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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Era Um Garoto (XIII) - Afastamento

"Era uma despedida de ti, intencionalmente prolongada, com a peculiaridade 
que ela, apesar de imposta por ti, corria na direção que eu determinava"
(KAFKA, Franz. Carta ao Pai)


Afasto



"É uma característica do signo", me disseram. Ué! Tem uma galera que acredita na máxima que inventei agora "geminianos são brisa e tornado quando dá na telha". Prefiro, particularmente, a ideia da autonomia e maturidade emocional. Que, convenhamos, tá longe de ser plena a senhora maturidade. Mas, inevitavelmente uma hora rola um certo afastamento.

De repente a pessoa some. Não liga, não manda mensagens, não whatsappeia... Quando adolescente essa característica era descrita com um adjetivo: antissocial. Mas, contraditoriamente, a sociabilidade tão natural contrasta com essa, digamos, peculiaridade.

Ter a duplabilidade (neologismo?) de saber aproveitar a solidão e aproveitar momentos na companhia de alguém, viver surfando nessa quase-dicotomia, não é tão difícil quanto parece. Ao menos pra mim. Difícil é explicar o porquê. Mas, não custa tentar. Afinal, talvez responda os afastamentos alheios, também. Geralmente ocorrem por dois motivos: de forma indireta e/ou direta.


Afastamento

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (02) - A Lâmina

A Primeira Vez


Penetrou-lhe a garganta. Por dentro. Mão na base; cabo. Pôs adentro aos poucos, lágrimas brotaram a cada centímetro engolido.

A respiração quase um fardo. A língua teimosa resvalava na dureza sinuosa. E o resto do corpo respondia. As narinas ardiam temerosas e a úvula à míngua. Queixo levantado e suplica desejosa, sustentando o beijo mordaz de uma boca audaciosa.

Olhos não mais no objeto; no teto, lacrimejavam a luxúria implacável do público que assistia e - boquiaberto - inconfessavelmente, pedia: "que jorre o liquido sagrado e nos satisfaça plenamente".

Totalmente tragada pela bainha, finalmente. De fora apenas o talo e as mãos em regalo, braços abertos, formavam a cruz. Da platéia os aplausos e euforia expelida. Puxa de si a lâmina que ameaçou sua vida. Se curva o faquir regozijado e no sorriso o alívio; à sua arte fez jus.



#PHPoemadayJune

domingo, 30 de novembro de 2014

Percebo (II) - Insatisfação Pessoal e Imagem Social

É impossível satisfazer as pessoas - a não ser que elas queiram ser satisfeitas

Em novembro de 2013, li Kafka e inferi o quanto hipervalorizamos a opinião de terceiros - tornamos o simples complexo demais para satisfazermos uma necessidade nossa de sermos únicos e sublimes aos olhos alheios

Nosso ceticismo quanto aos bons predicados que nos imputam nos tornam escravos do Status Quo eterno. Sem pensarmos num conceito transformador da forma natural como a vida deveria ser. Em eterno movimento.
Percebi ao ir à loja Imaginarium próximo ao dia 15 do penúltimo mês do ano passado que dizer: "passo sempre aqui e olho pra ver se tem algo que me arrebata." intimidava qualquer vendedor. Soube que sim desde a primeira vez que utilizei este método, mas não entendia o porquê. Então li "Primeira Dor", "Um Artista da Fome" e "Josefine - A Cantora (ou O Povo dos Ratos)" e entendi:

Não é possível satisfazer as pessoas. É impossível... A não ser que elas queiram ser satisfeitas.