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quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Física não importa porque é Química demais!

"Quando te tinha diante do meu olhar submerso
Não eras minha amante… Eras o Universo…
Agora que te não tenho, és só do teu tamanho"
(PESSOA, Fernando.)



Pelo que não faz sentido




Se apaixonar é querer que meu objeto de desejo me tome, me sorva, me preencha, não deixe nenhum centímetro da minha existência fora de seus limites, que me mastigue, me arranque de mim.

É a minha vontade profunda de mergulhar completamente naquele corpo, de ter todos os meus poros avassalados por frios e calores, dormir em sublimação eterna, gozar até queimar cada pedacinho do meu ser.

Ceder a pele às unhas que só gostariam de rasgar os músculos, suar até derreter, liquefazer

Não há nada racional em se apaixonar.

Se apaixonar é poesia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (08) - O Licor | (09) - A Cigana

Estiano & Caetano




Dança girando como uma cigana numa redoma. Ou como um dervixe na Dança dos Cosmos. Desaguamos; não me doma. 

A mão de Deus é minha e o universo segue no sentido horário; as horas não param, não passam. É o contrário, do contrário, do contrário; Espirais de Estiano. É o avesso, do avesso, do avesso; Sampa de Caetano

Dá, sim, para imaginar o mar vermelho. Dar-se para a imagem no mesmo espelho: liquefeito. Li que é feito de dois a felicidade de um. Resta a unidade ser de união ao invés de eliminação. Ele mina a alma, o desalento, fazendo o corpo ser um em nada. 

Nadar na correnteza Gaspare Campari com os olhos, para a boca correr aos lábios da sina. E afastar o vazio de dentro, rechear de prazer e derreter, no colo da amada amante. A li cortando meu ser. Engulo o licor para outra vez transcender.



#PHPoemaDayJune

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (31) - Dourado e Branco

Signo de Fogo



Oi! Eu sou Você. E já estive no olho do furacão. Não faço ideia se foi a melhor das decisões possíveis, mas tudo me enlevava. E ele me levava. Eu, que não me escondeu nada, permitiu o espaço que ocupava. E eu não nasci Você, aprendi a ser. Então posso escolher quem ser e de que forma. Aceitei e não me culpo... Mentira, sempre me culpava. Lógico era ele quem me puxava pela mão e tudo girava de forma sem precedentes. E eu que nunca me imaginei chover, hoje inundo a vida de tempestades recorrentes.


Hoje, quando escrevo Você e Eu, raízes de energia abundante brotam das folhas do caderno procurando aquele caos... tanto caos. Já imaginando que virá tornar-se fascinante. Era arte, era arte. Assim como me fazia de tela em branco, e me comprimia contra a parede, e me impressionava em aquarela, e umedecia minha textura, e fazia os tons tocarem os céus, e miscigenava em expressionismo, e fazia música das minhas entranhas, e pincelava mais bocas do que eu poderia beijar, e derretia em sustenidos, e fazia o mundo parar e ao mesmo tempo girar, e sussurrava as músicas da libido, e desenhava prazeres na pele, e escorregava meu ponto de fuga, e tocava cada degradê... E no meio de toda aquela mistura, ainda era o castanho que você procurava.

I n c e s s a n t e m e n t e. ~arrepio~

Daquele branco morte, confundido com paz, a flor sempre abria coalescida. Mas a dúvida resistia. Fenômeno de ser Você.

Amanhã, quando o Sol lamber meus olhos alterando os tons, passeando do vermelho ao dourado, me lembrarei mais uma vez daquele mosaico... tão misturado. Lá saboreando cada centímetro do teu tornado esfuziante. Era arte, era arte. E ouvirei tua voz: “permanecer no núcleo de mim irá te proteger de mim, Você”. Mas Eu, eu não acreditava. Fenômeno de ser Você. E eu sei, chorarei... O dia do vendaval, a abdução helicoidal, o choque visceral, a necessidade de ar, a vontade de organizar, o erro em desumanizar, a desproporção na simetria, a imperfeição que eu destruía, o medo de perder meu eu, o desespero em não ter meu Eu, a caricata possessividade, a metódica agressividade, a minha ira na tua compreensão, a tua dor na minha perfeição... E no meio de toda essa clausura, ainda seria o castanho que você procuraria.

A p a i x o n a d a m e n t e. ~calafrio~

Deste dourado paixão, confundido com poder, a flor sempre brotará convalescida. Pela suspeita de uma felicidade vazia. Você é antônimo de Eu, mas ainda existirá a vontade de ser eu e você.


#PHpoemaday

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (30) - Um Tema Passado

Signo de Ar


Se me permites a apresentação, eu sou Eu. O prazer é meu, Você. Desculpe a bagunça. Eu sei que tudo aqui é uma confusão. Peço um pouco de paciência, coisa difícil nos dias aonde a onisciência é uma extrema necessidade exigida para ser ignorada – pois, em todos os lugares vemos donos da verdade (e graças dou às exceções) –, para que faça algum sentido atravessar este portão. Difícil entender a minha cognição, não? É. Desejo-te boas-vindas ao olho do furacão. Quando soube que Você queria conhecer o meu universo, não acreditei. Confesso: quando converso sobre quem é Eu, causo espanto e encanto. E é pelos cantos que traços meus pontos, não sou lá fã de ser o centro. Dar atenção é mais meu recanto.

