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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Crônicas do Frio II (16) - A Beleza

Vitae


Fora um golpe perfeito. Lindo, limpo e sem precedentes. Atingiu-o em cheio no peito e inundou seu estômago de uma ânsia profunda.

Força alguma seria capaz de arremessa-lo num canto como agora. Calafrios elétricos percorrem cada centímetro de sua epiderme. Cada poro desesperando ser lavado e os suores atendendo ao pedido. Sua cerne invadida de uma fraqueza indescritível já abandona as esperanças.

Lágrimas vertem ao perceber que tudo está por um fio – aquele fio que o trespassara –. Tão novo, ainda tão garoto, retumbava a voz dos antigos: a batalha não permite pequenas falhas. Falhara. As pernas já sem resistência, derramadas sobre o chão frio de cimento temperado. Reputação entrecortada por soluços. Respiração ameaçada por vultos.

Então, no embaralhado do profundo oceano dos seus olhos, as primeiras gotas chovem de seu corpo. As mãos ainda grudadas ao colo, observa incrédulo: jorra vida do seu seio. Fascinado, percebe aquela cor tão única, sua, particular. Ambas as palmas lavadas de si mesmo; sente um prazer perpétuo. Não sabe mais se é, respira ou se existe. Sente que não é mais único; é o todo e a enchente que flui de seu ferimento – antes de morte – como queda d'água, colore o mundo com suas cores quentes. O aroma, não mais férreo, enche seus pulmões de ternura. A lâmina cravada no seu ser é absorvida. Se deixa arrastar pela correnteza que seu âmago formara.

Encontra o cais em meio ao mar de sua criação. Aporta, com a glória dum guerreiro que pela primeira vez sente a vitória em seu nome.
Num epitáfio para nova vida ele escreve, insone:

Aqui jaz um menino, pois não há beleza maior que meu próprio sangue.


#PHPoemaday

terça-feira, 14 de abril de 2015

Vinte e Poucos Anos (XLV) - Vôo da Libertação

Era UM GAROTO...

Que queria voar. 

Ele queria voar... E está conseguindo!
Thank God!

E ironicamente passou a vida inteira morrendo de medo de aviões. Quando eu era criança, acreditava que o meu lençol tinha o poder de me deixar invisível ou invencível – tipo a capa do Harry Potter com um Overpower, sacam? – e sempre que eu ficava no cagote total apavorado, me cobria dos pés à cabeça e respirava o mais suave e devagar possível.

sábado, 7 de março de 2015

Confessions (VI) - (Últimas Confissões Escritas)

PENSEI em começar...

Com um grande texto. Mas no sentido de “Nossa, que texto!” e não pela quantidade de palavras. Aliás, “cheguei a pensar” é quase brincadeira de dizer nessa fase. 
Meus pensamentos se transformam em atitudes rápido demais. E é lógico que eu tenho que aprender a administrar isso. Já que mencionei esta palavrinha...  aí uma coisa difícil de fazer. De verdade! Palmas a quem consegue por toda a casa em ordem e ainda ajudar os tapadinhos da vida a encontrar carteira, chaves de casa, celular e etc (porque, sério!, sempre esqueço onde deixo as coisas).