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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Era Um Garoto (XIV) - O dia em que eu morri

“Nossa atitude insincera perante à morte torna a vida insípida e vazia” .

(FREUD, Sigmund)


“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na 
nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”
(PESSOA, Fernando)





O dia em que eu morri


Há poucos dias - diria: há pouco tempo - eu morri. Calma! Eu não morri de verdade, verdadeira! Morri só um pouquinho. Coisa de poucos segundos. Meu coração não podia me representar tão bem se não se rebelasse contra mim. 

O que já não é novidade na minha história. É a terceira vez que o acontece, mas foi a primeira vez que me ocorreu extremamente sozinho (e depois de ter esquecido completamente disso).

domingo, 12 de março de 2017

Minha mãe morreu pra mim

"Para fazer esquecer as nossas faltas aos olhos do mundo são precisas torrentes de 
sangue; mas, junto de Deus, basta uma lágrima" (CHATEAUBRIAND , François)


Minha mãe morreu pra mim


Quantas oportunidades que descontrolam seu autocontrole te fazem pensar na vida? Consegues contabilizar? Eu não consigo parar de me emocionar. O choro vem, sem nem ao menos eu o refrear.

Olho para o teto. Lembro de anedotas. Abro a boca convulsivamente, mas as lágrimas vem... E escorrem de maneira tal que não me deixam preparado para o porvir. Muito menos para o que há. Penso: "será que estamos prontos para a vida"? a cada gota acachoeirada deslizando pelas maçãs do rosto.

Minha mãe morreu pra mim. 


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (06) - A Mentira

Que Mera


Morrer
Quero morrer
Não quero morrer
Que não quero morrer
Pensei que não quero morrer
Quando pensei que não quero morrer


Menti

Quando pensei que não quero viver
Pensei que não quero viver
Que não quero viver
Não quero viver
Quero viver
Viver


#PHPoemaDayJune

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Crônicas de Jack (II) - More Than a Pet

"Quando um louco parece completamente lúcido é o momento de colocar-lhe a camisa de força." (POE, Edgar Allan) 


Jack 

the human being

Voltar pra casa é diferente quando se tem a presença de um pet, porque é o mesmo que possuir um membro da família em casa ou até um roommate. Só que um gato é um gato. Então, o que ele faz quando eu chego? Fica lá deitado na sua cama, você deve imaginar. 
Eu diria, sim, mas não é o caso. Se um dia eu chegar e antes de destravar o cadeado do portão o Jack não aparecer subindo escada acima já é motivo para preocupação.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crônicas de Jack (I) - Jack Origins

"Somos as palavras que trocamos, os  enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer."
(FREUD, Sigismund Schlomo)


Jack 

will be his name


É uma narrativa com atraso, delay de quase 4 anos. Essa é aproximadamente a idade do Jack. Não tenho certeza da data de seu nascimento, porque ele já me veio espertinho, com os olhos abertos e desmamado. Mas, antes do famigerado meow ele ainda fazia miw.

A incorporação da preguiça e da folga

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (16) - A Beleza

Vitae


Fora um golpe perfeito. Lindo, limpo e sem precedentes. Atingiu-o em cheio no peito e inundou seu estômago de uma ânsia profunda.

Força alguma seria capaz de arremessa-lo num canto como agora. Calafrios elétricos percorrem cada centímetro de sua epiderme. Cada poro desesperando ser lavado e os suores atendendo ao pedido. Sua cerne invadida de uma fraqueza indescritível já abandona as esperanças.

Lágrimas vertem ao perceber que tudo está por um fio – aquele fio que o trespassara –. Tão novo, ainda tão garoto, retumbava a voz dos antigos: a batalha não permite pequenas falhas. Falhara. As pernas já sem resistência, derramadas sobre o chão frio de cimento temperado. Reputação entrecortada por soluços. Respiração ameaçada por vultos.

Então, no embaralhado do profundo oceano dos seus olhos, as primeiras gotas chovem de seu corpo. As mãos ainda grudadas ao colo, observa incrédulo: jorra vida do seu seio. Fascinado, percebe aquela cor tão única, sua, particular. Ambas as palmas lavadas de si mesmo; sente um prazer perpétuo. Não sabe mais se é, respira ou se existe. Sente que não é mais único; é o todo e a enchente que flui de seu ferimento – antes de morte – como queda d'água, colore o mundo com suas cores quentes. O aroma, não mais férreo, enche seus pulmões de ternura. A lâmina cravada no seu ser é absorvida. Se deixa arrastar pela correnteza que seu âmago formara.

Encontra o cais em meio ao mar de sua criação. Aporta, com a glória dum guerreiro que pela primeira vez sente a vitória em seu nome.
Num epitáfio para nova vida ele escreve, insone:

Aqui jaz um menino, pois não há beleza maior que meu próprio sangue.


#PHPoemaday

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (15) - O Precipício

Abra seus olhos


Ele te olha

Negação é sugestão
da morte
que bem quer
onde está
Congelado

Ele te olha

Tempestade é escárnio
da vida
que torna
cada passo
Precipício

       Pisa e cai
  Um livre
ventre

Ca
     l
   a
 f r _ .
  [...] o

Ele te olha

      Corpo e alma
   Cerrar as portas
evita o

          D
     e
~
  a
 f  _ .
[...] o

Ele te olha

Não importa fingir cegueira
ou fingir que o chão suporta
abre os olhos e salta
só dessa
forma

Ele te olha de volta

#PHPoemaday

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (14) - O Ipê

Suspiros


Tenho que ser honesta contigo. No começo incomodava, depois ignorei. Achei que fosse um dos três: carente, vazio ou doente. Acontece o tempo todo. E eu estou cansada disso. Perco meu tempo e paciência; é um estorvo. Os piores são os apaixonados, na minha opinião.