É. Este é o Auto-Retrato. Gosto de me olhar no ontem para entender melhor quem sou.

Não sabe onde ficar, Você? É o caos, é o caos. É mosaico do meu ser. Venha, sente-se aqui. Deixe-me preparar um café. Quando subi para a estação de metrô, foi que vi tudo acontecer, sabe? As cores misturando, pessoas arrastadas por suas coleiras virtuais, senti uma força me sugando para outra dimensão e minha mente já estava em... O quê? Ah, desculpe! Às vezes incinero a largada ou passo o bastão entre uma modalidade e outra – mesmo que a pessoa não tenha testemunhado o início da primeira –. É uma sina.

Sim. É o Cárcere. Mantenho-o perto de mim para saber que a qualquer momento posso errar aonde vou.

Mas, contextualizando, me vi novamente neste fatídico dia no mesmo lugar, no mesmo horário, no mesmo caminho, cercado dos mesmos rostos. Que já me reconheciam (mas não conheciam), que já mediam meus passos, que já aspiravam minha pele, que já pouco me agregavam, que me faziam cada vez mais robotizado. Preciso de mais. E pelas veias multicoloridas desse multiverso subterrâneo, mudei dois tons. É o caos, é o caos. Contei cinco ciclos de minutos para aspirar novos sons. É mosaico do meu ser. Não me repetir faz parte da minha essência. É uma sina. E eu compreendo que no final, a escolha é o mesmo destino. O objetivo não é desatino. Então é eco e o círculo antes aberto, agora jaz fechado. Percebi que é no caminho que evoluímos. É nas facetas do nosso ser em outros mundos – um segundo de diferença e a realidade é completamente diferente –. É, Você. Não sou fã de ser centro, apesar de ser centro de certos cantos. Não tem como fugir das responsabilidades de não ser santo. Se não há ancoradouro? Sempre há! Já não o disse? Perdão. Existem, sim, nossos destinos de salvação.

Isso. O Silêncio. Não consigo entender como viver dentro dele, porque ele inexiste onde estou.

O desespero que me faz não ser um tema passado acaba me reprisando em ser presente em mim. E ter que ser Eu e provar o eu que sou é cansativo para quem me vê. Vejo seus olhos brilharem e amo esse fulgor, Você. Porém, você tem que entender o castanho como a cor mais bela. Tome aqui uma cerveja, brinde comigo! O café? Ah... Verdade, não é? É o caos, é o caos. Que move o que sente, que dá temperatura a canções, que imprime desejos à flor da pele. Estamos nesse exato momento em outro tempo do que começamos. É mosaico do meu ser. Adorei o seu sorriso. Amei esse beijo entregue, profundo. Mesmo, antes. Quando acontecido só na nossa mente. Melhor agora, fora do relicário que a Cássia cantou. Vamos sair. Vem comigo. Deixa eu te mostrar como vejo o mundo.

(cont.)


#PHpoemaday

domingo, 27 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (27) - O Oco

Geração Tulipa


Precisamos de um pouco mais do soro da idade. Entender que, às vezes, um mais um é dor. Que dividendos resultam vaidade e podem restar saudade. Ordens de fatores alteram, sem comutação, associação ou distribuição do que se sente.

Ah! Um soro da idade para aprendermos. Afinal, não é todo mundo que aguenta uma tulipa no meio das pernas. Não precisamos sacrificar o útero sempre que achar o errado no mundo – o mundo não é só um –. Que, graças a Deus, não somos santos. Aceitar que o desejo vem antes do amor e que conhecer língua alheia não é absurdo; estudar cada expressão do idioma, se lambuzar em todos os lábios da linguagem, engolir em dialeto encharcado. Absurdo é esse mundo cada vez pau no oco, transformando pessoas em fantoches programados. Travados pela espada de Príapo que os conduz numa única direção, sugando com o buraco negro a Via Láctea para respaldo à malcriação – o todo sempre está errado e viva a revolução! –.

Ah, que essa adolescência tão terna encontre a fonte ao soro da idade, pelo amor dos deuses! E que observem que orgânico é diferente da cegueira, que somos os mesmo e vivemos e o que você vai ser quando você crescer. Que orifícios e domínios são, no final de tudo, besteira. Quanto mais à pressão der, mais vivemos de pressão – e olha só: com a fórmula certa, pode sim, ser por tesão –. Que abram os olhos aos olhares fugazes que sorvem a barba que delineia o queixo, provocando um malicioso sorriso; recíproco. Ser humano é pecado, é errado, é trôpego, é malfeito, é torto, é vagabundo; é belo ao grego e isso é lindo.

