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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Presente em sete dias (Go with the flow)

“Sabe oq fico pensando
Q deve ser mt mais do que vc descreve
Não poucas vezes que eu me pego pensando nisso
Será se um dia a gnt consegue?”

Aproximo

Venho tentado aprimorar a conversa entre você, que me lê, e eu, lírico ou nem tanto. E devo aconselhar que não é uma boa me ouvir (seja lá como minha voz soe na sua mente) enquanto ouve álbuns como “AM”, “Babylon By Gus - Vol. I: O Ano do Macaco” ou “After Hours”.

Nossa experiência, juntos por aqui, tem se tornado quase um guia turístico e uma coluna musical. Na última vez que nos vimos, bem, me debruçava sobre meus pedaços reenergizados, após Pernambuco me temperar ao sabor dos ventos e de som. Isso me lembra outro momento sobre ser "brisa e tornado quando dá na telha" ...

Se você é um rosto conhecido, provavelmente sentiu o pareamento com a minha mente. Afinal de contas, minhas introduções trazem um pouco de como a narrativa surge no meu cérebro. Se teve a oportunidade de ouvir áudios meus, sabe bem do que estou falando.

Ainda continuo o mesmo escritor medíocre – abaixo da média tantas vezes que o impostor diz ter síndrome de mim – e também mantenho firme a ideia que fazer minhas palavras chegar até você é mais emoção que gramática. “Mais entrega, mais viver e sentir, mais derramar-se do que qualquer outra coisa”.

Então, se prepare! Esse é mais um texto a la Jackson Pollok.


fluxo Jackson Pollok
Um tantinho de digressão para estimular a criatividade

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Física não importa porque é Química demais!

"Quando te tinha diante do meu olhar submerso
Não eras minha amante… Eras o Universo…
Agora que te não tenho, és só do teu tamanho"
(PESSOA, Fernando.)



Pelo que não faz sentido




Se apaixonar é querer que meu objeto de desejo me tome, me sorva, me preencha, não deixe nenhum centímetro da minha existência fora de seus limites, que me mastigue, me arranque de mim.

É a minha vontade profunda de mergulhar completamente naquele corpo, de ter todos os meus poros avassalados por frios e calores, dormir em sublimação eterna, gozar até queimar cada pedacinho do meu ser.

Ceder a pele às unhas que só gostariam de rasgar os músculos, suar até derreter, liquefazer

Não há nada racional em se apaixonar.

Se apaixonar é poesia.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (07) - A Maquiagem

Caricatura



Tanto esforço para encontrar algo que sustentasse uma nobre caricatura
de si

Vi eram
o tempo, as dores, o vento, amores, lamentos, sabores, 
exemplos e flores, tormentos e cores, momentos autores
Vieram

Quanto esboço no maquiar da realidade, veio a vida e a fez apenas criatura
per se


#PHpomeaDayJune

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (06) - A Mentira

Que Mera


Morrer
Quero morrer
Não quero morrer
Que não quero morrer
Pensei que não quero morrer
Quando pensei que não quero morrer


Menti

Quando pensei que não quero viver
Pensei que não quero viver
Que não quero viver
Não quero viver
Quero viver
Viver


#PHPoemaDayJune

sábado, 4 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (04) - A Cicatriz

Alto Relevo


Quero você em mim profunda
mente

Para quando tempo
dores e des
sabores

Te arracarem de mim
A cicatriz em re
levo

Me guarde de esquecer
Cada mal benevo
lente

Que te amar fez
pela minha vi
vência


#PHPoemadayJune

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (03) - O Cadáver

"De olhos bem fechados"



Abre os olhos 
em desprazer

O nada consome 
Não há ódio
Não há amor
Não há alegria
Não há dor
Recolhe os espólios de respirar
de viver

É casca ambulante
Nada ao ódio e nada
Nada ao amor e nada
À alegria nada e nada
À dor nada e nada

A corda do viver o estrangula
À caça da noturna pela inspirada dormência

O cadáver ébrio de vida
Anseia a morte do sono
Nos sonhos que embriagam a essência

Por isso aos beijos
Por isso aos cheiros
Por isso aos abraços
Por isso aos goles
Por isso aos gozos

Fecha os olhos 
com prazer

#PHPoemadayJune

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (01) - O Crush

O Crush (Fixo?)


No final
quisera o crush e...

Ficou na pele as
estacas daquele rush...


