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sábado, 30 de julho de 2016

Viajante Caído - (55th's Sessions)

Caindo

Acima da média. Entre parapeitos, marquises. É mochila, é jeans – às vezes saia – flanela é o estilo acima da cintura. Sinais e sinais. Da vida e de escolha. Todos signos. Olhos grandes, fingem-se pequenos. Boca pequena, apetite voraz – todos –.

Big eyes, little mouth

Às  vezes, é o verde república. A grama orvalhada, a fuligem e os deuses gregos como testemunhas. O Partenon e ao fundo a Yggdrasil. Reza a lenda que sete voltas ao redor da árvore e todos os seus desejos se realizam.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (02) - A Lâmina

A Primeira Vez


Penetrou-lhe a garganta. Por dentro. Mão na base; cabo. Pôs adentro aos poucos, lágrimas brotaram a cada centímetro engolido.

A respiração quase um fardo. A língua teimosa resvalava na dureza sinuosa. E o resto do corpo respondia. As narinas ardiam temerosas e a úvula à míngua. Queixo levantado e suplica desejosa, sustentando o beijo mordaz de uma boca audaciosa.

Olhos não mais no objeto; no teto, lacrimejavam a luxúria implacável do público que assistia e - boquiaberto - inconfessavelmente, pedia: "que jorre o liquido sagrado e nos satisfaça plenamente".

Totalmente tragada pela bainha, finalmente. De fora apenas o talo e as mãos em regalo, braços abertos, formavam a cruz. Da platéia os aplausos e euforia expelida. Puxa de si a lâmina que ameaçou sua vida. Se curva o faquir regozijado e no sorriso o alívio; à sua arte fez jus.



#PHPoemadayJune

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crônicas de Jack (I) - Jack Origins

"Somos as palavras que trocamos, os  enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer."
(FREUD, Sigismund Schlomo)


Jack 

will be his name


É uma narrativa com atraso, delay de quase 4 anos. Essa é aproximadamente a idade do Jack. Não tenho certeza da data de seu nascimento, porque ele já me veio espertinho, com os olhos abertos e desmamado. Mas, antes do famigerado meow ele ainda fazia miw.

A incorporação da preguiça e da folga

sábado, 5 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (05) - O Pianista


Für Elise


Pupilas sugam negrume, anseiam luz, quarto escuro... 

Desejam cores, pulso lá fora (em outro quarto).
Íris estremecem. 
Uma onda de volúpia melancólica e o esôfago sente.

Aspir... [îîîîîîîsss] 
Expir... [fsssssîîîî]

[pän... ♪] 

Som desfila, segue e definha num mi agoniante, retumbante entre as quatro paredes...

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Lábio encerrado entre os dentes, escarlate e salgado. 
Sustenidos rés respondem aos mis tentando gritar à Für Elise (tão pobre)...

[tän, nan, dan, dån... ♪] 
Um apelo de si, resquício de dor por ela... 
Agora o quarto eram sons, ondas, cadência, ritmo.

Mão esquerda aracnídea.
Movimentos alongados e precisos, encanto.
Mão direita ferina.
Movimentos rápidos e impulsivos, expulsando.

"Fraude...", vinha e retumbava em toda sua existência.

Mais sol, mais dó... Mais acordes em lá menor. 
Dentes trincados, olhos no enquadro da janela. 
Uma iluminação destoante invade o recinto, pupila recolhe feliz, rosto e suor. 
Quantas horas? Já nem sabe mais.

[nån... nän... nån... nän... nån... nän... ♫] 
Mais uma vez... E os dedos sagram clamando por Elise, nada pobre. 
Não se ouve o som, mas a luz tímida e fugaz revela o belo tom de vermelho escorrendo do instrumento e tocando os insensíveis. 
Sem dó, sem sol. Sal, talvez.

"Fraude." Como? Canção é coração e não só partitura!

Vislumbrava outro enquadro. Um piano de calda 
[nån, nän, nån... ♪] 
e Elise, provavelmente gritava.
Pela segunda janela, o pianista, invadia mais um espaço seu, com a clave de sol - que ele jamais soube o que era - orquestrando-a.
As teclas tocadas, com certeza desconexas 
[nån, nän, nån... ♫] 
pelo convite do senhor clássico ao improvável assento.

"Fraude!" Aquele ritmo... Cadenciado, frequente. Ah, Elise!

[*Tiempf*] 
Seu rosto é chicoteado. 
Uma corda o acerta, o aço corta timidamente sua face. 
O som cessa.