Um soro da idade para que a geração tulipa aguente firme a tortura da verdade a penetrar seu corpo esquálido, recitando o desafio: encontra a perfeição que há no teu próprio umbigo.
É o oco desnecessariamente preenchido, é o lugar incomum – os três poderes dos cachorros–. Um mastro de segurança entupindo o vazio. É o copo de cerveja transbordando sangue coagulado. É a rebeldia infantil. É o repúdio por repúdio. É a luta sempre por um fio – de cabelo com aquele creme de marca super na moda –. É a hora... É a hora...

– Benny! Vodka, água de coco? Pra mim tanto faz... Mas traz uma dose de soro da idade, por favor.



#PHPoemaday

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (25) - Os Sinos

Absolvição


Brisas cálidas trazem dos ombros as finas alças, magnetizando o relevo macio por onde escorregam e descarregam ondas elétricas de cima a baixo. A dança segue até onde a sinuosidade insinuante do corpo limita os movimentos do tecido. Os olhos sugam o desejo um do outro e sem demora, se devoram. As bocas roçam e resvalam, as línguas fluem e confluem, molham-se no interior um do outro e voltam para umedecer o desenho dos lábios e mordem com vontade cada parte tenra. As roupas se tornam caricaturas sem propósito agregadas à estrutura. As mãos dele passeiam pelas costas imprimindo a pressão necessária e tomando-a para si sem sufocá-la. E os braços seguem sentidos diferentes, direito ao norte, esquerdo ao sul, simultaneamente, arrancando grunhidos e provocando abocanhadas durante aquele beijo afogado. Conquista pescoço e nuca, os cabelos dela preenchem os vãos entre os dedos. Toma cintura e nádega, o corpo dela tão próximo que o coração de ambos é um carnaval. Pressão em norte e sul. Gemido descontrolado. As mãos dela procuram descontroladamente onde se aprisionar. Puxa-o com o corpo para trás, trazendo-o consigo, joga a pelve para frente sentindo-o. Crava as garras nas costas e a cada movimento um choque de suor por todos os poros. Abandonados ao banco do carona do Impala 1967 geram energia. Um terremoto compassado se inicia. Membros superiores se confundem numa caótica necessidade de arrancar a fantasia para o mundo. Não mais camisa de flanela e jeans; não mais vestido branco e lingerie. Um nevoeiro de desejo esconde o cenário despudorado dentro do veículo, não fosse o ritmo cadenciado nada se desconfiaria. Frequência aumenta e eleva o volume, retumbes ininterruptos, fortes e desenfreados, seios engolidos, teto rasgado, abdome suado, colo em impacto, membros que se arrastam, dor, prazer, perdidos em si e nos segundos de renúncia a tudo, largando a vida e a morte num vórtex de volúpia e deleite profundo.

O abalo sísmico cessa.
As badaladas se iniciam. Prometem as quatro de sempre.

― Ainda não te entendo, Elisa. ― A imensa estrutura gótica lá fora retumbava quase silenciando-o.

― Não há o que entender, Marco. ― respondia, enquanto vestia-se.

― O casamento é amanhã. Todos precisam saber. Eu mereço sair dessa prisão. Eu já amo você!

― Para! Isso de novo? Combinamos a meses, Marco. Vou casar amanhã, às 20h. Era uma questão de incapacidade dele, eu resolvi e o senhor aceitou.

― Mas por que quis continuar? Fazemos isso toda a semana! Há meses. Não havia necessidade.

Ela olha para o pátio da igreja e, com o ar triunfante, diz:

― Amanhã, sairei daqui deixando o inferno para trás. Cada Ave-Maria e Pai-Nosso rezei em você, Padre. Me case com o Paulo, como combinado.

Ela faz o clérigo descer do carro, perplexo.
O motor ronca, a esperança se vai.
O homem fica, a fé esvai.

J. Gonçalves (25/12/2015)

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Sino da Salvação


Ela corre
Tá quase na hora
O coração pela boca
do estômago

Essas horas em que a morte nos sonda com sua foice
Fazem parte do tempo em que nos enxergamos crias
Cobertas de temores

Os suores percorrem
O delinear dos omoplatas
Escorregam entre os seios
e inundam o umbigo

As fiordes ameaçam adentrar
Seus anseios pela boca
Bolsa lacrimal
e anseios

Essas horas em que a sorte nos estala no coro o açoite
Fazem parte da chance que levam suplicas às nossas vias
Repletas de fervores

Chega a tempo e solta todo o fôlego
olha o relógio
e os sinos
gritam
Corre pelo escuro beco, alterna a
velocidade entre um badalo
e outro
Foice na nuca, alma nos pés
décimo primeiro grito
chaves nas mãos
Alcança a luz do fim do túnel
corpo em conflito
avista a porta
Corre pela vida e
o espírito
aflito
Abre e trancafia a madeira
respira fundo e num
riso de alívio:
Terça-feira já foi
Deus me ajude a
não encontrar o
meu destino na
viela morta

[...]

