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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

21 de Janeiro - Primeiro Dia de Aquário

"Você não é como os outros. Eu vi alguns; eu sei. Quando eu falo, você olha para mim.
Ontem à noite, quando eu disse uma coisa sobre a lua, você olhou para a lua. 
Os outros nunca fariam isso.
Os outros continuariam andando e me deixariam falando sozinha.  
Ou me ameaçariam.
Ninguém tem mais tempo para ninguém. 
Você é um dos poucos que me toleram. 
É por isso que eu acho tão estranho você ser bombeiro. 
É que, de algum modo, não combina com você"
(MCCLELLAN, Clarisse. [BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451, 1953])




Nada mais fluído...

Já que o texto também fala de humores.

Quanto mais o tempo passa, mais vontade de escrever autobiografia tenho. Maldito ego huehue. Infelizmente, elas envolvem terceiros, que no fim, não merecem exposição por um… escritor medíocre. Aliás, abaixo da média muitas vezes.

No entanto, escrever é mais emoção que gramática na maior parte do tempo. É mais leitura e entrega, mais viver e sentir, experimentar e derramar-se (quando não há mais espaço pra guardar os humores das dores) do que qualquer outra coisa. Por exemplo: penso nas palavras que preenchem esse já não mais branco documento de texto, ouvindo Volver - Acima da Chuva.

E como uma confissão gratuita: eu choro, sim. 


Bem, não é tão gratuita assim.

Um frame na memória se torna toda a memória

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Era Um Garoto (X) - "North Remembers"

Agora Posso Voltar
Quem um dia irá dizer que não existe razão
nas coisas feitas pelo coração?

(RUSSO, Renato. Eduardo e Mônica. 1986)




North ever forgives & never forgets

Escrever é pra todos. Fazer sentir com o que está escrito é um dom pra poucos. Dentro dessa perspectiva, eu falhei miseravelmente em concluir o desafio a que me propus no mês de Junho — o PH Poemaday —. Na real? Tava frustrado com a minha falta de inspiração e meio triste comigo mesmo.


"Eu não fiz questão de estar aqui, nem mesmo de participar..."


domingo, 5 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (05) - Os Pecados

A Quebra da Quarta Parede

(A Revolta do Pecado)

O Senhor Pecado – Original
Viajou no tempo
Deslizando ao passado – Cardinal
Perscrutou o anjo

Cabeça coçando
Queixo roçando
Olhar recriminando

E para aquele monte – Colossal
Voou sem alento
Divagando a sorte – Abismal
Fulminou o ex-arcanjo

Hey, leitor!
Acompanhe comigo
Deus tudo criou
Mas sem defesa
Há pena; é pena
Filho do filho não sou
Que culpem a culpa
Pois as transgressões
Não é o transgressor
Aconselho o inimigo
Já que o porvir
Está todo f... Né?


Futuro revelado
Conselho mecenas
Esgar revoltado
Depois que é dito:


– Lúci, seje menas!



#PHpoemadayJune

sábado, 4 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (04) - A Cicatriz

Alto Relevo


Quero você em mim profunda
mente

Para quando tempo
dores e des
sabores

Te arracarem de mim
A cicatriz em re
levo

Me guarde de esquecer
Cada mal benevo
lente

Que te amar fez
pela minha vi
vência


#PHPoemadayJune

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (30) - Um Tema Passado

Signo de Ar


Se me permites a apresentação, eu sou Eu. O prazer é meu, Você. Desculpe a bagunça. Eu sei que tudo aqui é uma confusão. Peço um pouco de paciência, coisa difícil nos dias aonde a onisciência é uma extrema necessidade exigida para ser ignorada – pois, em todos os lugares vemos donos da verdade (e graças dou às exceções) –, para que faça algum sentido atravessar este portão. Difícil entender a minha cognição, não? É. Desejo-te boas-vindas ao olho do furacão. Quando soube que Você queria conhecer o meu universo, não acreditei. Confesso: quando converso sobre quem é Eu, causo espanto e encanto. E é pelos cantos que traços meus pontos, não sou lá fã de ser o centro. Dar atenção é mais meu recanto.

