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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Era Um Garoto (X) - "North Remembers"

Agora Posso Voltar
Quem um dia irá dizer que não existe razão
nas coisas feitas pelo coração?

(RUSSO, Renato. Eduardo e Mônica. 1986)




North ever forgives & never forgets

Escrever é pra todos. Fazer sentir com o que está escrito é um dom pra poucos. Dentro dessa perspectiva, eu falhei miseravelmente em concluir o desafio a que me propus no mês de Junho — o PH Poemaday —. Na real? Tava frustrado com a minha falta de inspiração e meio triste comigo mesmo.


"Eu não fiz questão de estar aqui, nem mesmo de participar..."


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


Alguns infinitos são maiores que outros
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (22) - A Miscigenação

Blues


Ele já havia percebido o comportamento, porém esperava uma posição. Sentado em sua poltrona ao som de uma rádio internacional, experimentava seu chá enquanto lia através de suas lentes a edição de domingo do The Guardian.

Nunca o fizera, mas nesta manhã em especial correu para as noticias policiais e depois as de esporte. Odiava pular as editorias, adorava obedecer a ordem, exata. Os cabelos loiros, recém-aparados, penteados para o lado, formando uma franja em onda, os fios milimetricamente organizados e apesar de horas após o banho ainda permaneciam úmidos.

Estava em frente a lareira em forma de moldura — uma sequência de fotografias mostravam uma linda família —. Pintara a sala inteira de branco e ainda respingava o aroma químico da tinta para madeira. Três sabres estavam dispostos equidistantes na parede às suas costas. Quadros de pintores impressionistas — não ingleses — iluminavam-se com o favor da porta e janelas abertas.

Ouviu barulho na cozinha e aguardou. Alguns minutos depois, ele vem.

Vestido como o vocalista do Sexy Pistols, cabelos arrepiados e tingidos de negro, couro em seu couro, correntes como armadura, espinhos de metal, brincos e piercings. Um lindo rosto trazendo um olhar ferino e um olho roxo contrasta com o verde-acinzentado natural. E, lógico, o essencial: um sorriso machucado de deboche escarnecedor juvenil. Acreditava ser a representação da anarquia, mas alegrava ao pai, sem saber, a beleza que a pintura de sua imagem produzia. Uma bagunça ordenada.

Puxa um banco, senta-se em frente ao homem que placidamente fita o jornal.

— Coroa, sabe o que é miscigenação?

— É uma palavra difícil inventada pra dar significado a algo sem relevância alguma.

— O senhor deveria saber que o dicionário diz que é cruzamento inter-racial que cria indivíduos com características diferentes e que... — O pai olha por cima dos óculos e aqueles longos olhos azuis rapidamente afogam toda a sala.

O filho, em estado de hipnose, vê seu próprio vulto refletido nos olhos do pai.
Perde a respiração por alguns segundos.

— Entendi.

O mais novo sai.
O mais velho vira a página.

É possível ver a notícia sobre uma briga de torcidas organizadas. A página 5 do caderno policial traz a manchete RACIST STREETWA... até onde o amassado permite.

O volume aumenta com o silêncio.
O som passeia pelo recinto.

"... I found a dream that I could speak to/
A dream that I can call my own..."

Desce lambendo o carpete cor de manga-larga.

"... I found a thrill to press my cheek to/
A thrill I've never known, oh yeah..."

Rodopia e escala a lareira pela lateral direita.

"... You smiled, you smiled oh and then the spell was cast..."

Acelera desfocando todas as fotografias e estaciona em uma linda mulher de longos e cacheados cabelos e o maior sorriso que uma vida pôde ter.

"... And here we are in Heaven/
For you are mine at last..."



#PHpoemaday

sábado, 12 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (12) - A Favela


Garoto do Morro


(Por: Jefferson Gonçalves)






(Am C)
Fa... Favela
Fa... Favela

(Dm F)
Corria sob o sol [singela]
Sorria com os amigos [magrela]
Sorvia toda a culpa [leal era]

(F G)
Criancinha, peixe-anzol
Soberano e doce o sol
Sobe morro, corre e cai
Chorandinho, à casa vai
Pai que bate em mãe não dói...