Citado na cerne
Do sarau

#PHPOEMADAYJUNE

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (28) - A Conquista

Presa Primal


Sou um animal
Não tenho dono
Não me domo
Não há domo
Que me
enjaule

Encoleires-me
Encolerizes-me

Tenho passos no tempo
Tenho olhos no espaço
E quando me vês
Já saboreio tua tez
Fincando a presa
primal

Desafies-me
Desafines-me

E se disfarça a presa
De caça a predador
E provoca o cortejo
Aproxima o desejo
É a fera solta que
conquistas

Libertes-me
Libertines-me



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Conquista em Fá Bordão



Eu, caminho de mim
Tu, destino sem fim
Ele, Pierrot em cetim
Nós, Colombina e Arlequim
Vós, amor vestindo carmim
Eles, fá bordão em bandolim

#PHpoemaday

sábado, 26 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (26) - A Lama

Se Joga!


É
pau
pedra
É
o fim
É
o fim
Me suga, areia movediça
Irrompe e não iça
Brasil em
Suiça
e
Me afoga
me afoga
É
vergonha
É
cegonha
Em fuga da liça
País da malícia
Se resolve em
pizza
É
De cá pra lá
De lá pra cá
se joga!
É
Na lama que eu gosto
Me engana
E no domingo a
missa
É
pedra
na janela
É
pau
na cara
É
gozo
na mala
É
dólar
na meia
É
o fim
do Doce
É
o fim
do salgado
É
o amargo
o amargo
e
se joga!



#PHpoemaday

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (25) - Os Sinos

Absolvição


Brisas cálidas trazem dos ombros as finas alças, magnetizando o relevo macio por onde escorregam e descarregam ondas elétricas de cima a baixo. A dança segue até onde a sinuosidade insinuante do corpo limita os movimentos do tecido. Os olhos sugam o desejo um do outro e sem demora, se devoram. As bocas roçam e resvalam, as línguas fluem e confluem, molham-se no interior um do outro e voltam para umedecer o desenho dos lábios e mordem com vontade cada parte tenra. As roupas se tornam caricaturas sem propósito agregadas à estrutura. As mãos dele passeiam pelas costas imprimindo a pressão necessária e tomando-a para si sem sufocá-la. E os braços seguem sentidos diferentes, direito ao norte, esquerdo ao sul, simultaneamente, arrancando grunhidos e provocando abocanhadas durante aquele beijo afogado. Conquista pescoço e nuca, os cabelos dela preenchem os vãos entre os dedos. Toma cintura e nádega, o corpo dela tão próximo que o coração de ambos é um carnaval. Pressão em norte e sul. Gemido descontrolado. As mãos dela procuram descontroladamente onde se aprisionar. Puxa-o com o corpo para trás, trazendo-o consigo, joga a pelve para frente sentindo-o. Crava as garras nas costas e a cada movimento um choque de suor por todos os poros. Abandonados ao banco do carona do Impala 1967 geram energia. Um terremoto compassado se inicia. Membros superiores se confundem numa caótica necessidade de arrancar a fantasia para o mundo. Não mais camisa de flanela e jeans; não mais vestido branco e lingerie. Um nevoeiro de desejo esconde o cenário despudorado dentro do veículo, não fosse o ritmo cadenciado nada se desconfiaria. Frequência aumenta e eleva o volume, retumbes ininterruptos, fortes e desenfreados, seios engolidos, teto rasgado, abdome suado, colo em impacto, membros que se arrastam, dor, prazer, perdidos em si e nos segundos de renúncia a tudo, largando a vida e a morte num vórtex de volúpia e deleite profundo.

O abalo sísmico cessa.
As badaladas se iniciam. Prometem as quatro de sempre.

― Ainda não te entendo, Elisa. ― A imensa estrutura gótica lá fora retumbava quase silenciando-o.

― Não há o que entender, Marco. ― respondia, enquanto vestia-se.

― O casamento é amanhã. Todos precisam saber. Eu mereço sair dessa prisão. Eu já amo você!

― Para! Isso de novo? Combinamos a meses, Marco. Vou casar amanhã, às 20h. Era uma questão de incapacidade dele, eu resolvi e o senhor aceitou.

― Mas por que quis continuar? Fazemos isso toda a semana! Há meses. Não havia necessidade.

Ela olha para o pátio da igreja e, com o ar triunfante, diz:

― Amanhã, sairei daqui deixando o inferno para trás. Cada Ave-Maria e Pai-Nosso rezei em você, Padre. Me case com o Paulo, como combinado.

