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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Era Um Garoto (X) - "North Remembers"

Agora Posso Voltar
Quem um dia irá dizer que não existe razão
nas coisas feitas pelo coração?

(RUSSO, Renato. Eduardo e Mônica. 1986)




North ever forgives & never forgets

Escrever é pra todos. Fazer sentir com o que está escrito é um dom pra poucos. Dentro dessa perspectiva, eu falhei miseravelmente em concluir o desafio a que me propus no mês de Junho — o PH Poemaday —. Na real? Tava frustrado com a minha falta de inspiração e meio triste comigo mesmo.


"Eu não fiz questão de estar aqui, nem mesmo de participar..."


sábado, 4 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (04) - A Cicatriz

Alto Relevo


Quero você em mim profunda
mente

Para quando tempo
dores e des
sabores

Te arracarem de mim
A cicatriz em re
levo

Me guarde de esquecer
Cada mal benevo
lente

Que te amar fez
pela minha vi
vência


#PHPoemadayJune

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


Alguns infinitos são maiores que outros
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (30) - Um Tema Passado

Signo de Ar


Se me permites a apresentação, eu sou Eu. O prazer é meu, Você. Desculpe a bagunça. Eu sei que tudo aqui é uma confusão. Peço um pouco de paciência, coisa difícil nos dias aonde a onisciência é uma extrema necessidade exigida para ser ignorada – pois, em todos os lugares vemos donos da verdade (e graças dou às exceções) –, para que faça algum sentido atravessar este portão. Difícil entender a minha cognição, não? É. Desejo-te boas-vindas ao olho do furacão. Quando soube que Você queria conhecer o meu universo, não acreditei. Confesso: quando converso sobre quem é Eu, causo espanto e encanto. E é pelos cantos que traços meus pontos, não sou lá fã de ser o centro. Dar atenção é mais meu recanto.

É. Este é o Auto-Retrato. Gosto de me olhar no ontem para entender melhor quem sou.

Não sabe onde ficar, Você? É o caos, é o caos. É mosaico do meu ser. Venha, sente-se aqui. Deixe-me preparar um café. Quando subi para a estação de metrô, foi que vi tudo acontecer, sabe? As cores misturando, pessoas arrastadas por suas coleiras virtuais, senti uma força me sugando para outra dimensão e minha mente já estava em... O quê? Ah, desculpe! Às vezes incinero a largada ou passo o bastão entre uma modalidade e outra – mesmo que a pessoa não tenha testemunhado o início da primeira –. É uma sina.

Sim. É o Cárcere. Mantenho-o perto de mim para saber que a qualquer momento posso errar aonde vou.

Mas, contextualizando, me vi novamente neste fatídico dia no mesmo lugar, no mesmo horário, no mesmo caminho, cercado dos mesmos rostos. Que já me reconheciam (mas não conheciam), que já mediam meus passos, que já aspiravam minha pele, que já pouco me agregavam, que me faziam cada vez mais robotizado. Preciso de mais. E pelas veias multicoloridas desse multiverso subterrâneo, mudei dois tons. É o caos, é o caos. Contei cinco ciclos de minutos para aspirar novos sons. É mosaico do meu ser. Não me repetir faz parte da minha essência. É uma sina. E eu compreendo que no final, a escolha é o mesmo destino. O objetivo não é desatino. Então é eco e o círculo antes aberto, agora jaz fechado. Percebi que é no caminho que evoluímos. É nas facetas do nosso ser em outros mundos – um segundo de diferença e a realidade é completamente diferente –. É, Você. Não sou fã de ser centro, apesar de ser centro de certos cantos. Não tem como fugir das responsabilidades de não ser santo. Se não há ancoradouro? Sempre há! Já não o disse? Perdão. Existem, sim, nossos destinos de salvação.

Isso. O Silêncio. Não consigo entender como viver dentro dele, porque ele inexiste onde estou.

O desespero que me faz não ser um tema passado acaba me reprisando em ser presente em mim. E ter que ser Eu e provar o eu que sou é cansativo para quem me vê. Vejo seus olhos brilharem e amo esse fulgor, Você. Porém, você tem que entender o castanho como a cor mais bela. Tome aqui uma cerveja, brinde comigo! O café? Ah... Verdade, não é? É o caos, é o caos. Que move o que sente, que dá temperatura a canções, que imprime desejos à flor da pele. Estamos nesse exato momento em outro tempo do que começamos. É mosaico do meu ser. Adorei o seu sorriso. Amei esse beijo entregue, profundo. Mesmo, antes. Quando acontecido só na nossa mente. Melhor agora, fora do relicário que a Cássia cantou. Vamos sair. Vem comigo. Deixa eu te mostrar como vejo o mundo.

(cont.)


#PHpoemaday

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (28) - A Conquista

Presa Primal


Sou um animal
Não tenho dono
Não me domo
Não há domo
Que me
enjaule

Encoleires-me
Encolerizes-me

Tenho passos no tempo
Tenho olhos no espaço
E quando me vês
Já saboreio tua tez
Fincando a presa
primal

Desafies-me
Desafines-me

E se disfarça a presa
De caça a predador
E provoca o cortejo
Aproxima o desejo
É a fera solta que
conquistas

Libertes-me
Libertines-me



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Conquista em Fá Bordão



Eu, caminho de mim
Tu, destino sem fim
Ele, Pierrot em cetim
Nós, Colombina e Arlequim
Vós, amor vestindo carmim
Eles, fá bordão em bandolim

#PHpoemaday

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (21) - Tsunami

Adeus Panteão



Um imensa fissura. Rachando todo o meridiano. Meia crosta afunda e um degrau a Poseidon é levantado (derrubando-o), rasgando ao meio Afrodite e Dionísio — desfalecendo Príapo —. As águas salgadas chovem rumo ao céu — da boca —.

Zeus grita do alto da tempestade. Regurgita Atena ao longe em eletricidade. No peito Ares, na alma Hades. Oceano inclinado, mais rápido que Hermes avança, revirando e explodindo cada superfície que tocar, inflamando os caminhos como os cavalos de Apolo. As setas de Ártemis tão certeiras, despertam apenas selvagens abissais do coração de Gaia, que adormecida, começa a sangrar — até a vida —. Erupções de Hefesto já cuspiam todas as armas do Inferno. Cronos congelado. Éolo, Boreas e Noto em colisão, estilhaçam Euro e Zéfiro num asfixiante turbilhão.

Não havia composição de Orfeu que aplacasse tamanha catástrofe. Nem beijo de Eros que acalentasse em qualquer estrofe. Ferido Morfeu e ostracizado Hipnos, quanto mais o firmamento era um espelho d'água, mais insuportável era a existência de Himeneu. E o nível do mar sobe impossível e sem razão e toma todos os sentidos espelhando-os em várias direções.

O tsunami eclode.

Arrasta...

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    AleGriaPlaNos
       Momen toSPipoca Film es Ch oc
            OLate sBei JosFoto gRafi as Abr aÇo s ArrE                       piOsVerDadecariNhoCuidaDOPrAzeREsdeSCobertaFilMESsusPirOSjanTaressuR
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A ressaca vem e tudo draga de volta. Deixa o caos no lugar. Parindo a revolta.

E o mais inteligente dos filhos de Zeus decide a melhor questão para o melhor dos momentos: Está tudo bem? Podemos ser amigos agora?

Com os olhos marejados em calmaria e como se uma tragédia nunca irrompesse, a Musa responde delicadamente que será sem companhia que prefere ir embora.


#PHpoemaday