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domingo, 12 de março de 2017

Minha mãe morreu pra mim

"Para fazer esquecer as nossas faltas aos olhos do mundo são precisas torrentes de 
sangue; mas, junto de Deus, basta uma lágrima" (CHATEAUBRIAND , François)


Minha mãe morreu pra mim


Quantas oportunidades que descontrolam seu autocontrole te fazem pensar na vida? Consegues contabilizar? Eu não consigo parar de me emocionar. O choro vem, sem nem ao menos eu o refrear.

Olho para o teto. Lembro de anedotas. Abro a boca convulsivamente, mas as lágrimas vem... E escorrem de maneira tal que não me deixam preparado para o porvir. Muito menos para o que há. Penso: "será que estamos prontos para a vida"? a cada gota acachoeirada deslizando pelas maçãs do rosto.

Minha mãe morreu pra mim. 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (06) - A Mentira

Que Mera


Morrer
Quero morrer
Não quero morrer
Que não quero morrer
Pensei que não quero morrer
Quando pensei que não quero morrer


Menti

Quando pensei que não quero viver
Pensei que não quero viver
Que não quero viver
Não quero viver
Quero viver
Viver


#PHPoemaDayJune

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


“Alguns infinitos são maiores que outros”
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (24) - A Morte Anunciada

Sem Resposta


Oi. Tudo bem? Acho que sim, né? [microriso embaraçado] Acho que você vai ficar na dúvida do que isso significa, mas espero que no final de tudo entenda.

Vou morrer.

É... Eu sei que todos nós vamos morrer um dia. “É a única certeza da vida”, você disse. [microriso debochado] Mas, é aquilo que nós conversamos e você sabe que estou bem e aceito bem tudo isso. Acho... O que mais choca as pessoas é que eu nunca me importei. Meu corpo entrega minha idade, mas ninguém sabe, além de você lógico, que tenho mais de 200 anos. [ar de riso] É, até natural depois de tanto tempo convivendo, entender que é mais forte do que eu. Quando sabemos que vamos morrer, o choque na hora faz com que queiramos fazer tudo de uma única vez. Mas depois passa... E aí a gente vira normal outra vez.

Não tenha medo de falar o nome nunca mais. Tudo bem? Já te disse que não devemos acreditar que um nome mude completamente a nossa capacidade de viver feliz – ou é felizes? [...] nunca sei –. Geralmente damos a nossa vida por um nome qualquer, um nome de pessoa geralmente, e gritamos aos quatro ventos que não conseguimos mais viver sem. Eu acho isso tão perigoso já que viemos pra ter [...] – ou termos – uma vida tão curta. [tosse seca]

Desculpa! Por falar nisso... Não fica como eu, tá? Não dê tanta importância às coisas que as pessoas não entendem sobre você. Porque a gente vai ficar tentando e tentando mudar a cabeça deles, mas... Você sabe, as pessoas não querem ser dissuadidas. Elas querem ter razão. Aquele nosso diálogo sobre o bom dia, né? As pessoas não querem saber se você está bem. Bem que você disse: perceber isso, nos muda, mas não muda os outros. Não parte de fora, parte de dentro – e espero que antes que partam. [riso interrompido – engasgo]

E nesse eixo eu me ponho. Quantas vezes eu acreditei que já era uma pessoa morta? Quantas vezes conformada com a minha sina, não fiz contato visual e olhei de lado? E desliguei os sentidos para saber sobre o destino de Eurídice? E me controlei para não rir das piadas tão gostosinhas de ouvir? [voz embargada] Não queria morrer mais, sabe? Mas eu sei que agora é tarde. No final da vida a gente sempre quer mais vida – para corrigir os erros do não viver, eu acho –. [respira fundo – chiado sufocado]

Mas, eu sei quem é você. Eu te vi na fila do pão naquela terça-feira “às 17:08 da tarde”. [riso solto – tosse rasgada] Ou acha que ouvir você cantarolar o Último Romance passaria despercebido? [fungado aflito] Acho que não viveria diferente se voltasse alguns meses no tempo, mas iria querer estar naquela padaria sempre que pudesse voltar [fala carregada] e se pudesse mudar, a única coisa seria dar o beijo que você merece até hoje... [choro curto – respiração profunda] E que nunca o terá.

Foi fraqueza sim. Eu sei disso. Mas quem disse na vida que precisamos ser fortes é um imbecil, sabe? Ser forte é uma obrigação cruel. Quando não conseguimos [pausa – pega fôlego], o mundo se envergonha de nós. [pausa longa]

Eu daria aquele beijo antes, hoje, agora. Sempre me senti tão mais livre contigo, mas o medo de te fazer sofrer me fez mostrar indiferença. Que estupidez a minha. Piegas... Beijei babacas que não mereciam meu perfume no ar e... [voz sonolenta] Eu sei, não há mais o que fazer. É crueldade depois de tudo, mas eu não cons e g u i r i a... [silêncio]
Para a morte mão muda saber quando vamos morrer. Não tente fazer nada... Não t e n t e... [inspira profundamente]
Aceito morrer, só não aceito ir embora sem dizer o qua n t o e u t e a m...

► ____________________ 3:18
[recebida às 22:31]
[lida às 22:32]







• • •

[enviada às 22:36]                               
► ____________________ 0:18
 [recebida às 22:36]                              
(...)