É. Este é o Auto-Retrato. Gosto de me olhar no ontem para entender melhor quem sou.

Não sabe onde ficar, Você? É o caos, é o caos. É mosaico do meu ser. Venha, sente-se aqui. Deixe-me preparar um café. Quando subi para a estação de metrô, foi que vi tudo acontecer, sabe? As cores misturando, pessoas arrastadas por suas coleiras virtuais, senti uma força me sugando para outra dimensão e minha mente já estava em... O quê? Ah, desculpe! Às vezes incinero a largada ou passo o bastão entre uma modalidade e outra – mesmo que a pessoa não tenha testemunhado o início da primeira –. É uma sina.

Sim. É o Cárcere. Mantenho-o perto de mim para saber que a qualquer momento posso errar aonde vou.

Mas, contextualizando, me vi novamente neste fatídico dia no mesmo lugar, no mesmo horário, no mesmo caminho, cercado dos mesmos rostos. Que já me reconheciam (mas não conheciam), que já mediam meus passos, que já aspiravam minha pele, que já pouco me agregavam, que me faziam cada vez mais robotizado. Preciso de mais. E pelas veias multicoloridas desse multiverso subterrâneo, mudei dois tons. É o caos, é o caos. Contei cinco ciclos de minutos para aspirar novos sons. É mosaico do meu ser. Não me repetir faz parte da minha essência. É uma sina. E eu compreendo que no final, a escolha é o mesmo destino. O objetivo não é desatino. Então é eco e o círculo antes aberto, agora jaz fechado. Percebi que é no caminho que evoluímos. É nas facetas do nosso ser em outros mundos – um segundo de diferença e a realidade é completamente diferente –. É, Você. Não sou fã de ser centro, apesar de ser centro de certos cantos. Não tem como fugir das responsabilidades de não ser santo. Se não há ancoradouro? Sempre há! Já não o disse? Perdão. Existem, sim, nossos destinos de salvação.

Isso. O Silêncio. Não consigo entender como viver dentro dele, porque ele inexiste onde estou.

O desespero que me faz não ser um tema passado acaba me reprisando em ser presente em mim. E ter que ser Eu e provar o eu que sou é cansativo para quem me vê. Vejo seus olhos brilharem e amo esse fulgor, Você. Porém, você tem que entender o castanho como a cor mais bela. Tome aqui uma cerveja, brinde comigo! O café? Ah... Verdade, não é? É o caos, é o caos. Que move o que sente, que dá temperatura a canções, que imprime desejos à flor da pele. Estamos nesse exato momento em outro tempo do que começamos. É mosaico do meu ser. Adorei o seu sorriso. Amei esse beijo entregue, profundo. Mesmo, antes. Quando acontecido só na nossa mente. Melhor agora, fora do relicário que a Cássia cantou. Vamos sair. Vem comigo. Deixa eu te mostrar como vejo o mundo.

(cont.)


#PHpoemaday

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (18) - A Tocha

Eu que não fumo


Pensei em ascender
Lembrei de coisas que não deveria lembrar
Tão honesto e tão bonito
como as palavras caem bem
Também derrubam

Eis que ser hiato arrasa a alma
Certos olhares devemos esquecer
Elevar o levar acima de mim
Pelo prazer de admirar
Lambido ser pelas madeixas do destino
O arcos e íris vindos de cima

Pensei em acender
Lembrei de cigarro e de Engenheiros
Do prazer que sobe pela coluna cervical 

Após abandonar os pulmões
E inundar o cérebro de tranquilidade

Do deliciar que bate
no martelo e bigorna
e sobe pelo acústico
Tão bom sincero e tão perfeito que dói

Tê-lo lúcido ou sóbrio tanto faz
Atos que já me fizeram ouvir que destrói
Hoje me corroem
A tocha esta acesa
Mas não aquece
Meu coração

[por quantas vidas durarei então?]



#PHpoemaday