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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Era Um Garoto (XII) - Dor

"Eu prefiro ter vivido uma vez, do que nunca ter vivido" 
(CAGE, Nicolas. Cidade dos Anjos. 1997)




Na Dor, Resistir

Para todas as vezes que a dor vir e a resposta for 'não seguir em frente'



Sentir dor faz partir; seja ao meio, seja do meio. 
Mas, o correto é desistir?

Aliás, algumas sensações sempre serão interpretadas como tal. E esse texto, o primeiro de 2017, fala justamente o quanto se deve resistir e seguir em frente.

Uma das definições de dor é a experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial. Não é algo simples. Sentir dor e se doer são definições bem distintas, mas ambas podem, facilmente estacar alguém num determinado lugar para não mais sair de lá.

Mas, alguns sofrimentos físicos e emocionais são inerentes do estar vivo. Viver dói. O sangue rasgando as veias para chegar aos órgãos provoca sensações. O primeiro invadir do ar aos pulmões é um sufoco. Os primeiros passos depois de horas na mesma posição, também.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (03) - O Cadáver

"De olhos bem fechados"



Abre os olhos 
em desprazer

O nada consome 
Não há ódio
Não há amor
Não há alegria
Não há dor
Recolhe os espólios de respirar
de viver

É casca ambulante
Nada ao ódio e nada
Nada ao amor e nada
À alegria nada e nada
À dor nada e nada

A corda do viver o estrangula
À caça da noturna pela inspirada dormência

O cadáver ébrio de vida
Anseia a morte do sono
Nos sonhos que embriagam a essência

Por isso aos beijos
Por isso aos cheiros
Por isso aos abraços
Por isso aos goles
Por isso aos gozos

Fecha os olhos 
com prazer

#PHPoemadayJune

domingo, 21 de junho de 2015

Crônicas do Frios (21) - A Pedra do Reino

A Pedra do Reino (O Deserto...)


Acordas. Acordado, percebes que tudo funciona como se noite ainda e as luzes estivessem apagadas. Imaginas as pupilas dos seus olhos dilatadas. Começas a caminhar e teus passos ecoam. Há atmosfera. Sente a brisa. Na rua, vês o vento levando, devagarzinho, algumas folhas de papel brancas num passeio rodopiante; divertido.

Tudo em preto e branco e com todos os tons possíveis de cinza. É uma cidade. Com prédios de dimensões impressionantes. Com janelas quadradas e equidistantes – não fosse a variação de cinzas todas lembrariam enormes tabuleiros de damas/xadrez.

Os carros estacionados. Tantos e de tantas marcas diferentes... Outdoors luminosos lá no alto, oscilando em P&B e anunciando o que tu, provavelmente, nunca te interessarias em comprar.
Depois de tanto tempo e depois de tanto andar, te afliges um pouco por não encontrar um alguém sequer. Desconfiando que talvez pudesses, pensas em voar para encontrar uma alma viva ao menos lá de cima. Mas, lembras: "estou acordado. Acordei uma vez e há horas".

De repente a brisa para. E todos os papéis bailando e deslizando como pássaros fincam no chão – como se sugados pelo óbvio.