[enviada às 22:37]                               
► ____________________ 0:13
[recebida às 22:37]                              
(...)

[enviada às 22:37]                               
► ____________________ 0:12
[recebida às 22:37]                              
(...)

[enviada às 22:38]                               
► ____________________ 0:15
[recebida às 22:38]                              
(...)

   [digitando...]                                         
                                        


#PHpoemaday

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (15) - O Precipício

Abra seus olhos


Ele te olha

Negação é sugestão
da morte
que bem quer
onde está
Congelado

Ele te olha

Tempestade é escárnio
da vida
que torna
cada passo
Precipício

       Pisa e cai
  Um livre
ventre

Ca
     l
   a
 f r _ .
  [...] o

Ele te olha

      Corpo e alma
   Cerrar as portas
evita o

          D
     e
~
  a
 f  _ .
[...] o

Ele te olha

Não importa fingir cegueira
ou fingir que o chão suporta
abre os olhos e salta
só dessa
forma

Ele te olha de volta

#PHPoemaday

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (14) - O Ipê

Suspiros


Tenho que ser honesta contigo. No começo incomodava, depois ignorei. Achei que fosse um dos três: carente, vazio ou doente. Acontece o tempo todo. E eu estou cansada disso. Perco meu tempo e paciência; é um estorvo. Os piores são os apaixonados, na minha opinião.

Mas percebi, depois de um tempo a diferença. Eu entendo não querer falar comigo. No entanto, não consigo ficar longe. Sei que não era loucura sua, não era vazio existencialista, paixão adolescente. Depois de anos observando, aprendi a saber o que tu sentes. E agora faz falta aquela admiração, aquele respeito. Posso me sentar no teu leito... Ao teu lado? Não me olhes dessa forma. Ah! Esses castanhos sob a luz...

Sei, pedi que me apavorasse, mas eram outros tempos. Me aceitas na tua casa, como antes. Vês? Tens por mim um sentimento cativo. Vivo – não faça ar de riso – pelos cantos lembrando de tudo. Meu medo era que desistisses, afinal, não me consideravas inimiga. Diga: que mudanças uma única vida pode trazer? Afinal nascestes só e é sozinho que encontrarás teu destino. Tua parte já fora feita. O que mais queres? Eu estou presente, sempre. E espero mais um presente. Daqueles que me fazem chorar as vidas que nunca tive. Daqueles que me fazem amar impossivelmente.

Não és como antes e ignoras-me. Porém, sabes que cá estou. No canto do cômodo, vendo tua fome e sede, teu cansaço e dor... Sabendo que não é pra mim teu sacrifício – amém! –. É vívido teu suplício e eu o testemunho. Óh! Desculpe te tocar... Eu sei, esse frio... É que não suportei teu semblante esguio. Me olhas, dispara, reclama; prefiro. Não vais mesmo, falar? Leio seus pensamentos se quiser, mas quero sua voz.

Me afasto se queres levantar. 
Te acompanho se queres caminhar. 
O belo bosque. Teu lugar de suspirar.

– Vês esta árvore linda, frondosa, colorida... Magnífica, não é? É o ipê. Conheces?

– Que bom ouvir-te novamente. Sim. Mas o que queres dizer?

– Minha filha ainda não conhece metade da beleza que merece... Não espero que entendas, mas aceite o porquê comecei a te temer.

[...]

– A vida nas tuas mãos. Somos iguais então.


#PHPoemaday

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 11) - A Eutanásia

A Eutanásia (A Escolha)
Legenda - *Voz* [Sussurro]


*Se Deus quiser. * 
[Eutanásia]
*Amanhã eu vejo.*
[Eutanásia]
*Se eu merecesse...*
[Eutanásia]
*E se me disser não?* 
[Eutanásia] 

*Deixo nas mãos de Deus.*
[Eutanásia]
*Com medo, ajoelho.*
[Eutanásia]
*Se eu pudesse...*
[Eutanásia]
*E se eu ceder em toda pressão?* 
[Eutanásia] 

*Só Deus sabe.*
[Eutanásia]
*Deixo estar e não desejo.*
[Eutanásia]
*Não vivo sem você.*
[Eutanásia]
*E se de mim eu abrir mão.*
[Eutanásia]

*Por que, [Deus?
Eu*tanásia]
*Vergonha do [espelho.
Eu*tanásia]
*Se do céu [caísse.
Eu*tanásia]
*Sem você a [vida não tem razão.
Eu*tanásia]

*Deus vai [me dar.
Euta*násia]
*Não ajo, [prefiro bocejo.
Euta*násia]
*A culpa nunca é [minha. Já disse!
Euta*násia]
*Por que ninguém [me dá atenção.
Euta*násia]

*A culpa é [sempre do diabo (ou de Deus)!
Eutaná*sia]
*Eu até [reagiria, mas tudo é empecilho.
Eutaná*sia]
*Ah, mas [se eu fosse você.
Eutaná*sia]
*Eu sou a [vítima! O mundo não tem coração.
Eutaná*sia] 

[Deus, Deus, Deus, Deus!]
*Eutanásia*
[Eu até viveria, mas Deus não faz nada direito.]
*Eutanásia*
[Ah, mas Deus me deixou morrer.] 
*Eutanásia*
[Nada fiz na vida! Deus, me dá salvação?] 
*Eutanásia*



*#PHpoemaday*