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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bad blocks: porque não caçar bons sentimentos em locais bad feelings

A partir de um certo ponto, não há retorno. Este é
o ponto que é preciso alcançar
.
(KAFKA, Franz)

 

Bad blocks


Viver é acumular experiências e por diversas vezes elas não são apenas boas. Grandes momentos podem ser recheados de bad vibes. Ah, mas o inverso também procede: Bad vibes podem ser recheadas de grandes momentos.

O que marca, guardamos na memória. E há um perigo de que se torne um bad block. E aqui vai uma explicaçãozinha (quase desnecessária) nerd e me desculpe por começar dessa forma

Um bad block é o que acontece com o HD (disco rígido) do seu PC quando há um setor defeituoso, que pode ter uma causa física (hardware) ou por conta de uma programação (software).

Você sabe que o HD, explicando de modo bem grosseiro, serve para gravar programas, documentos, fotografias, vídeos e etc. Mas, antes que isso pareça um tutorial tech sobre hardware e software vamos ao foco do tema:

Bad blocks, em nossas vidas, são pedaços do nosso contexto histórico, que por algum motivo foram danificados. Geralmente por super bad vibes, ou seja, experiências bem ruins, mesmo com pessoas ou coisas que deveriam ser boas.

Planos que não deram certo, pequenas e grandes tristezas, aqueles momentos que feriram as expectativas, os erros, fracassos... 

O emprego perdido, dívidas, fim de relacionamento, aquela pessoa que você amava loucamente e hoje finge que não te conhece, incompreensão, pequenas injustiças and going down, down, down...

Bad block
 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Esperança: a arte de massacrar a alma

Da caixa de Pandora, na qual fervilhavam os males da humanidade, os gregos 
fizeram sair a esperança em último lugar, por considerá-la mais terrível de 
todos. Não conheço símbolo algum mais emocionante do que este. 
(CAMUS, Albert)

Esperança


Esperança: a arte de massacrar a alma


Era noite. Caminhávamos discorrendo filosofia pós-adolescente e coisas sobre filmes, jogos, RPG, mulheres e coisas assim. À época, ainda formava meu conceito sobre a existência do ser e sua relação com o mundo, mas eu era narrador e aspirante a escritor e isso significa que já havia configurado diversos universos em minha mente. Todos eles, lógico, baseados no existente. E aos poucos fui percebendo que esperança é uma dicotomia em si.

No caminho, enquanto divagávamos, encontramos um filhote que hoje a memória falha em relação à espécie (se gato ou cachorro). Meu bom amigo, um apaixonado pelas coisas da natureza, sempre avesso aos sofrimentos que as criaturas que não têm nosso raciocínio para se defender, logo se viu tocado.

Estava subnutrido, cheio de pequenas feridinhas, com os grandes e enérgicos olhos prescrutando qualquer movimento. Apesar da raça não me vir à mente com clareza, a expressão e as condições são inesquecíveis. Doía no peito de ver, sim.

Então, quase que instantaneamente, cheio de ternura e pena, o meu brother se dirigiu com afeto para acarinhar o pequeno animal. Eram sinceras as suas intenções. Eram as melhores possíveis. Ele estava realmente pesaroso por um filhote estar naquelas condições e éramos sempre impulsivos, meio inconsequentes, as emoções falavam mais alto sempre.

Mas, de repente, uma iluminação me fez gritar:

"NÃO!"

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Era Um Garoto (XII) - Dor

"Eu prefiro ter vivido uma vez, do que nunca ter vivido" 
(CAGE, Nicolas. Cidade dos Anjos. 1997)




Na Dor, Resistir

Para todas as vezes que a dor vir e a resposta for 'não seguir em frente'



Sentir dor faz partir; seja ao meio, seja do meio. 
Mas, o correto é desistir?

Aliás, algumas sensações sempre serão interpretadas como tal. E esse texto, o primeiro de 2017, fala justamente o quanto se deve resistir e seguir em frente.

Uma das definições de dor é a experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial. Não é algo simples. Sentir dor e se doer são definições bem distintas, mas ambas podem, facilmente estacar alguém num determinado lugar para não mais sair de lá.

