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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (02) - A Lâmina

A Primeira Vez


Penetrou-lhe a garganta. Por dentro. Mão na base; cabo. Pôs adentro aos poucos, lágrimas brotaram a cada centímetro engolido.

A respiração quase um fardo. A língua teimosa resvalava na dureza sinuosa. E o resto do corpo respondia. As narinas ardiam temerosas e a úvula à míngua. Queixo levantado e suplica desejosa, sustentando o beijo mordaz de uma boca audaciosa.

Olhos não mais no objeto; no teto, lacrimejavam a luxúria implacável do público que assistia e - boquiaberto - inconfessavelmente, pedia: "que jorre o liquido sagrado e nos satisfaça plenamente".

Totalmente tragada pela bainha, finalmente. De fora apenas o talo e as mãos em regalo, braços abertos, formavam a cruz. Da platéia os aplausos e euforia expelida. Puxa de si a lâmina que ameaçou sua vida. Se curva o faquir regozijado e no sorriso o alívio; à sua arte fez jus.



#PHPoemadayJune

terça-feira, 30 de junho de 2015

Crônicas do Frio (30) - A Exaustão

A Exaustão (O Castelo de Cartas) 2/2

Olhos fechados. O mundo pára. Irrompe toda a torrente de desejos e faz pontos do corpo contraírem involuntariamente... Como que sendo acariciados por eletrochoque. O som do notebook caindo no chão os desperta. Marjorie sentada no colo de Henry quase sem regata e camisa. Ele com os botões da camisa estourados e o peito arranhado. Ambos arfam suplicando ao ar mais vida e embebidos em desejo.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crônicas do Frio (29) - A Combustão


A Combustão (Castelo de Cartas) 1/2

– Ah! Foda-se!

E saiu cicloneando pela casa! Derrubando tudo que via pelo caminho até a porta, rumo à liberdade. Odiava com todas as forças não ter o respeito de um adulto e ao mesmo tempo em que perdia (gradativamente) os privilégios em ser criança. É a maldição da idade. Esvaziou a casa da sua presença e caminhou em passos firmes, apontando o nariz para o horizonte. Não fazia mais sentido o quê de toda a discussão, mas tinha uma convicção: eles não tinham culpa. Estava em combustão. Bem o sabia e deixava o instinto guiar seu corpo até a fonte.

* * *