Porque no final das
contas a culpa é
sempre nossa

#PHpoemaday

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (24) - A Morte Anunciada

Sem Resposta


Oi. Tudo bem? Acho que sim, né? [microriso embaraçado] Acho que você vai ficar na dúvida do que isso significa, mas espero que no final de tudo entenda.

Vou morrer.

É... Eu sei que todos nós vamos morrer um dia. “É a única certeza da vida”, você disse. [microriso debochado] Mas, é aquilo que nós conversamos e você sabe que estou bem e aceito bem tudo isso. Acho... O que mais choca as pessoas é que eu nunca me importei. Meu corpo entrega minha idade, mas ninguém sabe, além de você lógico, que tenho mais de 200 anos. [ar de riso] É, até natural depois de tanto tempo convivendo, entender que é mais forte do que eu. Quando sabemos que vamos morrer, o choque na hora faz com que queiramos fazer tudo de uma única vez. Mas depois passa... E aí a gente vira normal outra vez.

Não tenha medo de falar o nome nunca mais. Tudo bem? Já te disse que não devemos acreditar que um nome mude completamente a nossa capacidade de viver feliz – ou é felizes? [...] nunca sei –. Geralmente damos a nossa vida por um nome qualquer, um nome de pessoa geralmente, e gritamos aos quatro ventos que não conseguimos mais viver sem. Eu acho isso tão perigoso já que viemos pra ter [...] – ou termos – uma vida tão curta. [tosse seca]

Desculpa! Por falar nisso... Não fica como eu, tá? Não dê tanta importância às coisas que as pessoas não entendem sobre você. Porque a gente vai ficar tentando e tentando mudar a cabeça deles, mas... Você sabe, as pessoas não querem ser dissuadidas. Elas querem ter razão. Aquele nosso diálogo sobre o bom dia, né? As pessoas não querem saber se você está bem. Bem que você disse: perceber isso, nos muda, mas não muda os outros. Não parte de fora, parte de dentro – e espero que antes que partam. [riso interrompido – engasgo]

E nesse eixo eu me ponho. Quantas vezes eu acreditei que já era uma pessoa morta? Quantas vezes conformada com a minha sina, não fiz contato visual e olhei de lado? E desliguei os sentidos para saber sobre o destino de Eurídice? E me controlei para não rir das piadas tão gostosinhas de ouvir? [voz embargada] Não queria morrer mais, sabe? Mas eu sei que agora é tarde. No final da vida a gente sempre quer mais vida – para corrigir os erros do não viver, eu acho –. [respira fundo – chiado sufocado]

Mas, eu sei quem é você. Eu te vi na fila do pão naquela terça-feira “às 17:08 da tarde”. [riso solto – tosse rasgada] Ou acha que ouvir você cantarolar o Último Romance passaria despercebido? [fungado aflito] Acho que não viveria diferente se voltasse alguns meses no tempo, mas iria querer estar naquela padaria sempre que pudesse voltar [fala carregada] e se pudesse mudar, a única coisa seria dar o beijo que você merece até hoje... [choro curto – respiração profunda] E que nunca o terá.

Foi fraqueza sim. Eu sei disso. Mas quem disse na vida que precisamos ser fortes é um imbecil, sabe? Ser forte é uma obrigação cruel. Quando não conseguimos [pausa – pega fôlego], o mundo se envergonha de nós. [pausa longa]

Eu daria aquele beijo antes, hoje, agora. Sempre me senti tão mais livre contigo, mas o medo de te fazer sofrer me fez mostrar indiferença. Que estupidez a minha. Piegas... Beijei babacas que não mereciam meu perfume no ar e... [voz sonolenta] Eu sei, não há mais o que fazer. É crueldade depois de tudo, mas eu não cons e g u i r i a... [silêncio]
Para a morte mão muda saber quando vamos morrer. Não tente fazer nada... Não t e n t e... [inspira profundamente]
Aceito morrer, só não aceito ir embora sem dizer o qua n t o e u t e a m...

► ____________________ 3:18
[recebida às 22:31]
[lida às 22:32]







• • •

[enviada às 22:36]                               
► ____________________ 0:18
 [recebida às 22:36]                              
(...)

[enviada às 22:37]                               
► ____________________ 0:13
[recebida às 22:37]                              
(...)

[enviada às 22:37]                               
► ____________________ 0:12
[recebida às 22:37]                              
(...)

[enviada às 22:38]                               
► ____________________ 0:15
[recebida às 22:38]                              
(...)

   [digitando...]                                         
                                        


#PHpoemaday

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (22) - A Miscigenação

Blues


Ele já havia percebido o comportamento, porém esperava uma posição. Sentado em sua poltrona ao som de uma rádio internacional, experimentava seu chá enquanto lia através de suas lentes a edição de domingo do The Guardian.

Nunca o fizera, mas nesta manhã em especial correu para as noticias policiais e depois as de esporte. Odiava pular as editorias, adorava obedecer a ordem, exata. Os cabelos loiros, recém-aparados, penteados para o lado, formando uma franja em onda, os fios milimetricamente organizados e apesar de horas após o banho ainda permaneciam úmidos.