Mas, alguns sofrimentos físicos e emocionais são inerentes do estar vivo. Viver dói. O sangue rasgando as veias para chegar aos órgãos provoca sensações. O primeiro invadir do ar aos pulmões é um sufoco. Os primeiros passos depois de horas na mesma posição, também.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Era Um Garoto (IX) - O Fim Está Próximo

O Fim Está Próximo


Alguns infinitos são maiores que outros
(LANCASTER, Hazel Grace. A Culpa é das Estrelas. 2014)

Gostamos de rememorar frases que marcaram uma passagem da vida. Por mais que a gente dê uma mentidinha (calma! Lê novamente a palavra), lá está ela pairando no subconsciente; pronta para vir à boca quase automaticamente – igualzinha àquelas músicas chiclete –.

Mas, diferente das músicas que ficam dando loopings por estarmos com a cabeça vazia (é, caros, a ciência que disse. Não eu. Uma vibe chamada earworm), frases impactantes como a dita pela protagonista do livro/filme acima, só vêm quando a mente está bem alimentada e faz, no momento certo, uma conclusão. É apenas quando o conjunto de palavras ali constantes fazem sentir. E “se faz sentir, faz sentido.”

E, ora! Vejam, só: infinitos findam. E nos negamos aos fins. 
“Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia”. Mas o aperceber-se conta: é o fim. É o fim. 
“Mas o dia insiste em nascer pra ver deitar o novo”. E ao longe, como o topo da montanha que se projeta no horizonte a cada passo que damos, podemos observar o fechamento do ciclo. 


Na confusão há esclarecimentos; é o sentido no caos

sábado, 8 de agosto de 2015

Era Um Garoto (IV) - Filosofando (Des)controle

O Controle vs Descontrole

(DES)CONtrole...

Pensar na questão me faz ter dores de cabeça. Controlar é algo difícil. É sim! Fazemos planos e acertamos as metas. Tudo ôuquêi. Desvencilhamo-nos de vícios, daquilo que nos prende, fazemos sacrifícios; vamos nos fechando para o prazer do sentir – ora! O sentir é o aqui e agora –. E tomamos estas decisões pensando no futuro. Seja ele certo, seja ele obscuro. O que for. Afinal, é nesse ponto que o controle me dá as enxaquecas morais. Como queria meu senso crítico acreditá-las assim como parecem; triviais. Não são.

Saiu da mão e puft, acabou a ilusão do controle. Aliás, mera ilusão, pois mesmo em posse ninguém pode garantir que é pleno o governo sobre. Geralmente este poder permanece sob. Li em algum lugar que é atraente o homem que mantem-se dono de suas emoções e não as deixam dominá-lo. Concordo que é ridículo alguém que transforma um versículo em um dramalhão mexicano. Discordo que homens e mulheres precisem negar os sentimentos e as sensações por parecer leviano. Ou talvez, neste momento, eu cometa um ledo engano por simplesmente não ter entendido o propósito da vida plenamente.

Temer o desconhecido é natural ao ser humano
O medo do desconhecido talvez explique o pavor ao descontrole e a aversão ao caos natural


Aí, provoca o pensamento: Como por na balança uma dicotomia de radical igual (antonimado por um prefixozinho sem-vergonha)? Como equilibrar e ponderar? Porque descontrole só é bem aceito, por exemplo, num relacionamento, quando a moeda de troca é também se descontrolar. Não há essa coisa de controle. Há a experiência de viver e entender que podemos amenizar os dessabores, mas tentar podar os riscos em qualquer prova limita também os sabores. É recolher a língua ao provar algo quente temendo, no calor, as dores. Só que pode ser algo delicioso, único e inexplicável. Inexperimentável a não ser por esse sentido.

Quando nada se encaixa do jeito que queriamos... Piramos.
Nós (pessoas) e nossa mania em querer que tudo se encaixe

Pois é... É vivendo, mesmo. Não andando a esmo ou nos ermos. Penso nesse ponto quando o [crtl]+ algo vem à minha mão. Mas, espero pelas consequências insaciáveis da vida – afinal, alguém pode desistir de sugar dela, mas ela nunca desiste de consumir quem se movimenta   (ou mesmo quem apenas espera).


Caos é o que não podemos controlar

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vinte e Poucos Anos (XLVIII) - ;D

Mais HUMOR...

... POR Favor!


