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domingo, 12 de março de 2017

Minha mãe morreu pra mim

"Para fazer esquecer as nossas faltas aos olhos do mundo são precisas torrentes de 
sangue; mas, junto de Deus, basta uma lágrima" (CHATEAUBRIAND , François)


Minha mãe morreu pra mim


Quantas oportunidades que descontrolam seu autocontrole te fazem pensar na vida? Consegues contabilizar? Eu não consigo parar de me emocionar. O choro vem, sem nem ao menos eu o refrear.

Olho para o teto. Lembro de anedotas. Abro a boca convulsivamente, mas as lágrimas vem... E escorrem de maneira tal que não me deixam preparado para o porvir. Muito menos para o que há. Penso: "será que estamos prontos para a vida"? a cada gota acachoeirada deslizando pelas maçãs do rosto.

Minha mãe morreu pra mim. 


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 12) - O Equilibrista

(P.S: Mudei o gênero por conta da inspiração [rs])

"A" Equilibrista


Adolescente, mãe. Inconsequente, mãe novamente. 
Se une inocente por ser mãe. Maturidade vinda previamente. 
Percebe a vida, mãe. Independente, olhos à frente. 
Trabalha inda criança e mãe. Com duas crianças, segue resistente. 
Separa, prossegue mãe. Responsabilidade surge frequentemente. 
Apaixona e mais uma vez mãe. Adulta, acredita no amor firmemente. 
Dois meninos, uma menina: mãe. Emprego, lar e leito, mulher persistente. 
Vítima de canalha por ser mãe. Foge, revida, mulher combatente. 
Viaja e recomeça, mãe. Filhos a tiracolo, mãe é permanente. 
Labora e protege, mãe. Cuidar dos filhos, da própria mãe e permanecer atraente. 
Compra casa, paga as contas, mãe. Às crias: educa, se sacrifica, futuro diferente. 
Precisa viver, mãe. Casa novamente, muito mais exigente. 
Mais um rebento, mãe. Desdobra, multiplica, mulher definitivamente. 
Não pode do esposo ser mãe. Outro reinicio mulher imponente. 
A vida leva dela o primogênito e a mãe. Arrancado um pedaço, mulher impotente. 
Reergue, arrasada, mãe. Filhos, responsabilidades, mãe ininterruptamente. 
Luta, batalha, mãe. Deusa equilibrista, mulher simplesmente.


#PHpoemaday

sábado, 6 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 6) - O Molho de Chaves

O MOLHO de Chaves
(perdidas)




Ele perde tão fácil.
Sempre tão "avoado".
Vive na rua.
- "Ta com a cabeça no mundo da lua, menino?"
Não lembra onde guarda nada.

Se livra dos objetos.
Prefere as sensações que as coisas.
Corre na rua.
- "Cadê as chaves de casa, menino?"
Frio na barriga, à procura, dispara em debandada.

A brincadeira logo se transforma em desespero.
"Cadê? Cadê? Cadê?" E os olhos lavados.
Esquece da rua.
- "Não acredito! Perdeu outra vez, menino?"
Esvai-se em lágrimas em frente a porta trancada.

Ainda perde coisas tão fácil.
Ainda sonha acordado.
Ainda passa mais tempo na rua.
- "Porque nesse colar tem chaves, menino?".
Ri-se ao lembrar de si menino e da mãe bem zangada.



#PHpoemaday


quinta-feira, 4 de junho de 2015