sexta-feira, 28 de abril de 2017

Esperança: a arte de massacrar a alma

Da caixa de Pandora, na qual fervilhavam os males da humanidade, os gregos 
fizeram sair a esperança em último lugar, por considerá-la mais terrível de 
todos. Não conheço símbolo algum mais emocionante do que este. 
(CAMUS, Albert)

Esperança


Esperança: a arte de massacrar a alma


Era noite. Caminhávamos discorrendo filosofia pós-adolescente e coisas sobre filmes, jogos, RPG, mulheres e coisas assim. À época, ainda formava meu conceito sobre a existência do ser e sua relação com o mundo, mas eu era narrador e aspirante a escritor e isso significa que já havia configurado diversos universos em minha mente. Todos eles, lógico, baseados no existente. E aos poucos fui percebendo que esperança é uma dicotomia em si.

No caminho, enquanto divagávamos, encontramos um filhote que hoje a memória falha em relação à espécie (se gato ou cachorro). Meu bom amigo, um apaixonado pelas coisas da natureza, sempre avesso aos sofrimentos que as criaturas que não têm nosso raciocínio para se defender, logo se viu tocado.

Estava subnutrido, cheio de pequenas feridinhas, com os grandes e enérgicos olhos prescrutando qualquer movimento. Apesar da raça não me vir à mente com clareza, a expressão e as condições são inesquecíveis. Doía no peito de ver, sim.

Então, quase que instantaneamente, cheio de ternura e pena, o meu brother se dirigiu com afeto para acarinhar o pequeno animal. Eram sinceras as suas intenções. Eram as melhores possíveis. Ele estava realmente pesaroso por um filhote estar naquelas condições e éramos sempre impulsivos, meio inconsequentes, as emoções falavam mais alto sempre.

Mas, de repente, uma iluminação me fez gritar:

"NÃO!"

terça-feira, 14 de março de 2017

O combinado

"O planejamento, em excesso, asfixia a iniciativa e engessa o progresso" 
(SOUSAHélder Sena)



O combinado






O combinado parece um modelo mal
plagiado de Eduardo e Mônica, a diferença primordial é que o casal da canção está diluído entre os protagonistas dessa história de março.


Sim! Março. 2015. Pouco tempo depois das varias imigrações e aglutinações, a universidade decidira trazer a jovem guerreira até o laboratório de informática do térreo em definitivo.

Por mais que a parca memória flexione para maio (por conta do radical ou da rima), havia pouco tempo que ela completara 19 verões.

domingo, 12 de março de 2017

Minha mãe morreu pra mim

"Para fazer esquecer as nossas faltas aos olhos do mundo são precisas torrentes de 
sangue; mas, junto de Deus, basta uma lágrima" (CHATEAUBRIAND , François)


Minha mãe morreu pra mim


Quantas oportunidades que descontrolam seu autocontrole te fazem pensar na vida? Consegues contabilizar? Eu não consigo parar de me emocionar. O choro vem, sem nem ao menos eu o refrear.

Olho para o teto. Lembro de anedotas. Abro a boca convulsivamente, mas as lágrimas vem... E escorrem de maneira tal que não me deixam preparado para o porvir. Muito menos para o que há. Penso: "será que estamos prontos para a vida"? a cada gota acachoeirada deslizando pelas maçãs do rosto.

Minha mãe morreu pra mim. 


quarta-feira, 8 de março de 2017

8 de Março: Por que eu daria parabéns às mulheres?

Toda dominação pessoal, psicológica, social e institucionalizada nessa terra pode
ser remetida a uma mesma fonte original: as identidades fálicas dos homens

(DWORKIN
, Andrea )


Por que eu daria parabéns às mulheres?



Mulher




Eu tive a cara de pau de nascer homem num mundo de mulheres. E o descaramento vem, mas não das questões biológicas do gênero.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Era Um Garoto (XII) - Dor

"Eu prefiro ter vivido uma vez, do que nunca ter vivido" 
(CAGE, Nicolas. Cidade dos Anjos. 1997)




Na Dor, Resistir

Para todas as vezes que a dor vir e a resposta for 'não seguir em frente'



Sentir dor faz partir; seja ao meio, seja do meio. 
Mas, o correto é desistir?