Quem dera...

(Am C)
Fa... Favela
Fa... Favela

(F G)
Criancinha, azeite e sal
Soberano? Aguenta pau
Sobe morro, enfrenta o sai
Menininho, empurra e cai
Pai que bate em mãe só dói



#PHpoemaday

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 5) - O Lá Menor

O Lá Menor


EU SEI, só não queria ser óbvio, mas não resisto ao acorde.
Acho tão sugestivo o nome que solicita o despertar.
Prazer que dá ao fazer o caos nas cordas reverberar.
Acordam sentidos, alma e o som causa arrepio.

AINDA É CEDO e tento até ser sóbrio, mas pensar em lá menor dissolve.
Mesmo sendo seletivo ao dedilhar ou arpejar.
Derreter o relógio e se perder nas horas quando o violão ressoar.
Desnudam vozes, tons e o frisson continua vadio.

AONDE QUER QUE EU VÁ, relembro o tom de sorte.
Que ate versos ganha em homenagem.
Insisto no toque, tentando não destoar.
Provoco a ordem, encho o espírito com as canções que toco em dias de frio.



#PHpoemaday

sábado, 15 de novembro de 2014

Vinte e Poucos Anos (XXXI) - Todo o Silêncio Precisa Ser Preenchido

(...), (...)

"... O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com Você..."


♪ "... Eu sei que você sabe e é quase sem querer/ 
Eu quero o mesmo que você..." ♫

"... Quem sabe o que é ter sem querer pra si/ 
não quer ver outro em mim/ 
não fala do que eu deveria ser/ 
pra ser alguém mais feliz..."



"...Tou aproveitando cada segundo 
antes que isso aqui vire uma tragédia..."

"... Às vezes se eu me distraio, se não me vigio um instante/ 
me transporto pra perto de você..."

♪"... Enquanto a chuva molha meu corpo/ 
ela esconde a minha lágrima que insiste em tocar o chão..."♫

"... Ah! Meu Deus me traz de volta essa menina/ 
porque tudo que eu tenho é o seu amor..."

"... I want you to notice when I'm not around/ 
You're so fucking especial, I wish I was especial..."

♪"... Seu olhos e seus olhares/ milhares de tentações ..."♫

"... I know someday you'll have a beautyful life/ 
I know you'll be a star in somebody else's sky/ 
Why? Why? Why? Can't it be... Why can't it be mine?..."


"... Quando não estás aqui, sinto falta de mim mesmo/ 
e sinto falta do teu corpo junto ao meu..."

"... Eu não sei porque me sinto assim/ 
vem de repente um anjo triste perto de mim/
E essa febre que não passa e o meu sorriso sem graça/ 
não me dê atenção... Mas obrigado por pensar em mim..."


♪"... Olhos fechados pra te encontrar/ 
não estou ao seu lado, mas posso sonhar/ 
Aonde quer que eu vá levo você no olhar..."♫

(...)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vinte e Poucos Anos (XVII) - [Birthday's Post {About 05/06}²]

O Lado B DO DIA CINCO DE JUNHO...


 “I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star
In somebody else's sky, but why, why, why
Can't it be, can't it be mine…” 




P
or que teve crepúsculo no meu dia? Por que não continuou na manhã e sol da tarde que me satisfazia?



Meu dia... Aquele que não foi inventado para saciar o consumo compulsivo incitado pelo comércio. O que nasceu para homenagear o belo dia 05 do apogeu do inverno do ano de 1985 – dia no qual eu aportei no mundo. O que era realmente meu. O dia em que lembrava o meu primeiro sopro de vida – em que encarava o médico que me deu duas ou três palmadas para que entrasse ar em meus pulmões com o choro e apenas o encarei com cara de mau. O dia em que me tornei mais um Adão – procurando minha Eva e enfrentando todas as serpentes do caminho. O dia em que o mês de Junho se tornaria especial para sempre.