Ela faz o clérigo descer do carro, perplexo.
O motor ronca, a esperança se vai.
O homem fica, a fé esvai.

J. Gonçalves (25/12/2015)

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Sino da Salvação


Ela corre
Tá quase na hora
O coração pela boca
do estômago

Essas horas em que a morte nos sonda com sua foice
Fazem parte do tempo em que nos enxergamos crias
Cobertas de temores

Os suores percorrem
O delinear dos omoplatas
Escorregam entre os seios
e inundam o umbigo

As fiordes ameaçam adentrar
Seus anseios pela boca
Bolsa lacrimal
e anseios

Essas horas em que a sorte nos estala no coro o açoite
Fazem parte da chance que levam suplicas às nossas vias
Repletas de fervores

Chega a tempo e solta todo o fôlego
olha o relógio
e os sinos
gritam
Corre pelo escuro beco, alterna a
velocidade entre um badalo
e outro
Foice na nuca, alma nos pés
décimo primeiro grito
chaves nas mãos
Alcança a luz do fim do túnel
corpo em conflito
avista a porta
Corre pela vida e
o espírito
aflito
Abre e trancafia a madeira
respira fundo e num
riso de alívio:
Terça-feira já foi
Deus me ajude a
não encontrar o
meu destino na
viela morta

[...]

Porque no final das
contas a culpa é
sempre nossa

#PHpoemaday

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (23) - A Pansexualidade

PanAche


Dreadlocks e alargador
na pele
alvo

Tartarugas maoris
nadam na orelha
alagam

Alargadores abrem
espaço para
o grito

Não ter que ser quem é
Escolher ser quem quer

Contas contam mais
que um
terço

O Pai é o nosso refúgio
na cruz; às vezes
precipício

Que desce pelo pomo
provindo do barro
no início

Vão se os dedos
se não vierem
anéis

Converse é All Star
e Casulo é C&A

Prefere Beatles à feijoada
Baden Baden à Toquinho
Street Dance à Itaipava
Sushi à Samba

De si dono
Miscelânea
Se der, dono
Humana
do seu desejo de
Joaquim e Joana
Gozar ser quem
bem escolher



#PHpoemaday

domingo, 20 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (20) - O Incenso

Vampiros

 

Uma fagulha de paixão
E os sem senso sorvem a vida
novamente
derrete a alma
preenche a cama
Inesperadamente
Depois, sedentos
sugam cada momento
ao máximo
tormento

E no desespero da razão
Sorvem o incenso em vontade incontida
horrivelmente
procura a fonte
cruza a ponte
Sofrivelmente
Antes, esvaídos
Retornam a ser desvalidos
num clássico
memento

#PHpoemaday

sábado, 19 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (19) - O Sueco

Incompreensível

 

Penso vez em sempre
Tô falando grego?
Como em grego
A prosódia é
Parecida
Não tenho dúvida:
A ideia seria atingida

Devem existir dias que acordo sueco
e por mais que eu clame
conclame e reclame
Minha essência se perde em eco
do que seria eu. Quem eu?

Como um completo estrangeiro
Sem saber idioma, cultura
ou ter dinheiro
E nos vários
és o que eu julgar
Me sinto menos
brasileiro

Mais alienígena
Clandestino
Forasteiro
As caras de ué!
cortam meu
caro barato

Simples, fácil, parco, natural.

É só esforço de querer saber, mas quem do fundo pega 

o fruto se na borda tem um parecido, afinal?

E desde quando parecido é igual?

Aí, bem...
Aí escrevo
Despejo em linhas e entrelinhas
todo o dessossego
Divido em poesia
Os meus devaneios
Na porra da escrita

Nossa! Menino mal!
Olha...
Entendeu...
Xingamento é mesmo universal.


Quanto maior o embaralho
E mais me tornar indecifrável
Quando faço ecos e ondas
E menos moro em meu corpo
Mais compreensível me torno
Olha que louco!