Bom velhinho: Ariano é Herói pra quem quer enfrentar a vida com humor!

Estudando, dei de cara com o Ariano Suassuna. Ô véinho que ensina tanto sobre a vida, sobre filosofia e sobre como não se levar tão a sério (o que eu considero o princípio da sabedoria [rs]). Muitos tiveram o privilégio de vê-lo de perto (já fui em palestra dele – inclusive), mas poucos puderam abraçá-lo (“aula-bate-papo” de poucos minutos em 2011, no teatro de Santa Isabel, Recife – PE, após uma apresentação do Auto da Compadecida) e dar as devidas saudações rubro-negras (Cazá, Cazá, Cazá!!!).

A última vez que o vi falando foi num programa de TV (TV Senado), numa palestra incrível sobre a Filosofia da Arte, na metade do ano passado (2014), onde ele aborda o Cômico como parte da Estética e fala sobre o Belo e vários outros conceitos filosóficos.
O Incrível? Além dele ser uma figuraça e aplicar conceitos filosóficos complexos no cotidiano duma maneira que faz você pensar “nossa, cara!, que fodástico! Tão simples!”! Então.... Desconstruir o conceito de perfeição falando que o cômico, o risível, o feio TAMBÉM é belo – sem precisar ser perfeito.

domingo, 30 de novembro de 2014

Percebo (II) - Insatisfação Pessoal e Imagem Social

É impossível satisfazer as pessoas - a não ser que elas queiram ser satisfeitas

Em novembro de 2013, li Kafka e inferi o quanto hipervalorizamos a opinião de terceiros - tornamos o simples complexo demais para satisfazermos uma necessidade nossa de sermos únicos e sublimes aos olhos alheios

Nosso ceticismo quanto aos bons predicados que nos imputam nos tornam escravos do Status Quo eterno. Sem pensarmos num conceito transformador da forma natural como a vida deveria ser. Em eterno movimento.
Percebi ao ir à loja Imaginarium próximo ao dia 15 do penúltimo mês do ano passado que dizer: "passo sempre aqui e olho pra ver se tem algo que me arrebata." intimidava qualquer vendedor. Soube que sim desde a primeira vez que utilizei este método, mas não entendia o porquê. Então li "Primeira Dor", "Um Artista da Fome" e "Josefine - A Cantora (ou O Povo dos Ratos)" e entendi:

Não é possível satisfazer as pessoas. É impossível... A não ser que elas queiram ser satisfeitas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Cenário Em Que Vivo


A arte da INCOMPREENSÃO...

É difícil hoje em dia se fazer entender. As coisas acontecem de maneira muita veloz e as pessoas tendem a nem se ouvir direito. Sabe aquela agonia de ao estar lendo um livro – ou qualquer coisa do tipo – e de repente da uma vontade arretada de pular algumas linhas e chegar logo à conclusão? Então...!

Hoje em dia isso é feito com tudo. Livros, filmes, jornais, seriados, revistas e principalmente no diálogo. O pior de tudo é ler/assistir/ouvir apenas um pedacinho do que se procura conhecimento e ter uma conclusão pré-formada sobre o assunto em questão. É o chamado jarro cheio. Não entra mais nada ali; já está cheio até a boca. 
Tudo que se tenta por a mais, transborda. Nada (ou quase nada) é absorvido.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vinte e Poucos Anos (XXIII)


Outcomer – Intruder: “INTRUSO”...


(...) Alguém sabe o significado dessa palavra? A língua inglesa tem umas regras legais pra algumas palavras... Ou seja, “out” significa fora e “comer” é aquele (a) que vem.
Aquele que vem de fora. Estrangeiro. Intruso.

sábado, 9 de julho de 2011

Vinte e Poucos Anos (XVIII)

IndenTIDADE...




Já chegou ao limite de quase romper com a realidade e escolher ficar?
De você realmente não saber do porquê estar aqui nesse mundinho tão absurdo?


Antes da precipitação há a racionalidade. Quando começamos a tentar entender o porquê dos “pra quês” e chegamos às benditas pergunta: “Quem somos, na verdade, além do nosso nome?” e “Qual a nossa importância nessa máquina maluca chamada mundo”.


Quem já passou pela puberdade já se fez essas perguntas no mínimo uma vez.