Estava em frente a lareira em forma de moldura — uma sequência de fotografias mostravam uma linda família —. Pintara a sala inteira de branco e ainda respingava o aroma químico da tinta para madeira. Três sabres estavam dispostos equidistantes na parede às suas costas. Quadros de pintores impressionistas — não ingleses — iluminavam-se com o favor da porta e janelas abertas.

Ouviu barulho na cozinha e aguardou. Alguns minutos depois, ele vem.

Vestido como o vocalista do Sexy Pistols, cabelos arrepiados e tingidos de negro, couro em seu couro, correntes como armadura, espinhos de metal, brincos e piercings. Um lindo rosto trazendo um olhar ferino e um olho roxo contrasta com o verde-acinzentado natural. E, lógico, o essencial: um sorriso machucado de deboche escarnecedor juvenil. Acreditava ser a representação da anarquia, mas alegrava ao pai, sem saber, a beleza que a pintura de sua imagem produzia. Uma bagunça ordenada.

Puxa um banco, senta-se em frente ao homem que placidamente fita o jornal.

— Coroa, sabe o que é miscigenação?

— É uma palavra difícil inventada pra dar significado a algo sem relevância alguma.

— O senhor deveria saber que o dicionário diz que é cruzamento inter-racial que cria indivíduos com características diferentes e que... — O pai olha por cima dos óculos e aqueles longos olhos azuis rapidamente afogam toda a sala.

O filho, em estado de hipnose, vê seu próprio vulto refletido nos olhos do pai.
Perde a respiração por alguns segundos.

— Entendi.

O mais novo sai.
O mais velho vira a página.

É possível ver a notícia sobre uma briga de torcidas organizadas. A página 5 do caderno policial traz a manchete RACIST STREETWA... até onde o amassado permite.

O volume aumenta com o silêncio.
O som passeia pelo recinto.

"... I found a dream that I could speak to/
A dream that I can call my own..."

Desce lambendo o carpete cor de manga-larga.

"... I found a thrill to press my cheek to/
A thrill I've never known, oh yeah..."

Rodopia e escala a lareira pela lateral direita.

"... You smiled, you smiled oh and then the spell was cast..."

Acelera desfocando todas as fotografias e estaciona em uma linda mulher de longos e cacheados cabelos e o maior sorriso que uma vida pôde ter.

"... And here we are in Heaven/
For you are mine at last..."



#PHpoemaday

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (21) - Tsunami

Adeus Panteão



Um imensa fissura. Rachando todo o meridiano. Meia crosta afunda e um degrau a Poseidon é levantado (derrubando-o), rasgando ao meio Afrodite e Dionísio — desfalecendo Príapo —. As águas salgadas chovem rumo ao céu — da boca —.

Zeus grita do alto da tempestade. Regurgita Atena ao longe em eletricidade. No peito Ares, na alma Hades. Oceano inclinado, mais rápido que Hermes avança, revirando e explodindo cada superfície que tocar, inflamando os caminhos como os cavalos de Apolo. As setas de Ártemis tão certeiras, despertam apenas selvagens abissais do coração de Gaia, que adormecida, começa a sangrar — até a vida —. Erupções de Hefesto já cuspiam todas as armas do Inferno. Cronos congelado. Éolo, Boreas e Noto em colisão, estilhaçam Euro e Zéfiro num asfixiante turbilhão.

Não havia composição de Orfeu que aplacasse tamanha catástrofe. Nem beijo de Eros que acalentasse em qualquer estrofe. Ferido Morfeu e ostracizado Hipnos, quanto mais o firmamento era um espelho d'água, mais insuportável era a existência de Himeneu. E o nível do mar sobe impossível e sem razão e toma todos os sentidos espelhando-os em várias direções.

O tsunami eclode.

Arrasta...

R isO
    AleGriaPlaNos
       Momen toSPipoca Film es Ch oc
            OLate sBei JosFoto gRafi as Abr aÇo s ArrE                       piOsVerDadecariNhoCuidaDOPrAzeREsdeSCobertaFilMESsusPirOSjanTaressuR
preSasMUsicasLiVrOsViAgenssegredosfLoresC 
onFIa nÇaAm
O r



A ressaca vem e tudo draga de volta. Deixa o caos no lugar. Parindo a revolta.

E o mais inteligente dos filhos de Zeus decide a melhor questão para o melhor dos momentos: Está tudo bem? Podemos ser amigos agora?

Com os olhos marejados em calmaria e como se uma tragédia nunca irrompesse, a Musa responde delicadamente que será sem companhia que prefere ir embora.


#PHpoemaday




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (16) - A Beleza

Vitae


Fora um golpe perfeito. Lindo, limpo e sem precedentes. Atingiu-o em cheio no peito e inundou seu estômago de uma ânsia profunda.

Força alguma seria capaz de arremessa-lo num canto como agora. Calafrios elétricos percorrem cada centímetro de sua epiderme. Cada poro desesperando ser lavado e os suores atendendo ao pedido. Sua cerne invadida de uma fraqueza indescritível já abandona as esperanças.