Aliás, algumas sensações sempre serão interpretadas como tal. E esse texto, o primeiro de 2017, fala justamente o quanto se deve resistir e seguir em frente.

Uma das definições de dor é a experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial. Não é algo simples. Sentir dor e se doer são definições bem distintas, mas ambas podem, facilmente estacar alguém num determinado lugar para não mais sair de lá.

Mas, alguns sofrimentos físicos e emocionais são inerentes do estar vivo. Viver dói. O sangue rasgando as veias para chegar aos órgãos provoca sensações. O primeiro invadir do ar aos pulmões é um sufoco. Os primeiros passos depois de horas na mesma posição, também.

sábado, 30 de julho de 2016

Viajante Caído - (55th's Sessions)

Caindo

Acima da média. Entre parapeitos, marquises. É mochila, é jeans – às vezes saia – flanela é o estilo acima da cintura. Sinais e sinais. Da vida e de escolha. Todos signos. Olhos grandes, fingem-se pequenos. Boca pequena, apetite voraz – todos –.

Big eyes, little mouth

Às  vezes, é o verde república. A grama orvalhada, a fuligem e os deuses gregos como testemunhas. O Partenon e ao fundo a Yggdrasil. Reza a lenda que sete voltas ao redor da árvore e todos os seus desejos se realizam.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Era Um Garoto (X) - "North Remembers"

Agora Posso Voltar
Quem um dia irá dizer que não existe razão
nas coisas feitas pelo coração?

(RUSSO, Renato. Eduardo e Mônica. 1986)




North ever forgives & never forgets

Escrever é pra todos. Fazer sentir com o que está escrito é um dom pra poucos. Dentro dessa perspectiva, eu falhei miseravelmente em concluir o desafio a que me propus no mês de Junho — o PH Poemaday —. Na real? Tava frustrado com a minha falta de inspiração e meio triste comigo mesmo.


"Eu não fiz questão de estar aqui, nem mesmo de participar..."


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (08) - O Licor | (09) - A Cigana

Estiano & Caetano




Dança girando como uma cigana numa redoma. Ou como um dervixe na Dança dos Cosmos. Desaguamos; não me doma. 

A mão de Deus é minha e o universo segue no sentido horário; as horas não param, não passam. É o contrário, do contrário, do contrário; Espirais de Estiano. É o avesso, do avesso, do avesso; Sampa de Caetano

Dá, sim, para imaginar o mar vermelho. Dar-se para a imagem no mesmo espelho: liquefeito. Li que é feito de dois a felicidade de um. Resta a unidade ser de união ao invés de eliminação. Ele mina a alma, o desalento, fazendo o corpo ser um em nada. 

Nadar na correnteza Gaspare Campari com os olhos, para a boca correr aos lábios da sina. E afastar o vazio de dentro, rechear de prazer e derreter, no colo da amada amante. A li cortando meu ser. Engulo o licor para outra vez transcender.



#PHPoemaDayJune

terça-feira, 7 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (07) - A Maquiagem

Caricatura



Tanto esforço para encontrar algo que sustentasse uma nobre caricatura
de si

Vi eram
o tempo, as dores, o vento, amores, lamentos, sabores, 
exemplos e flores, tormentos e cores, momentos autores
Vieram

Quanto esboço no maquiar da realidade, veio a vida e a fez apenas criatura
per se


#PHpomeaDayJune

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Crônicas do Frio III (06) - A Mentira

Que Mera


Morrer
Quero morrer
Não quero morrer
Que não quero morrer
Pensei que não quero morrer
Quando pensei que não quero morrer


Menti

Quando pensei que não quero viver
Pensei que não quero viver
Que não quero viver
Não quero viver
Quero viver
Viver


#PHPoemaDayJune