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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 17) - O Ranger dos Dentes

O Ranger dos Dentes


A espuma fumegante gira no sentido horário na superfície do líquido preto dentro da xícara; o aroma inebriante da cafeína estimula todos os meus sentidos. O vidro líquido e negro reflete a luz que incide do teto transformando meu prazer num espelho. Me vejo. Minha imagem destruída. A espiral é contínua, mas gradativamente perde a velocidade – espalhando minúsculas bolhas que, sozinhas, não suportam o inferno daquela bebida e estouram assim que abandonam a unidade. Aproximo aquele hálito quente do nariz e experimento a sensação de ter uma fonte termal de energia única e exclusivamente minha. Sorvo. Sinto a ponta da língua incendiar. Inflama a boca, garganta e estômago. Espiro ar quente provocando o frio do lugar e, condensado (coitado!), esfumaça em espirais, ameaçando seu gêmeo resfriado com um ataque –. Mas logo adere ao abraço gélido e toca meu rosto (evitando apenas aproximar-se do café). Levanto o olhar. Acompanho o vapor até etéreo ele virar... Observo um ponto perdido no teto de madeira.

É foda! Deveria estar tomando tequila. Ouço minha voz escapando dos meus pensamentos.

sábado, 13 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 13) - O Futuro do Pretérito

O Futuro do Pretérito (E Se...)


Ela sobe o lance de escadas.
Convicta do que entende e não aceita.

Ele, da porta, a acompanha com o olhar a se afastar.
Convicto do que não entende, mas aceita.

Violão na mão, certa do que não quer.
Coração não mão, certo do que quer.

Ela para.
Ele não respira.

Ela gira levemente o ombro direito pra trás, a cabeça acompanha o movimento ate conseguir fitá-lo. Os cabelos lambem o ombro (que pára no caminho) e escorrem pela testa deixando a mostra apenas seu grande e belo olho castanho.


Ele observa cada gesto que ela faz, seus músculos tensos não permitem ao ar entrar. A ressaca daquele olhar ameaçava traga-lo. O sangue em desespero fervia o corpo inteiro a procura do ar que não vinha, mas resiste sóbrio aquela magia.

Com duvida do futuro ela pensa "E se...", abre o portão e se vai.
Com certeza do pretérito ele sabia... Que depois daquele olhar tudo à frente a entristeceria.

#PHpoemaday