Tô nem aí que na intenção tenha mel
Quero mais é que se... (completou, né?)
E que abram as comportas da Torre de Babel



#PHpoemaday

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (18) - A Tocha

Eu que não fumo


Pensei em ascender
Lembrei de coisas que não deveria lembrar
Tão honesto e tão bonito
como as palavras caem bem
Também derrubam

Eis que ser hiato arrasa a alma
Certos olhares devemos esquecer
Elevar o levar acima de mim
Pelo prazer de admirar
Lambido ser pelas madeixas do destino
O arcos e íris vindos de cima

Pensei em acender
Lembrei de cigarro e de Engenheiros
Do prazer que sobe pela coluna cervical 

Após abandonar os pulmões
E inundar o cérebro de tranquilidade

Do deliciar que bate
no martelo e bigorna
e sobe pelo acústico
Tão bom sincero e tão perfeito que dói

Tê-lo lúcido ou sóbrio tanto faz
Atos que já me fizeram ouvir que destrói
Hoje me corroem
A tocha esta acesa
Mas não aquece
Meu coração

[por quantas vidas durarei então?]



#PHpoemaday

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (17) - A Presa

Mais Que Uma Palavra

Presa
P r e s a
Preas
Pares

Se par
ar
pes

P e s a r
Raspe

R a p e s
P e a r s
S p e a r

Serpa
P ers a

Com alma envolvida, nem
mesmo a palavra
permanece
confinada

---------------------------------------

Lugar Comum


Mentiu aos meu olhos de Machado
Prometeu nunca apagar as chamas
Os castanhos mais que o sol valorizados
Serei teu só de ouvir que inda me amas

Perdoavas sem pensar na tua sina
Pintou lindo céu dos meus cabelos
Ser menina em mulher me desafina
Me apanho sendo o mar sem teu veleiro

Quando pensei que amor não mais havia
Tu me domavas; teu calor me renovava
Me julguei ser tua caça todavia

Aquela fome sem cessar de ser o um
Presa fujo a procurar nova cadeia
E teu nome a me tornar lugar comum


#PHpoemaday

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (15) - O Precipício

Abra seus olhos


Ele te olha

Negação é sugestão
da morte
que bem quer
onde está
Congelado

Ele te olha

Tempestade é escárnio
da vida
que torna
cada passo
Precipício

       Pisa e cai
  Um livre
ventre

Ca
     l
   a
 f r _ .
  [...] o

Ele te olha

      Corpo e alma
   Cerrar as portas
evita o

          D
     e
~
  a
 f  _ .
[...] o

Ele te olha

Não importa fingir cegueira
ou fingir que o chão suporta
abre os olhos e salta
só dessa
forma

Ele te olha de volta

#PHPoemaday

domingo, 13 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (13) - As Unhas

Reversão dos Penetras


Não há lugar como nosso bar
cada mesa molhada
pelo suor de cerveja
conta uma historia
triste, emocionante
bela, impressionante
deplorável
que seja

Não que haja melhor lugar
Para ir depois de casar
Não há

carros enfileirar e proliferar
padrinhos e madrinhas
inundar de gala o pobre bar
que só queria saber
de porres e sonetos
quebrados

Mas se é a festa
Da reversão dos penetras
O local é lá

juntos no boteco
arruma mesa
cadeira, vestido
caneco
chora o menino (é sono)
cacofonia, mas daí é bar
especiaria

Não que exista no mundo
Destino melhor para a Lua de Mel
Não há

noiva chega, arrasta vestido
arrasta carro, arrasta marido
quer a roupa trocar
promete voltar já
e o bar? grita:
tá de castigo!

Sem sombras e duvidas
E o poeta pode afirmar
Melhor lugar pra chorar
Nao há

soluça noivo arrependido
consola-o
mãe, tio, pai, amigo
engole as unhas
incha os olhos
descabela; palhaço
da festa
suspira perdido

volta esposa
puxa corrente
e sai o cão sem dentes
ganindo fininho

de repente reverbera
uma ditosa senhora
 " da próxima vez, goza fora"

se bar também é alegria
o gozo é geral
e geral não alivia

 "e ai, cara curtindo o buffet?"
 "ainda bem! só parei pra ver a tv!"

Não há lugar como nosso bar


#PHPoemaday

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (09) - A Desinência Verbal

A Desinência Verbal


Em quantos
morfemas metamorfoseados meu amor pode ser expresso sem que perca sentido?
Por quantos
fonemas brigados devemos discutir a certeza da verdade na palavra daquilo que foi dito?

sentidos modelados pelo tempo e dá novo significado ao sentir.
ditos influenciados pelo modo expressam minha diferença per se.

Falar amor
falávamos. Pois da boca pra fora todo o amor é fácil, belo e compreendido.

Fadar amor
fadávamos. É preciso ser hoje e agora, predicar o amor em expectativa o torna ferido.

Falhar amor.
falhamos.




#PHpoemaday