Lágrimas vertem ao perceber que tudo está por um fio – aquele fio que o trespassara –. Tão novo, ainda tão garoto, retumbava a voz dos antigos: a batalha não permite pequenas falhas. Falhara. As pernas já sem resistência, derramadas sobre o chão frio de cimento temperado. Reputação entrecortada por soluços. Respiração ameaçada por vultos.

Então, no embaralhado do profundo oceano dos seus olhos, as primeiras gotas chovem de seu corpo. As mãos ainda grudadas ao colo, observa incrédulo: jorra vida do seu seio. Fascinado, percebe aquela cor tão única, sua, particular. Ambas as palmas lavadas de si mesmo; sente um prazer perpétuo. Não sabe mais se é, respira ou se existe. Sente que não é mais único; é o todo e a enchente que flui de seu ferimento – antes de morte – como queda d'água, colore o mundo com suas cores quentes. O aroma, não mais férreo, enche seus pulmões de ternura. A lâmina cravada no seu ser é absorvida. Se deixa arrastar pela correnteza que seu âmago formara.

Encontra o cais em meio ao mar de sua criação. Aporta, com a glória dum guerreiro que pela primeira vez sente a vitória em seu nome.
Num epitáfio para nova vida ele escreve, insone:

Aqui jaz um menino, pois não há beleza maior que meu próprio sangue.


#PHPoemaday

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (14) - O Ipê

Suspiros


Tenho que ser honesta contigo. No começo incomodava, depois ignorei. Achei que fosse um dos três: carente, vazio ou doente. Acontece o tempo todo. E eu estou cansada disso. Perco meu tempo e paciência; é um estorvo. Os piores são os apaixonados, na minha opinião.

Mas percebi, depois de um tempo a diferença. Eu entendo não querer falar comigo. No entanto, não consigo ficar longe. Sei que não era loucura sua, não era vazio existencialista, paixão adolescente. Depois de anos observando, aprendi a saber o que tu sentes. E agora faz falta aquela admiração, aquele respeito. Posso me sentar no teu leito... Ao teu lado? Não me olhes dessa forma. Ah! Esses castanhos sob a luz...

Sei, pedi que me apavorasse, mas eram outros tempos. Me aceitas na tua casa, como antes. Vês? Tens por mim um sentimento cativo. Vivo – não faça ar de riso – pelos cantos lembrando de tudo. Meu medo era que desistisses, afinal, não me consideravas inimiga. Diga: que mudanças uma única vida pode trazer? Afinal nascestes só e é sozinho que encontrarás teu destino. Tua parte já fora feita. O que mais queres? Eu estou presente, sempre. E espero mais um presente. Daqueles que me fazem chorar as vidas que nunca tive. Daqueles que me fazem amar impossivelmente.

Não és como antes e ignoras-me. Porém, sabes que cá estou. No canto do cômodo, vendo tua fome e sede, teu cansaço e dor... Sabendo que não é pra mim teu sacrifício – amém! –. É vívido teu suplício e eu o testemunho. Óh! Desculpe te tocar... Eu sei, esse frio... É que não suportei teu semblante esguio. Me olhas, dispara, reclama; prefiro. Não vais mesmo, falar? Leio seus pensamentos se quiser, mas quero sua voz.

Me afasto se queres levantar. 
Te acompanho se queres caminhar. 
O belo bosque. Teu lugar de suspirar.

– Vês esta árvore linda, frondosa, colorida... Magnífica, não é? É o ipê. Conheces?

– Que bom ouvir-te novamente. Sim. Mas o que queres dizer?

– Minha filha ainda não conhece metade da beleza que merece... Não espero que entendas, mas aceite o porquê comecei a te temer.

[...]

– A vida nas tuas mãos. Somos iguais então.


#PHPoemaday

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (04) - A Metonímia

Identidade

Quem sou eu? Me perdoe a retórica, mas quem é você?

Já fui título, titular e ex 
Já fui óculos, poesia e freguês 
All Star, apoio e, se pensar, suave-encosto... 
Lugar, ideia, ninguém 
Melhor beijo do mundo, sexo da vida e, quiçá, o pior de alguém


Mas eu, quem sou? E você, já se ousou?

Me vi ser Garotos II e Os Outros, com traços de O Vencedor 
Transformado no que estudo, pesquiso e até meu trabalho 
Contos, livro e até ato falho 
Já fui meus olhos, minha boca, meu sorriso, meu humor
e meu senso (seja ele qual for)...

Já fui nome e o meu nome já foi...
Mas hoje:

 "Ô, entrega! O 60602[...] está aqui." - o uniforme autômato me anuncia.

[avalia documento trazido a hipotermia]

 "Bem vindo de volta a sociedade, amigo.".

 "Obrigado... Eu acho." - é só o que digo.



#PHpoemaday

sábado, 8 de agosto de 2015

Era Um Garoto (IV) - Filosofando (Des)controle

O Controle vs Descontrole

(DES)CONtrole...

