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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

21 de Janeiro - Primeiro Dia de Aquário

"Você não é como os outros. Eu vi alguns; eu sei. Quando eu falo, você olha para mim.
Ontem à noite, quando eu disse uma coisa sobre a lua, você olhou para a lua. 
Os outros nunca fariam isso.
Os outros continuariam andando e me deixariam falando sozinha.  
Ou me ameaçariam.
Ninguém tem mais tempo para ninguém. 
Você é um dos poucos que me toleram. 
É por isso que eu acho tão estranho você ser bombeiro. 
É que, de algum modo, não combina com você"
(MCCLELLAN, Clarisse. [BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451, 1953])




Nada mais fluído...

Já que o texto também fala de humores.

Quanto mais o tempo passa, mais vontade de escrever autobiografia tenho. Maldito ego huehue. Infelizmente, elas envolvem terceiros, que no fim, não merecem exposição por um… escritor medíocre. Aliás, abaixo da média muitas vezes.

No entanto, escrever é mais emoção que gramática na maior parte do tempo. É mais leitura e entrega, mais viver e sentir, experimentar e derramar-se (quando não há mais espaço pra guardar os humores das dores) do que qualquer outra coisa. Por exemplo: penso nas palavras que preenchem esse já não mais branco documento de texto, ouvindo Volver - Acima da Chuva.

E como uma confissão gratuita: eu choro, sim. 


Bem, não é tão gratuita assim.

Um frame na memória se torna toda a memória

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


Alguns infinitos são maiores que outros
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (21) - Tsunami

Adeus Panteão



Um imensa fissura. Rachando todo o meridiano. Meia crosta afunda e um degrau a Poseidon é levantado (derrubando-o), rasgando ao meio Afrodite e Dionísio — desfalecendo Príapo —. As águas salgadas chovem rumo ao céu — da boca —.

Zeus grita do alto da tempestade. Regurgita Atena ao longe em eletricidade. No peito Ares, na alma Hades. Oceano inclinado, mais rápido que Hermes avança, revirando e explodindo cada superfície que tocar, inflamando os caminhos como os cavalos de Apolo. As setas de Ártemis tão certeiras, despertam apenas selvagens abissais do coração de Gaia, que adormecida, começa a sangrar — até a vida —. Erupções de Hefesto já cuspiam todas as armas do Inferno. Cronos congelado. Éolo, Boreas e Noto em colisão, estilhaçam Euro e Zéfiro num asfixiante turbilhão.

Não havia composição de Orfeu que aplacasse tamanha catástrofe. Nem beijo de Eros que acalentasse em qualquer estrofe. Ferido Morfeu e ostracizado Hipnos, quanto mais o firmamento era um espelho d'água, mais insuportável era a existência de Himeneu. E o nível do mar sobe impossível e sem razão e toma todos os sentidos espelhando-os em várias direções.

O tsunami eclode.

Arrasta...

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    AleGriaPlaNos
       Momen toSPipoca Film es Ch oc
            OLate sBei JosFoto gRafi as Abr aÇo s ArrE                       piOsVerDadecariNhoCuidaDOPrAzeREsdeSCobertaFilMESsusPirOSjanTaressuR
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A ressaca vem e tudo draga de volta. Deixa o caos no lugar. Parindo a revolta.

E o mais inteligente dos filhos de Zeus decide a melhor questão para o melhor dos momentos: Está tudo bem? Podemos ser amigos agora?

Com os olhos marejados em calmaria e como se uma tragédia nunca irrompesse, a Musa responde delicadamente que será sem companhia que prefere ir embora.


#PHpoemaday