Fita mais uma vez a foto do casamento lançada ao chão... 
A música cantada, sem técnica; apenas coração. 
No apartamento em frente um murmúrio, talvez gemido...

A luz artificial invade o quarto inundando-o. 
Violão no colo, garrafa de vinho em solo. 
Calibre 38 ao alcance da mão. 
O semblante decidido...

Fraude?
Für Elise
.



#PHPoemaday

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pausas (III) - Quer se redimir? Eu deixo!



Quer o livro...


Sabe aqueles exemplares das Antologias? Podem ser seus!

E não foi lá me ver, né?
Assiste o vídeo aí:




Era Um Garoto (VII) - Realizando


Realizar Sonhos



Lançando o Estilo: Conto Ostentação
Sabem? Costumo dizer que a felicidade é um constante vir a ser. Não tem essa de felizes para sempre. Acho que alguns contos de fadas estragaram nossa visão de como aproveitar bem a vida. 

Na música, A Natureza das Coisas, de Flávio José, um trecho me chama a atenção: Observe quem vai subindo a ladeira. Seja princesa ou seja lavadeira. Pra ir mais alto vai ter que suar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Pausas (II) - Reviravoltas (e ainda é Agosto)

PAUSAS

Um Break para mudar de tema (novamente!)
Adivinham? Meu orientador do TCC não curtiu meu tema. É. Disse que estava muito abrangente e que eu não conseguiria tecer em 6 semanas um livro com uma abertura tão grande.
C$%#@!
Então pela terceira vez, mudo! E a vida é assim. Só que dessa vez me levantei muito mais rápido pra falar de algo muito atual. Whatsapp! [hehe]

E com certeza que agora vai dar certo, já mando o prólogo (aqui um pouquinho modificado) pensando que "agora vaaaai!"

terça-feira, 30 de junho de 2015

Crônicas do Frio (30) - A Exaustão

A Exaustão (O Castelo de Cartas) 2/2

Olhos fechados. O mundo pára. Irrompe toda a torrente de desejos e faz pontos do corpo contraírem involuntariamente... Como que sendo acariciados por eletrochoque. O som do notebook caindo no chão os desperta. Marjorie sentada no colo de Henry quase sem regata e camisa. Ele com os botões da camisa estourados e o peito arranhado. Ambos arfam suplicando ao ar mais vida e embebidos em desejo.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crônicas do Frio (29) - A Combustão


A Combustão (Castelo de Cartas) 1/2

– Ah! Foda-se!

E saiu cicloneando pela casa! Derrubando tudo que via pelo caminho até a porta, rumo à liberdade. Odiava com todas as forças não ter o respeito de um adulto e ao mesmo tempo em que perdia (gradativamente) os privilégios em ser criança. É a maldição da idade. Esvaziou a casa da sua presença e caminhou em passos firmes, apontando o nariz para o horizonte. Não fazia mais sentido o quê de toda a discussão, mas tinha uma convicção: eles não tinham culpa. Estava em combustão. Bem o sabia e deixava o instinto guiar seu corpo até a fonte.

* * *

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crônicas do Frio (25) - A Realeza

A Realeza (Descartável) #1

Majestaaade... Perdão? Ah! Não sabia que minha reverência não tinha importância. Deveras, estou eu sempre a postos como um cão e dependente como uma criança. Mas, quem dera, sou apenas serviçal e faz parte do meu ofício banal trata-lo como um ser sem igual. Hmmm... Vejo que não mais te interessas por aquilo que prometestes mundos para possuirdes. “Tudo passa” é o que dizes? Então é lei o que dizes... Oh! Nosso rei!

A plebe pede mais deixar-se afetar e menos... Afetação? Ah! Não penses tal desdouro de teu servo. Só porque não sou tão belo e sábio como vós, não significa escárnio o bem querer sincero. No entanto, é claro e com espanto que o povo nota a diferença. Nas canções de outrora tão vívido e hoje, dizem, fria sua presença. Entendo... E estou sempre contigo bem o sabes, porém o que sucedeu a angústia e entrega que apregoavas? Soube que as proíbes... "Não temos tempo" é o que dizes? Então é a lei o que dizes... Oh! Nosso rei!