Pensar na questão me faz ter dores de cabeça. Controlar é algo difícil. É sim! Fazemos planos e acertamos as metas. Tudo ôuquêi. Desvencilhamo-nos de vícios, daquilo que nos prende, fazemos sacrifícios; vamos nos fechando para o prazer do sentir – ora! O sentir é o aqui e agora –. E tomamos estas decisões pensando no futuro. Seja ele certo, seja ele obscuro. O que for. Afinal, é nesse ponto que o controle me dá as enxaquecas morais. Como queria meu senso crítico acreditá-las assim como parecem; triviais. Não são.

Saiu da mão e puft, acabou a ilusão do controle. Aliás, mera ilusão, pois mesmo em posse ninguém pode garantir que é pleno o governo sobre. Geralmente este poder permanece sob. Li em algum lugar que é atraente o homem que mantem-se dono de suas emoções e não as deixam dominá-lo. Concordo que é ridículo alguém que transforma um versículo em um dramalhão mexicano. Discordo que homens e mulheres precisem negar os sentimentos e as sensações por parecer leviano. Ou talvez, neste momento, eu cometa um ledo engano por simplesmente não ter entendido o propósito da vida plenamente.

Temer o desconhecido é natural ao ser humano
O medo do desconhecido talvez explique o pavor ao descontrole e a aversão ao caos natural


Aí, provoca o pensamento: Como por na balança uma dicotomia de radical igual (antonimado por um prefixozinho sem-vergonha)? Como equilibrar e ponderar? Porque descontrole só é bem aceito, por exemplo, num relacionamento, quando a moeda de troca é também se descontrolar. Não há essa coisa de controle. Há a experiência de viver e entender que podemos amenizar os dessabores, mas tentar podar os riscos em qualquer prova limita também os sabores. É recolher a língua ao provar algo quente temendo, no calor, as dores. Só que pode ser algo delicioso, único e inexplicável. Inexperimentável a não ser por esse sentido.

Quando nada se encaixa do jeito que queriamos... Piramos.
Nós (pessoas) e nossa mania em querer que tudo se encaixe

Pois é... É vivendo, mesmo. Não andando a esmo ou nos ermos. Penso nesse ponto quando o [crtl]+ algo vem à minha mão. Mas, espero pelas consequências insaciáveis da vida – afinal, alguém pode desistir de sugar dela, mas ela nunca desiste de consumir quem se movimenta   (ou mesmo quem apenas espera).


Caos é o que não podemos controlar

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crônicas do Frio (25) - A Realeza

A Realeza (Descartável) #1

Majestaaade... Perdão? Ah! Não sabia que minha reverência não tinha importância. Deveras, estou eu sempre a postos como um cão e dependente como uma criança. Mas, quem dera, sou apenas serviçal e faz parte do meu ofício banal trata-lo como um ser sem igual. Hmmm... Vejo que não mais te interessas por aquilo que prometestes mundos para possuirdes. “Tudo passa” é o que dizes? Então é lei o que dizes... Oh! Nosso rei!

A plebe pede mais deixar-se afetar e menos... Afetação? Ah! Não penses tal desdouro de teu servo. Só porque não sou tão belo e sábio como vós, não significa escárnio o bem querer sincero. No entanto, é claro e com espanto que o povo nota a diferença. Nas canções de outrora tão vívido e hoje, dizem, fria sua presença. Entendo... E estou sempre contigo bem o sabes, porém o que sucedeu a angústia e entrega que apregoavas? Soube que as proíbes... "Não temos tempo" é o que dizes? Então é a lei o que dizes... Oh! Nosso rei!

Não é cinismo, senhor dos senhores... O que é então? Ah! Devo sussurrar ao teu ouvido para que ninguém ouça e pense que sou um atrevido. Ontem enaltecido e revigorado eras... Hoje, míope velhaco agindo como as feras. Desculpe, não sou eu quem o diz... As paredes falam e ecoam no beco aprendiz. Aliás, a singela comparação bestial, não é por mal... É pela desinteligência emocional. Perdoe o arraial, Olimpo de todos os reinos, mesmo em descrédito, saiba é em ti que eu creio... “Desapegar é o que há” dissestes isto? Então é a lei o que tens dito... Oh! Nosso rei!

Deixe esse pobre bufão ignorante entender-te, Oh! Senhor de todos os homens. Por que devoras hoje algo que não tem nome? Por que não mais salvas a mais bela donzela? Por que não mais, atravessado pela seta, expressas homenagem singela? Por que hoje somes no teu trono ao invés de ganhar mais um coração? Por que não mais escrever canções e exaltas a ti como única salvação? Por que te entregas à ira, luxúria, preguiça e a avareza? Por que não és mais soberano, mesmo no alto dessa realeza? Ouço as invocações e evocações que lá de baixo vem a ti. Vejo as insanidades ainda cometidas de quem quer sua benção para si... Faça entender a esse jovem menestrel. Em que momento abandonastes o penhor em ser amável...? “Quando o homem me tornou descartável” dissestes o impensável? Então é a lei, mesmo sendo abominável... Oh! (...)

