob a luz...

Sei, pedi que me apavorasse, mas eram outros tempos. Me aceitas na tua casa, como antes. Vês? Tens por mim um sentimento cativo. Vivo – não faça ar de riso – pelos cantos lembrando de tudo. Meu medo era que desistisses, afinal, não me consideravas inimiga. Diga: que mudanças uma única vida pode trazer? Afinal nascestes só e é sozinho que encontrarás teu destino. Tua parte já fora feita. O que mais queres? Eu estou presente, sempre. E espero mais um presente. Daqueles que me fazem chorar as vidas que nunca tive. Daqueles que me fazem amar impossivelmente.

Não és como antes e ignoras-me. Porém, sabes que cá estou. No canto do cômodo, vendo tua fome e sede, teu cansaço e dor... Sabendo que não é pra mim teu sacrifício – amém! –. É vívido teu suplício e eu o testemunho. Óh! Desculpe te tocar... Eu sei, esse frio... É que não suportei teu semblante esguio. Me olhas, dispara, reclama; prefiro. Não vais mesmo, falar? Leio seus pensamentos se quiser, mas quero sua voz.

Me afasto se queres levantar. 
Te acompanho se queres caminhar. 
O belo bosque. Teu lugar de suspirar.

– Vês esta árvore linda, frondosa, colorida... Magnífica, não é? É o ipê. Conheces?

– Que bom ouvir-te novamente. Sim. Mas o que queres dizer?

– Minha filha ainda não conhece metade da beleza que merece... Não espero que entendas, mas aceite o porquê comecei a te temer.

[...]

– A vida nas tuas mãos. Somos iguais então.


#PHPoemaday

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (10) - O Quarto de Motel

O Quarto 222


Não queria ser motel. Não o era!

Apesar das paredes do quarto de tom verde nada frias serem, não sentia. Mas sentiam aqueles que adentravam seu interior; para sentirem outros interiores.

Apesar de testemunhar primeiros beijos e promíscuos gritos, não queria ser motel. 

Não o era. 

Também presenciou sussurros fugidios, fogo liquefeito em fluidos. E corpos em tremores, expressões de prazeres e dores. Suores. Seu espelho lateral (e não no teto) refletiu amor, sofrimento, lamento.

Apesar de suas toalhas levarem a identidade ainda não renovada, não queria ser motel.
Não o era. 


A tela não servia pornografia; um pouco de I don't wanna miss a thing durante a madrugada que, mesmo sendo foda, era praticamente o inverso. Era outro universo.

Apesar de dias de constante sexo, não queria ser motel. 

Não o era. 

Lençóis contorcidos entre dedos suplicantes, almofadas derrubadas ao chão complacente, ar condicionado que tentava abaixar os "me fode!" insistentes. Chuveiro que aliviava as feridas abertas de arranhões recentes e ao mesmo tempo lavava os amantes em lascívia urgente.

Apesar da portinhola de entrada ao desjejum, não queria ser motel. 

Não o era. 

Lugar de risos e sabores. De dias e não horas. De sonhos e temores. De amores, mesmo em fodas.

Não queria ser motel. Não o era?




#PHpoemaday

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (09) - A Desinência Verbal

A Desinência Verbal


Em quantos
morfemas metamorfoseados meu amor pode ser expresso sem que perca sentido?
Por quantos
fonemas brigados devemos discutir a certeza da verdade na palavra daquilo que foi dito?

sentidos modelados pelo tempo e dá novo significado ao sentir.
ditos influenciados pelo modo expressam minha diferença per se.

Falar amor
falávamos. Pois da boca pra fora todo o amor é fácil, belo e compreendido.

Fadar amor
fadávamos. É preciso ser hoje e agora, predicar o amor em expectativa o torna ferido.

Falhar amor.
falhamos.




#PHpoemaday

sábado, 5 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (05) - O Pianista


Für Elise


Pupilas sugam negrume, anseiam luz, quarto escuro... 

Desejam cores, pulso lá fora (em outro quarto).
Íris estremecem. 
Uma onda de volúpia melancólica e o esôfago sente.

Aspir... [îîîîîîîsss] 
Expir... [fsssssîîîî]

[pän... ♪] 

Som desfila, segue e definha num mi agoniante, retumbante entre as quatro paredes...

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Lábio encerrado entre os dentes, escarlate e salgado. 
Sustenidos rés respondem aos mis tentando gritar à Für Elise (tão pobre)...

[tän, nan, dan, dån... ♪] 
Um apelo de si, resquício de dor por ela... 
Agora o quarto eram sons, ondas, cadência, ritmo.

Mão esquerda aracnídea.
Movimentos alongados e precisos, encanto.
Mão direita ferina.
Movimentos rápidos e impulsivos, expulsando.

"Fraude...", vinha e retumbava em toda sua existência.

Mais sol, mais dó... Mais acordes em lá menor. 
Dentes trincados, olhos no enquadro da janela. 
Uma iluminação destoante invade o recinto, pupila recolhe feliz, rosto e suor. 
Quantas horas? Já nem sabe mais.

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Mais uma vez... E os dedos sagram clamando por Elise, nada pobre. 
Não se ouve o som, mas a luz tímida e fugaz revela o belo tom de vermelho escorrendo do instrumento e tocando os insensíveis. 
Sem dó, sem sol. Sal, talvez.

"Fraude." Como? Canção é coração e não só partitura!

Vislumbrava outro enquadro. Um piano de calda 
[nån, nän, nån... ♪] 
e Elise, provavelmente gritava.
Pela segunda janela, o pianista, invadia mais um espaço seu, com a clave de sol - que ele jamais soube o que era - orquestrando-a.
As teclas tocadas, com certeza desconexas 
[nån, nän, nån... ♫] 
pelo convite do senhor clássico ao improvável assento.

"Fraude!" Aquele ritmo... Cadenciado, frequente. Ah, Elise!

[*Tiempf*] 
Seu rosto é chicoteado. 
Uma corda o acerta, o aço corta timidamente sua face. 
O som cessa.

Fita mais uma vez a foto do casamento lançada ao chão... 
A música cantada, sem técnica; apenas coração. 
No apartamento em frente um murmúrio, talvez gemido...

A luz artificial invade o quarto inundando-o. 
Violão no colo, garrafa de vinho em solo. 
Calibre 38 ao alcance da mão. 
O semblante decidido...

Fraude?
Für Elise
.



#PHPoemaday

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Era Um Garoto (VI) - Lealdade versus Fidelidade

Provoque o Leal





Lealdade é a capacidade de cuidar mesmo não estando presente.


Me veio esse pequeno desafio nos diálogos da vida (com um amigo que já deu um tapa na minha [cara no sentido figurado]). Talvez duas palavras tenham surgido como sinônimas no nosso vocabulário: Lealdade e Fidelidade. Mas, parou realmente para pensar se elas retratam a mesma importância? O que faz uma pessoa ser leal? O que a faz fiel?