Não é cinismo, senhor dos senhores... O que é então? Ah! Devo sussurrar ao teu ouvido para que ninguém ouça e pense que sou um atrevido. Ontem enaltecido e revigorado eras... Hoje, míope velhaco agindo como as feras. Desculpe, não sou eu quem o diz... As paredes falam e ecoam no beco aprendiz. Aliás, a singela comparação bestial, não é por mal... É pela desinteligência emocional. Perdoe o arraial, Olimpo de todos os reinos, mesmo em descrédito, saiba é em ti que eu creio... “Desapegar é o que há” dissestes isto? Então é a lei o que tens dito... Oh! Nosso rei!

Deixe esse pobre bufão ignorante entender-te, Oh! Senhor de todos os homens. Por que devoras hoje algo que não tem nome? Por que não mais salvas a mais bela donzela? Por que não mais, atravessado pela seta, expressas homenagem singela? Por que hoje somes no teu trono ao invés de ganhar mais um coração? Por que não mais escrever canções e exaltas a ti como única salvação? Por que te entregas à ira, luxúria, preguiça e a avareza? Por que não és mais soberano, mesmo no alto dessa realeza? Ouço as invocações e evocações que lá de baixo vem a ti. Vejo as insanidades ainda cometidas de quem quer sua benção para si... Faça entender a esse jovem menestrel. Em que momento abandonastes o penhor em ser amável...? “Quando o homem me tornou descartável” dissestes o impensável? Então é a lei, mesmo sendo abominável... Oh! (...)

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A Realeza (e a Plebe) #2

Bebo você. Te tomo inteira. Te absorvo até a fisiologia dizer chega. E arfar sofregamente. Num gemido exigente... Em busca do ar.

Assalto o que é teu. Te torno minha totalmente. Te arranco o véu e desnudo ferozmente. E febril faço o Céu do seu corpo. Me rasgue o dorso mais um pouco. Um revide satisfeito no prazer da dor... Que pensas causar.

Devoro teu ser. Te provo em tudo e em detalhe. Te abocanho o juízo e me delicio em cada curva em toda parte. E invado a tão gentil fortaleza. Ao reino terremotos, tempestades... Um plebeu adentrou a realeza.

Envolvo o teu-meu. Te acolho frágil e meiga. Te enlaço cansaço-em-cansaço. E misturo humores em gentil compasso. Um perder-se para sempre em ti: eu, vagabundo... Você, princesa.



#PHpoemaday

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Crônicas do Frio (22) - O Realismo Fantástico

O Realismo Fantástico 
  • (Aviso: Violência, Referência Sexual, Horror)
  • [P.S: Impróprio para pessoas que tenham mente fértil feat. nojo]
  • {P.P.S: É  sério. Depois diz que não foi avisado(a)}

O Julgo



Uma noite fria de setembro, aquela. Robert Stoneshoulders caminhava calmamente pelas calçadas da sombria Newlake´s Valley. O vento constante e uivante acompanhado por uma névoa célere e rastejante tornavam o clima mais sinistro do que já poderia ser. As ruas pavimentadas transpiravam um ar misterioso e macabro... Cada prédio ou construção, à noite, transformava-se – juntamente com a projeção de suas sombras - em monstros de diversos aspectos em seu silêncio doentio e ao mesmo tempo avassalador. Ao entrar em contato com o duro piso da calçada e por vezes do asfalto meio-molhado, os sapatos sócio-espotivo pretos de Robert faziam ecoar e retumbar por todo um quarteirão o som de sua passagem.

Com sua beca “paletó e gravata” desarrumada e seus cabelos assanhados, o Dr. Stoneshoulders (que mesmo não possuindo doutorado, nem sendo médico ostentava tal título) trazia em seu bafo alcoólico – e num perfume barato que se mesclava ao seu Jandoire – a prova de que estivera numa festa ou confraternização pessoal. O cheiro de sexo exalava de seu corpo.

domingo, 21 de junho de 2015

Crônicas do Frios (21) - A Pedra do Reino

A Pedra do Reino (O Deserto...)


Acordas. Acordado, percebes que tudo funciona como se noite ainda e as luzes estivessem apagadas. Imaginas as pupilas dos seus olhos dilatadas. Começas a caminhar e teus passos ecoam. Há atmosfera. Sente a brisa. Na rua, vês o vento levando, devagarzinho, algumas folhas de papel brancas num passeio rodopiante; divertido.

Tudo em preto e branco e com todos os tons possíveis de cinza. É uma cidade. Com prédios de dimensões impressionantes. Com janelas quadradas e equidistantes – não fosse a variação de cinzas todas lembrariam enormes tabuleiros de damas/xadrez.