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A Realeza (e a Plebe) #2

Bebo você. Te tomo inteira. Te absorvo até a fisiologia dizer chega. E arfar sofregamente. Num gemido exigente... Em busca do ar.

Assalto o que é teu. Te torno minha totalmente. Te arranco o véu e desnudo ferozmente. E febril faço o Céu do seu corpo. Me rasgue o dorso mais um pouco. Um revide satisfeito no prazer da dor... Que pensas causar.

Devoro teu ser. Te provo em tudo e em detalhe. Te abocanho o juízo e me delicio em cada curva em toda parte. E invado a tão gentil fortaleza. Ao reino terremotos, tempestades... Um plebeu adentrou a realeza.

Envolvo o teu-meu. Te acolho frágil e meiga. Te enlaço cansaço-em-cansaço. E misturo humores em gentil compasso. Um perder-se para sempre em ti: eu, vagabundo... Você, princesa.



#PHpoemaday

terça-feira, 16 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 16) - A Febre

A Febre


Adentra o Desespero carregando nos braços a Esperança às portas do Hospital. O corpo dela grita: algo não está normal.
O jaleco sem rosto explica: calma, isso é coisa casual.


Trancada no quarto a Solidão arrastando pelos pulsos mais um Sísifo montanha abaixo rumo ao destino fatal. A mente dele grita: algo não está normal.

Os olhos na TV da sala afirmam: calma, isso é coisa hormonal.

Irrompe o Choro jorrando da boca a Miséria na esquina de uma igreja santamente infernal. O estômago dele grita: algo não está normal.

Os homens de lata abatinados e seu gado cospem: calma, isso é coisa trivial.

Invade o Traiçoeiro a Independência arduamente conseguida. Dilacerando corpo, espírito e a dignidade feminal. O último mal da caixa de Pandora grita: algo não está normal

Os juízes dos bons costumes de alma ressecada apontam a vítima e atestam: calma, isso é coisa proposital.

Persegue a Inocência a Justiça irrepreensível, incontestável, abismal. Trovejam gerações, jornais, pais em apelo sem igual. Vitae verte e escorrendo pelo asfalto grita: algo não está normal

O colarinho engravatado e esvaziado em pronunciamento anuncia: calma, isso é coisa acidental.

Injeta a Morte uma fuga dentro das veias nos guetos e leva embora dor, medo e sonho de forma habitual. A convulsividade mórbida grita: algo não está normal.

Os arreios enclausurados em seus carros se convencem: calma, isso é coisa sazonal.

Desfalece a Impotência agarrada ao Efeito Colateral na sala de espera do hospital. O corpo dele (...) é só corpo.

O jaleco sem rosto aos olhares vorazes identifica: calma, isso é coisa natural.


#PHpoemaday

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 12) - O Equilibrista

(P.S: Mudei o gênero por conta da inspiração [rs])

"A" Equilibrista


Adolescente, mãe. Inconsequente, mãe novamente. 
Se une inocente por ser mãe. Maturidade vinda previamente. 
Percebe a vida, mãe. Independente, olhos à frente. 
Trabalha inda criança e mãe. Com duas crianças, segue resistente. 
Separa, prossegue mãe. Responsabilidade surge frequentemente. 
Apaixona e mais uma vez mãe. Adulta, acredita no amor firmemente. 
Dois meninos, uma menina: mãe. Emprego, lar e leito, mulher persistente. 
Vítima de canalha por ser mãe. Foge, revida, mulher combatente. 
Viaja e recomeça, mãe. Filhos a tiracolo, mãe é permanente. 
Labora e protege, mãe. Cuidar dos filhos, da própria mãe e permanecer atraente. 
Compra casa, paga as contas, mãe. Às crias: educa, se sacrifica, futuro diferente. 
Precisa viver, mãe. Casa novamente, muito mais exigente. 
Mais um rebento, mãe. Desdobra, multiplica, mulher definitivamente. 
Não pode do esposo ser mãe. Outro reinicio mulher imponente. 
A vida leva dela o primogênito e a mãe. Arrancado um pedaço, mulher impotente. 
Reergue, arrasada, mãe. Filhos, responsabilidades, mãe ininterruptamente. 
Luta, batalha, mãe. Deusa equilibrista, mulher simplesmente.


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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Crônicas do Frio (Dia 4) - O Silêncio

O Silêncio

Pára tudo, cessa tudo, o vazio, o vazio, sem um som, um só som e à mente um desafio:

(...)

Todo silêncio precisa ser preenchido.

Só no mundo, só com todos, só no quarto, tão sozinho, tão sozinho, fone ao ouvido e à rádio um desafio:

(...)

Todo silêncio precisa ser preenchido.

Míngua diálogo, sem assunto, olhar que foge, olhos que buscam, respiração forte, respiração densa, lábios secam e ao desejo um desafio:

(...)

Todo silêncio precisa ser preenchido.


#PHpoemaday