Mas percebi, depois de um tempo a diferença. Eu entendo não querer falar comigo. No entanto, não consigo ficar longe. Sei que não era loucura sua, não era vazio existencialista, paixão adolescente. Depois de anos observando, aprendi a saber o que tu sentes. E agora faz falta aquela admiração, aquele respeito. Posso me sentar no teu leito... Ao teu lado? Não me olhes dessa forma. Ah! Esses castanhos sob a luz...

Sei, pedi que me apavorasse, mas eram outros tempos. Me aceitas na tua casa, como antes. Vês? Tens por mim um sentimento cativo. Vivo – não faça ar de riso – pelos cantos lembrando de tudo. Meu medo era que desistisses, afinal, não me consideravas inimiga. Diga: que mudanças uma única vida pode trazer? Afinal nascestes só e é sozinho que encontrarás teu destino. Tua parte já fora feita. O que mais queres? Eu estou presente, sempre. E espero mais um presente. Daqueles que me fazem chorar as vidas que nunca tive. Daqueles que me fazem amar impossivelmente.

Não és como antes e ignoras-me. Porém, sabes que cá estou. No canto do cômodo, vendo tua fome e sede, teu cansaço e dor... Sabendo que não é pra mim teu sacrifício – amém! –. É vívido teu suplício e eu o testemunho. Óh! Desculpe te tocar... Eu sei, esse frio... É que não suportei teu semblante esguio. Me olhas, dispara, reclama; prefiro. Não vais mesmo, falar? Leio seus pensamentos se quiser, mas quero sua voz.

Me afasto se queres levantar. 
Te acompanho se queres caminhar. 
O belo bosque. Teu lugar de suspirar.

– Vês esta árvore linda, frondosa, colorida... Magnífica, não é? É o ipê. Conheces?

– Que bom ouvir-te novamente. Sim. Mas o que queres dizer?

– Minha filha ainda não conhece metade da beleza que merece... Não espero que entendas, mas aceite o porquê comecei a te temer.

[...]

– A vida nas tuas mãos. Somos iguais então.


#PHPoemaday

domingo, 6 de dezembro de 2015

Pausas (IV) - Sobre ser como os porquês

Por que o porquê é tão porque de si?

Vivo me perguntando o por quê?



Poderia, ele simplesmente, como outras palavras se manter e desdobrar-se para ser. 
Mas não o porquê. Por que seria diferente? 
Afinal, ele não quer ser igual aos outros. 
E seria, por quê?
Porque é um cara que se vê diferente.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Pausas (I) - Agostando


Pausas

É contínuo? Não. É intermitente

Traço a meta e simplesmente sigo em fren... Mentira. Quer um trecho de música que combina muito comigo (e talvez com você que lê, também)? ♪“É sempre assim. Me distraio, me distraio. Me distraio facilmente: ‘Olha lá o avião’”♫.

Estando eu focado, também vivo o mundo ao redor (meu querer tem sede de tudo e deseja absorver o máximo possível do que parece ser bom). Mas não foi sempre assim. Como também, talvez não fosse assim com você – que com os olhos, desliza e salta de palavra em palavra (e até há uma leve chance de que ouça minha voz nelas) –.

Hoje, há mais calor, aroma e sabor nas cores. A vida, que eu acreditava ser entupida de monotonia, era enquadrada pela armação dos óculos de senhores sabe-tudo. Preto e branco. À minha miopia metafórica (porque a física só me dá um pouco mais de constrangimento, contratempo e – às vezes – charme), o mundo não existiria sem mim. Filosoficamente, talvez estivesse correto, mas a questão é que não sabia nada – e muito pouco sobre eu mesmo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 12) - O Equilibrista

(P.S: Mudei o gênero por conta da inspiração [rs])

"A" Equilibrista


Adolescente, mãe. Inconsequente, mãe novamente. 
Se une inocente por ser mãe. Maturidade vinda previamente. 
Percebe a vida, mãe. Independente, olhos à frente. 
Trabalha inda criança e mãe. Com duas crianças, segue resistente. 
Separa, prossegue mãe. Responsabilidade surge frequentemente. 
Apaixona e mais uma vez mãe. Adulta, acredita no amor firmemente. 
Dois meninos, uma menina: mãe. Emprego, lar e leito, mulher persistente. 
Vítima de canalha por ser mãe. Foge, revida, mulher combatente. 
Viaja e recomeça, mãe. Filhos a tiracolo, mãe é permanente. 
Labora e protege, mãe. Cuidar dos filhos, da própria mãe e permanecer atraente. 
Compra casa, paga as contas, mãe. Às crias: educa, se sacrifica, futuro diferente. 
Precisa viver, mãe. Casa novamente, muito mais exigente. 
Mais um rebento, mãe. Desdobra, multiplica, mulher definitivamente. 
Não pode do esposo ser mãe. Outro reinicio mulher imponente. 
A vida leva dela o primogênito e a mãe. Arrancado um pedaço, mulher impotente. 
Reergue, arrasada, mãe. Filhos, responsabilidades, mãe ininterruptamente. 
Luta, batalha, mãe. Deusa equilibrista, mulher simplesmente.


#PHpoemaday