Os carros estacionados. Tantos e de tantas marcas diferentes... Outdoors luminosos lá no alto, oscilando em P&B e anunciando o que tu, provavelmente, nunca te interessarias em comprar.
Depois de tanto tempo e depois de tanto andar, te afliges um pouco por não encontrar um alguém sequer. Desconfiando que talvez pudesses, pensas em voar para encontrar uma alma viva ao menos lá de cima. Mas, lembras: "estou acordado. Acordei uma vez e há horas".

De repente a brisa para. E todos os papéis bailando e deslizando como pássaros fincam no chão – como se sugados pelo óbvio.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 17) - O Ranger dos Dentes

O Ranger dos Dentes


A espuma fumegante gira no sentido horário na superfície do líquido preto dentro da xícara; o aroma inebriante da cafeína estimula todos os meus sentidos. O vidro líquido e negro reflete a luz que incide do teto transformando meu prazer num espelho. Me vejo. Minha imagem destruída. A espiral é contínua, mas gradativamente perde a velocidade – espalhando minúsculas bolhas que, sozinhas, não suportam o inferno daquela bebida e estouram assim que abandonam a unidade. Aproximo aquele hálito quente do nariz e experimento a sensação de ter uma fonte termal de energia única e exclusivamente minha. Sorvo. Sinto a ponta da língua incendiar. Inflama a boca, garganta e estômago. Espiro ar quente provocando o frio do lugar e, condensado (coitado!), esfumaça em espirais, ameaçando seu gêmeo resfriado com um ataque –. Mas logo adere ao abraço gélido e toca meu rosto (evitando apenas aproximar-se do café). Levanto o olhar. Acompanho o vapor até etéreo ele virar... Observo um ponto perdido no teto de madeira.

É foda! Deveria estar tomando tequila. Ouço minha voz escapando dos meus pensamentos.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 10) - A Artéria

A Artéria (Jogo do Não Acorda)


Desperta. Os olhos no teto. Estes gradativamente assimilam a escuridão. E, no quarto, as imagens assumem palmo a palmo um padrão. Enche de ar os pulmões. De...va...gar... Prende a respiração. Na cama. O calor que emana próximo deita-lhe um breve calafrio de satisfação. Liberta o ar dos pulmões. De...va...gar... Move a cabeça à procura da fonte e o emaranhado de lençóis desnudam dedos numa suplica preguiçosa. Tão próximos que o foco do todo se perde e o quarto é uma mistura acinzelada de tons, sons quase inaudíveis... E só há cores nos perfumes, sabores nos gestos mais procurados e ao mesmo tempo evitados.

Arrisca. Os olhos nos seios da mão que pede. Revela com suave movimento do rosto o pulso por baixo do edredom. Desliza, aspirando o gosto dos relevos, suavemente... Paulatinamente. Suspiros de sonolência se fazem ouvir. Um revirar e a mistura de colcha, coxas e curvas, desenham enlevos que lembra os montes fluminenses. Aguarda o protesto atenuar. Di..ssi...par... Pousa os lábios vagarosamente onde no braço a artéria está evidente.

Prossegue. Os olhos fixos nas linhas sinuosas a seguir. Resvalando o maxilar como acariciar. Tem certeza que não a despertará. "Ao menos não, até chegar onde quero chegar." Revela o colo e o hálito já quente mostra a direção. Seguindo a artéria, a boca sedenta pelo toque ao pescoço - que tanto queria. Viu arrepio. Parou completamente e simulava que jamais ar teria.

- "Estou acordada desde os dedos, Amor..." Ela abre os olhos e desafia: - "pensou mesmo que nesse jogo você me venceria?"


#PHpoemaday

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vinte e Poucos Anos (XXVIII) - A 1ª Ida 2/3 [Conto]


[Conto]
PESSOA...

A Primeira Ida

(O Mundo Finalmente Parou)


Poucas vezes ele teve tanta certeza do que viu.

Ela descia a inclinada e calma Rua Tapajós... Via refinada como tantas outras em São Caetano do Sul. Os passos sinuosos e cadenciados, os cabelos esvoaçantes roubando o hipnotismo das sombras. A mão mexendo na franja, o ar ousado e curioso. Não dava pra ouvir um tracejo da voz sequer, ou mesmo os passos... Ainda estava muito longe pra identificar pelos sons e a escuridão saboreava cada detalhe da sua beleza; escondendo-a por alguns segundos. Mas ainda assim, o mocinho atravessou a rua e ficou do mesmo lado em que a moça descia, mesmo sem nunca antes tê-la visto em carne e osso.