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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Era Um Garoto (XIII) - Afastamento

"Era uma despedida de ti, intencionalmente prolongada, com a peculiaridade 
que ela, apesar de imposta por ti, corria na direção que eu determinava"
(KAFKA, Franz. Carta ao Pai)


Afasto



"É uma característica do signo", me disseram. Ué! Tem uma galera que acredita na máxima que inventei agora "geminianos são brisa e tornado quando dá na telha". Prefiro, particularmente, a ideia da autonomia e maturidade emocional. Que, convenhamos, tá longe de ser plena a senhora maturidade. Mas, inevitavelmente uma hora rola um certo afastamento.

De repente a pessoa some. Não liga, não manda mensagens, não whatsappeia... Quando adolescente essa característica era descrita com um adjetivo: antissocial. Mas, contraditoriamente, a sociabilidade tão natural contrasta com essa, digamos, peculiaridade.

Ter a duplabilidade (neologismo?) de saber aproveitar a solidão e aproveitar momentos na companhia de alguém, viver surfando nessa quase-dicotomia, não é tão difícil quanto parece. Ao menos pra mim. Difícil é explicar o porquê. Mas, não custa tentar. Afinal, talvez responda os afastamentos alheios, também. Geralmente ocorrem por dois motivos: de forma indireta e/ou direta.


Afastamento

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Era Um Garoto (VIII) - Pelos Ares


Empatia, Simpatia e Amorês


"Empatia importa. Dois ouvidos e uma boca."

O vôo 1452 da GOL saindo do Rio de Janeiro para o Recife com a partida marcada às 15:50 recebeu seu último e arfante passageiro de forma cortês e simpática. "Não quer ir embora do Rio, não é garoto?" brincou a sorridente comissária de bordo. Os olhos dela brilhavam. A cada passo até seu assento, o 28F (lá depois da asa direita e próximo ao fundo da aeronave — leu em algum lugar que era mais seguro em caso de acidente), era cumprimentado pelos seus companheiros de viagem e, vejam só!, pelo primeiro nome. Riu-se primeiro envergonhadamente e logo depois achou graça de verdade. "Devem ter falado meu nome mil vezes." pensou, divertindo-se.

Sentar à janela revelava sua leve claustrofobia. Seu negócio, se pudesse, era voar de verdade e não estar aprisionado à mercê de um quarto, em forma de tubo gigante. Mas ainda assim, amava aquilo.

As turbinas ressoaram e, após todos os check-lists, lá estava ele vendo a asa direita formar o côncavo, e o aeroplano rugir pela pista de decolagem até ganhar os ares, enchendo de vida as veias daquele apaixonado. 

No entanto, o coração domou-lhe. Ver o solo se afastando, sentir o frio no estômago e ter sido empático a tão pouco inundou seus olhos de saudades. Empatia não é algo para todos, coisa perigosa... Que só deve ser praticada pelos mais corajosos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Pausas (I) - Agostando


Pausas

É contínuo? Não. É intermitente

Traço a meta e simplesmente sigo em fren... Mentira. Quer um trecho de música que combina muito comigo (e talvez com você que lê, também)? ♪“É sempre assim. Me distraio, me distraio. Me distraio facilmente: ‘Olha lá o avião’”♫.

Estando eu focado, também vivo o mundo ao redor (meu querer tem sede de tudo e deseja absorver o máximo possível do que parece ser bom). Mas não foi sempre assim. Como também, talvez não fosse assim com você – que com os olhos, desliza e salta de palavra em palavra (e até há uma leve chance de que ouça minha voz nelas) –.

Hoje, há mais calor, aroma e sabor nas cores. A vida, que eu acreditava ser entupida de monotonia, era enquadrada pela armação dos óculos de senhores sabe-tudo. Preto e branco. À minha miopia metafórica (porque a física só me dá um pouco mais de constrangimento, contratempo e – às vezes – charme), o mundo não existiria sem mim. Filosoficamente, talvez estivesse correto, mas a questão é que não sabia nada – e muito pouco sobre eu mesmo.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Era Um Garoto (II) - 05 Anos Depois

05:50 


Foi a hora em que realmente despertei hoje (um palíndromo perfeito).

Pensei “Oi, Deus! Obrigado por mais um dia!”.

Ao sentar na cama e olhar o celular (05:55) eu tive que olhar para cima novamente; lembrei: “Hey, Cara! Nem lembrava: Obrigado por mais um ano!”.